Educar para a curiosidade

Margarida Gomes

2026-05-28


Num mundo em constante mudança, fala-se cada vez mais das competências necessárias para o futuro: pensamento crítico, criatividade, resolução de problemas, adaptabilidade e aprendizagem ao longo da vida. Mas existe uma competência essencial que alimenta muitas das outras: a curiosidade.

Diversos estudos têm mostrado que a curiosidade está associada a uma maior capacidade de aprender, adaptar-se, pensar criticamente e procurar soluções.

Vivemos num tempo marcado pela rápida transformação tecnológica, pelo excesso de informação e pela imprevisibilidade. Neste contexto, a capacidade de questionar, explorar e procurar compreender o mundo tornou-se cada vez mais importante. Hoje, saber fazer perguntas pode ser tão importante como saber responder.

E talvez seja aqui que a infância tem muito para nos ensinar. As crianças nascem naturalmente curiosas. Observam o mundo com espanto. Questionam tudo à sua volta. Querem tocar, experimentar, descobrir e compreender. Fascinam-se com pequenos detalhes que os adultos, muitas vezes, já deixaram de ver.

O problema é que, sem nos apercebermos, muitas vezes vamos enfraquecendo essa capacidade natural.

Vivemos numa sociedade acelerada e excessivamente estimulante. As crianças crescem rodeadas de estímulos constantes e respostas imediatas. Existe cada vez menos espaço para o silêncio, para a observação e para o simples tempo de pensar.

Mas a curiosidade precisa de tempo. Precisa de espaço para imaginar, observar, questionar e explorar. Muitas vezes, a curiosidade nasce da espera, da dúvida e da vontade de compreender aquilo que ainda não conhecemos.

Quando a criança está constantemente entretida ou ocupada, torna-se mais difícil desenvolver a iniciativa, a criatividade e a capacidade de explorar o mundo por si própria. O excesso de estímulos deixa menos espaço para o brincar livre, para imaginar, pensar e descobrir.

Hoje sabemos que a curiosidade desempenha um papel fundamental na aprendizagem, no pensamento crítico, na criatividade, na autonomia e na capacidade de compreender o mundo e os outros.

E se educar for, também, proteger a curiosidade natural da infância?

Permitir que as crianças façam perguntas.
Valorizar o espanto.
Dar tempo para explorar.
Ler histórias.
Observar a natureza.
Conversar.
Experimentar.
Imaginar.

É nestes momentos que nasce a vontade de descobrir e compreender o mundo.

Afinal, aprender começa muitas vezes na vontade de perguntar. 

Talvez por isso uma das tarefas mais importantes da educação seja garantir que as crianças nunca deixem de fazer perguntas.