Vimaranense Damião Lelo publica mais um livro em Portugal
Natural da Indonésia e a viver em Portugal desde 2009, Damianus Paskalis Lelo (Damião Lelo) acaba de publicar “Rezar as Feridas”, a sua segunda obra de poesia, editada pela Oficina da Escrita. Missionário da Congregação do Verbo Divino e residente em Guimarães, o autor dá continuidade ao percurso literário iniciado em 2024 com Urdir a Distância, o seu primeiro livro.
Em entrevista à Rádio Vizela, Damião Lelo explicou que o gosto pela poesia nasceu ainda na infância. “Eu gostava muito de ler romances, contos, livros de poesia quando era pequeno”, recordou, acrescentando que a paixão pela escrita foi recuperada e aprofundada nos últimos anos através da leitura de autores portugueses contemporâneos.
Sobre Urdir a Distância, o poeta refere que a obra procura refletir sobre diferentes formas de distância. “A distância não diz respeito apenas ao espaço geográfico, mas também à dimensão emocional e afetiva”, afirmou. Segundo o autor, o livro procura chamar a atenção para uma realidade cada vez mais presente. “Hoje vivemos muito a rejeição, a divisão e a desunião”, alertou.
O mais recente livro, Rezar as Feridas, surge precisamente como uma continuação desse caminho literário. “É uma continuação de um poema contido no primeiro livro”, explicou. A obra procura responder a uma questão deixada em aberto em “Urdir a Distância”: “Quais são as feridas do autor e as feridas do mundo?”.
Para Damião Lelo, rezar vai muito além da dimensão religiosa. “Rezar não é só recitar orações; rezar é cuidar, agir, fazer acontecer e fazer o bem”, sublinhou. Ao longo do livro, o autor aborda temas como a fragilidade humana, a vulnerabilidade e as inquietações do mundo contemporâneo.
Questionado sobre o poema mais marcante da obra, destacou “Rezar ao Deus dos Feridos”, que descreve como um dos textos mais impactantes do livro.
A terminar, deixou um convite aos leitores para descobrirem a obra e a mensagem que nela procura transmitir. “As feridas são a expressão da nossa fragilidade humana”, afirmou. E acrescentou: “A poesia é real quando toca na carne humana”. Para o autor, ler “Rezar as Feridas” é também uma oportunidade para “escutar as dores, ouvir as inquietações e prestar atenção ao grito do outro”.








