BE critica presença da CMV na inauguração do Posto

Bloco de Esquerda critica presença da Câmara Municipal de Vizela na inauguração do posto de combustível em S. Paio

O Núcleo de Vizela do Bloco de Esquerda criticou a participação do Executivo Municipal na inauguração do posto de combustível na freguesia de S. Paio, considerando que a presença institucional da autarquia revela uma falta de estratégia para a mobilidade sustentável e para a transição energética do concelho.

Os bloquistas manifestam a sua “profunda perplexidade” perante a decisão do executivo liderado por Victor Hugo Salgado de associar-se à abertura da infraestrutura comercial. “O Executivo Camarário decidiu transformar a inauguração de um posto de combustível estritamente privado, na freguesia de S. Paio, num evento com honras de comemoração institucional”, refere o partido.

“Ver a máquina de propaganda da autarquia mobilizada para aplaudir o retalho de combustíveis fósseis como um ‘sonho cumprido’ seria apenas caricato se não revelasse um vazio gritante de projeto político para o concelho. Enquanto o Presidente desdobra o seu tempo institucional em festas de Relações Públicas para negócios privados, Vizela continua refém de um modelo de mobilidade obsoleto, poluente e profundamente injusto para os seus cidadãos”.

O Bloco de Esquerda considera que “se o executivo pretendia, de alguma forma, justificar ou ‘mascarar’ minimamente a sua inédita presença oficial nesta infraestrutura comercial, deveria ter demonstrado capacidade de influência para garantir contrapartidas ecológicas modernas”, nomeadamente a instalação de postos públicos de carregamento rápido para veículos elétricos e a criação de espaços verdes associados ao empreendimento.

“Perder esta oportunidade para introduzir sustentabilidade no projeto prova que a autarquia aceitou o papel de mera promotora de combustíveis fósseis, sem qualquer contrapartida para a comunidade de S. Paio”, sustenta o comunicado.

O partido aponta ainda alegadas falhas na estratégia municipal de transição energética, comparando Vizela com municípios vizinhos. Os bloquistas destacam o caso de Guimarães, onde existem medidas de incentivo à mobilidade elétrica, "como a isenção de pagamento de parquímetros para veículos 100% elétricos e uma rede pública de carregamento robusta”. “Enquanto municípios vizinhos, como Guimarães, criam políticas ativas de transição energética, (…), a Câmara de Vizela castiga quem quer poluir menos”, afirma.

“Em Vizela, os postos públicos de carregamento elétrico contam-se pelos dedos de uma mão e a autarquia, até agora, recusou-se a dar qualquer isenção de estacionamento a veículos ecológicos no seu regulamento municipal”, acrescenta.

O Bloco de Esquerda alerta também para a dependência do automóvel particular por parte da população, atribuindo essa realidade à insuficiência da rede de transportes públicos. Embora reconheça que a gestão da operação rodoviária compete à Comunidade Intermunicipal do Ave (CIM do Ave), o partido defende uma intervenção mais ativa da Câmara Municipal na reivindicação de melhores soluções de mobilidade. “A Câmara Municipal de Vizela não pode continuar a sacudir as suas responsabilidades: é urgente uma postura ativa e exigente no reforço da oferta de transportes coletivos na cidade, procurar garantir a interoperabilidade com o transporte ferroviário, ligando as freguesias de forma eficaz e fiável à rede de comboios”, defende.

Para o Bloco de Esquerda, a prioridade do concelho deve passar por “retirar automóveis do centro urbano (especialmente os mais poluentes), devolvendo o espaço às pessoas, reduzindo as emissões e investindo na transição energética”.

No final do comunicado, o partido deixa críticas à atuação do executivo municipal e apela a uma maior aposta nos transportes públicos e nas políticas ambientais.

“O Bloco de Esquerda exige que o executivo desça do palco da autoglorificação e comece a lutar por aquilo que realmente afeta o dia a dia dos vizelenses: transportes públicos de qualidade, alternativas ecológicas e uma cidade respirável e moderna”, conclui.

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