Entre duas cidades, um mesmo orgulho
Francisca Silva
2026-03-12Não sei se já o referi neste espaço, mas a minha cidade não é Vizela. Sou de uma freguesia do sul do concelho da bela cidade de Guimarães. No entanto, a vida tem destas surpresas bonitas: trouxe-me para Vizela. E quando passamos a maior parte dos nossos dias num lugar, e no meu caso, cerca de 90% do tempo, é inevitável que esse lugar comece também a ocupar um espaço especial dentro de nós.
Vizela ganhou, assim, um lugar no meu mapa afetivo.
A cidade que hoje conhecemos como concelho autónomo carrega uma história de luta que merece ser lembrada, celebrada e, sobretudo, respeitada. O dia 19 de março de 1998 ficou marcado para sempre na memória coletiva dos vizelenses. Foi nesse momento que se concretizou um objetivo que durante décadas mobilizou gerações: a autonomia administrativa. Uma aspiração que não nasceu de um impulso momentâneo, mas sim de uma vontade persistente de um povo que acreditou que podia decidir o seu próprio caminho.
E a história de Vizela é isso mesmo; acima de tudo, uma história de uma terra que nunca desistiu. Um território pequeno em dimensão, mas enorme em determinação. Num país democrático, onde a participação cívica é um dos pilares fundamentais, o exemplo vizelense mostra como a voz das pessoas pode, de facto, fazer-se ouvir. Mostra também que as causas justas, quando sustentadas por convicção e persistência, acabam por encontrar o seu lugar.
Passaram 28 anos desde esse momento decisivo. Não foram anos perfeitos, porque também nenhuma construção coletiva o é. Começar praticamente do zero trouxe desafios, dificuldades e inevitáveis obstáculos. Mas trouxe também a oportunidade de construir um concelho à medida das suas ambições. Hoje é evidente que a cidade de Vizela é muito mais do que poderia ter sido se aquela luta não tivesse sido travada. Há ainda muito caminho pela frente, naturalmente, mas há também uma base sólida construída com o esforço de quem acreditou neste projeto coletivo.
Celebrar esta data não é apenas recordar o passado. É também olhar para o futuro. É perceber que a autonomia conquistada no ano de 1998 continua a ser uma responsabilidade partilhada por todos os que vivem, trabalham e acreditam em Vizela.
E talvez seja precisamente isso que mais me impressiona nesta história: a capacidade de um povo transformar uma aspiração em realidade.
Eu continuo a ser de Guimarães. Isso não muda. Mas confesso que Vizela já tem um lugar no meu coração. E talvez seja esse o maior sinal de que esta cidade tem algo de especial.
Viva o concelho de Vizela!





