Nova Casa da AIREV deverá abrir em setembro

 

A nova casa da AIREV está cada vez mais perto de abrir portas. A previsão é que o novo Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI) entre em funcionamento em setembro, permitindo acolher 60 jovens e responder a uma necessidade há muito identificada.

O tema esteve em destaque no Podcast “Sem Limites”, emitido na Rádio Vizela, na passada quinta-feira, 09 de julho. À conversa com Sara Costa, diretora técnica da instituição, e Cláudia Costa, do departamento de marketing e comunicação, esteve Paula Ferreira, assistente social da AIREV, que assumirá a direção técnica da nova valência.

Apesar de a construção do edifício estar concluída, ainda faltam alguns passos antes da inauguração. Paula Ferreira explicou que, nos próximos dias, será iniciada a instalação do mobiliário e que a instituição aguarda apenas a emissão das licenças necessárias para poder abrir portas. “Neste momento a obra está concluída. Na próxima semana, em princípio, já começam a montar os móveis. Nesta fase, estamos à espera das licenças, para que fique tudo prontinho”.

A responsável revelou que o objetivo é iniciar a atividade em setembro, respondendo à expectativa de dezenas de famílias que aguardam há vários anos por esta resposta social. “Está quase. Agora é só esperarem mais um bocadinho e, em setembro, se deus quiser, vamos conseguir finalmente abrir portas e dar resposta a estes jovens e a estas famílias que estão ansiosas por ter uma resposta”.

Segundo Paula Ferreira, a concretização deste projeto representa o culminar de vários anos de trabalho e permitirá responder a situações que, até agora, permaneciam sem solução. “É uma felicidade muito grande porque finalmente posso dar resposta a todos os casos que nos foram procurando ao longo destes anos. Até agora as famílias vinham ter comigo e eu não sabia quando iríamos ter uma resposta”.

A assistente social explicou que um dos maiores problemas surge quando os jovens com deficiência terminam a escolaridade obrigatória. Embora existam respostas durante o percurso escolar, após os 18 anos a oferta é reduzida, sobretudo ao nível dos CACI. “A realidade é que existem poucas respostas depois da escola. Não existe uma resposta garantida, quando isso deveria ser um direito deles”.

Esta falta de respostas acaba, muitas vezes, por obrigar um dos pais a abandonar a atividade profissional para cuidar do filho em casa: “Muitos pais dizem-nos: ‘Eu não posso deixar de trabalhar para ficar a tomar conta do meu filho’. Mas é isso que acaba por acontecer”.

Paula Ferreira sublinhou ainda que esta realidade não é exclusiva de Vizela, mas sim um problema que se verifica em todo o país, razão pela qual a AIREV recebe inscrições de famílias proveniente de concelhos como Paços de Ferreira, Penafiel, Vila Nova de Famalicão e Santo Tirso.

A futura resposta da instituição assentará no modelo CACI, que pretende promover a autonomia, a inclusão e a participação ativa dos jovens na comunidade, através de atividades adaptadas às características e interesses de cada utente. “O objetivo é criar autonomia, promover a socialização e capacitá-los para, sempre que possível, serem inseridos no mercado de trabalho. Mesmo quando isso não acontece, podem desenvolver competências e ter um verdadeiro projeto de vida”.

A responsável adiantou ainda que os espaços e oficinas serão ajustados às necessidades dos jovens que integrarem a resposta, incluindo pessoas com perturbação do espetro do autismo, sendo o trabalho desenvolvido de forma individualizada.

Para Paula Ferreira, a abertura da nova casa representa também um alívio para muitas famílias: “Para elas é um alívio. Finalmente terão uma resposta e muitas poderão voltar a procurar trabalho, porque os filhos terão um lugar onde continuar a desenvolver o projeto de vida”.

Questionada sobre o primeiro dia de funcionamento da nova casa, Paula Ferreira acredita que o momento será vivido com grande emoção, mas reconhece que também existirá algum receio por parte das famílias. A responsável considera natural que haja um período de adaptação, tendo em conta as características e necessidades de cada jovem, mas acredita que prevalecerá o sentimento de alívio. “Vai ser uma felicidade muito grande verem que têm uma estrutura e um plano que está a ser construído para as famílias”, afirmou.

Sara Costa garantiu que essa adaptação será feita de forma gradual e sempre em articulação com os jovens e os seus familiares. “Cada passo será dado com eles, ao ritmo deles e com os pais”, assegurou, destacando a importância de uma resposta centrada na pessoa. Paula Ferreira acrescentou: “As instituições não fazem caridade. Damos dignidade às pessoas com quem trabalhamos diariamente”, frisou.

A encerrar, Cláudia Costa resumiu o significado do novo edifício para a AIREV e para as dezenas de famílias que aguardam por esta resposta: “Às vezes olhamos para o edifício e vemos apenas paredes, mas ali dentro cabem sonhos, histórias, famílias e um futuro que durante muitos anos parecia distante e que agora está cada vez mais perto”.

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