Porque estou em Rotary

Maria do Resgate Salta

2020-07-30

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Entrei para o movimento rotário a convite do Companheiro Domingos Vaz Pinheiro, Fundador do Rotary Club de Vizela, em 20 de Junho de 2001. Já tinha conhecimento que Vizela tinha um clube rotário. Já conhecia o Movimento Rotário mas muito superficialmente. A primeira vez que fui a uma reunião rotária foi em Luanda e com o meu pai. Tinha 15 anos, mas parecia mais velha. O meu pai como era bom orador recebia convites do Rotary Club de Luanda como palestrante. A certa altura, devido a doença de minha mãe (mais tarde teve que fazer uma cirurgia delicada na África do Sul), o meu pai decidiu levar-me como sua companhia. Imaginem uma jovem de 15 anos, rebelde quanto baste, com pensamento avançado para o tempo em que vivia, com ideais revolucionários, no meio de homens já maduros na idade - com idade do meu pai e mais velhos - e ter de estar calada numa reunião cheia de protocolo e sobrolhos franzidos. Também não via com bons olhos o facto de mulheres não poderem fazer parte do clube. Talvez culpa minha, do meu feitio, mas não ficava entusiasmada com a ideia de acompanhar o meu pai a outra reunião do Rotary Club de Luanda. Mas fazia o “sacrifício”. A partir de então não me interessei por ler, acompanhar ou pesquisar sobre o Movimento Rotário. A vinda para Lisboa, o curso, mais tarde a profissão e, já em Vizela, com meus os filhos ainda pequenos, meu tempo ficou muito preenchido. Até que um dia o Companheiro Domingos Vaz Pinheiro abordou-me para ser médica e directora clínica, em regime de voluntariado, do novo Lar de Terceira Idade da Santa Casa da Misericórdia de Vizela em 1999. Dois anos depois convidou-me para a sua lista da Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Vizela e para ser membro do Rotary Club de Vizela. Quando recebi este último convite, fiquei indecisa (ainda tinha a imagem das reuniões do Rotary Club de Luanda) mas acedi frequentar algumas reuniões de Rotary Club de Vizela. Também fiz alguma pesquisa sobre o movimento a nível nacional e internacional. Fiquei agradada com o que li e vi. Na primeira reunião verifiquei a presença de mulheres como sócias efectivas do clube. Conhecia todos os membros (privilégio de viver numa cidade pequena). Fiquei entusiasmada com os projectos a nível local, nacional e internacional. Pude constatar que Rotary Internacional é um mundo de serviços às comunidades mais carenciadas, uma ONG (que esteve na base e na Conferência da Fundação da ONU) com milhares de voluntários a realizar projectos sustentáveis em mais de 200 países para mudar a vida de muitos que sobrevivem com muito pouco. Senti que como rotária poderia ajudar pessoas e com alcance a qualquer ponto do mundo. E assim tem sido! O projecto do Lobito é um dos exemplos porque estou em Rotary. Ajudar quem nada tinha, nem identidade! A ajuda em possibilitar jovens mães e seus filhos a registarem-se como cidadãos de Angola. Ajudar estas jovens e seus filhos a terem uma vida digna. Ajudar as Irmãs Oblatas no Lobito a tornar isso possível. É a alegria que todos sentimos em vermo-nos e falarmos por Skype. Nós, as Irmãs e as jovens que ajudámos. É dar com o coração! É receber muitos sorrisos. A nossa passagem pelo mundo é efémera! Prefiro aproveitá-la para dar com o coração e receber sorrisos. O resto são futilidades. Este ano de 2020 trouxe uma pandemia. Ninguém estava preparado para as mudanças a que fomos obrigados a fazer: confinamento, afastamento de familiares e amigos, teletrabalho ou mesmo sem trabalho, uso de máscaras de protecção, desinfecção frequente das mãos e objectos entre tantas outras mudanças. Mas Rotary adaptou-se rapidamente utilizando os meios digitais. E assim as reuniões passaram a ser online através de plataformas digitais. E facilmente pude assistir a várias reuniões e palestras de outros Clubes: uns mais perto e outros mais distantes. E também Rotary tem ajudado a combater a pandemia da Covid-19: doando material para os profissionais de saúde de Hospitais e Centros de Saúde, a IPSS’s e Associações de Solidariedade Social. Rotary ajuda países com parcos recursos levando até eles os bens de primeira necessidade, construindo casas e escolas, com programas de apoio à educação, ao combate a doenças (nomeadamente a erradicação da poliomielite), investindo em programas de água potável e saneamento e fortalecendo empreendedores e líderes comunitários de regiões carentes, sobretudo mulheres, para combater a pobreza. A pandemia fez parar muitas empresas e serviços. Mas não conseguiu parar o Rotary. A 37ª Conferência Distrital que decorreu de 14 a 19 de Junho, através do Facebook e do Youtube, foi a prova que o Movimento Rotário saiu fortalecido deste tempo conturbado e de condições adversas. O Past-Governador Carvalhido da Ponte, com a sua equipa Distrital, conseguiu aglutinar Rotários de Clubes dos 2 Distritos em Portugal e de vários Distritos pelo Mundo. Foram momentos de muita partilha, aprendizagem e companheirismo. Dias depois foi a Transmissão de Mandatos dos Governadores do Distrito 1970. Outra cerimónia transmitida online com a força, as mensagens e os projectos do Companheiro Sérgio Almeida, Governador do Distrito 1970 do Ano Rotário 2020-21. Senti-me honrada por poder fazer parte do Movimento Rotário. Rotary conecta o mundo e abre portas às oportunidades E é assim que vejo o Rotary. Não poderia deixar de falar no meu Clube. O Rotary Club de Vizela. O Clube que me recebeu de braços abertos. Dos meus companheiros e companheiras que são pessoas sobejamente conhecidas na comunidade vizelense. Pessoas simples, bons profissionais, humanistas. Que dão de si antes de pensar em si. Da nossa amizade e companheirismo independentemente das nossas diferenças. Porque em Rotary somos todos iguais e Companheiros. O Rotary Club de Vizela possui e colabora em projectos muito válidos não só na nossa comunidade como na comunidade nacional e internacional. Engana-se quem pensa que somos um Clube/Movimento de elite. Quem me conhece (e pelo que referi no início do artigo) sabe que eu nunca faria parte de um Clube ou Associação de elite e cujo propósito principal não fosse o bem-estar dos mais desfavorecidos. Desde Junho de 2001 que o Movimento Rotário faz parte da minha vida. Faz parte de mim! E tenho tanto a agradecer-lhe! Porque a felicidade dos outros, principalmente dos carenciados e desfavorecidos, é a minha felicidade. Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico