Tiago Costa viveu época memorável ao serviço do FC Porto
Treinador de guarda-redes vizelense diz que continua a perseguir o sonho de viver deste trabalho
O vizelense Tiago Costa viveu em 2025/26, uma época memorável, na sua ainda curta carreira, como treinador de guarda-redes, ao serviço do Departamento de Formação do FC Porto, na Academia do Olival.
Com 36 anos de idade está ainda nos primeiros anos como treinador, depois de uma carreira como futebolista. Foi guarda-redes durante 20 anos, tendo começado na formação no FC Vizela e terminado no Desportivo das Aves.
Como Sénior, a carreira começou em Espanha, como contou à Rádio Vizela. “Acabei a minha formação e estive meia época em Espanha. Um empresário levou-me para lá, estive num clube da Regional, mas coisas não correram como eu queria. Até foi uma experiência boa, só que o nível das condições de habitação, não era o mais agradável. E daí eu querer voltar para Portugal”.
E de regresso a casa, continuou a jogar nos clubes da região: “Quando voltei a Portugal, ainda consegui fazer meia época no S. Paio, que nesse ano até foi campeão”. Jogou ainda no Vilarinho, Barrosas, Lixa, Celoricense e depois ingressou no Roriz, equipa de Santo Tirso, onde decidiu acabar a carreira.
Ainda assim queria continuar ligado ao futebol e ser treinador foi algo em que sempre apostou. “O meu objetivo, quando acabasse a carreira como jogador, era ter uma carreira como treinador de guarda-redes, porque é uma posição em que sempre joguei e adoro. Fui adiando ano após ano depois de passarem oito anos, tirei o curso”.
O seu primeiro clube como treinador de guarda-redes foi o CCR de Montesinhos: “A convite do treinador Tiago Dias e foi uma experiência incrível. Fui tirando o curso, acabei-o já perto do final da época disse-lhe que o meu objetivo era começar pela formação”.
Treinar a Formação e viver desse trabalho tornou-se para Tiago Costa um objetivo a cumprir. No entanto, a temporada 2025/26 começou com novo convite para o futebol distrital Sénior, neste caso para integrar a equipa técnica do Santo Adrião, na altura liderada por Miguel Ribeiro (Catano), ainda chegou a ser apresentado oficialmente pelo clube, mas estava-lhe destinada uma grande surpresa para essa temporada.
“Quando fui chamado ao Estádio do Dragão, nem queria acreditar”
Tiago Martins destaca que quando acabou o curso, todos os dias ligavam-lhe de clubes diferentes, a tentar abordá-lo para uma possível contratação. Por isso colocou o Santo Adrião de sobreaviso, para o caso de aparecer uma coisa muito boa e ter de sair, o clube concordou e entendeu a situação. Era seu objetivo, dar o salto para um grande clube, e a oportunidade acabou por surgir, através do FC Porto, fruto da sua boa prestação no curso de treinador. “Recebi uma chamada do coordenador-geral dos guarda-redes do FC Porto, que disse querer ter uma reunião comigo no Estádio do Dragão, que queria que eu fosse para lá. No início, não estava a acreditar que era verdade, porque não estava à espera que pudesse atingir, com essa rapidez, este patamar”.
A vinculação aos dragões foi rápida, “fui muito bem recebido, cinco minutos, foram o suficiente para dizer que sim. Só acreditei mesmo no primeiro dia, já no Olival”.
A adaptação não foi fácil, como confessa: “Custou muito adaptar-me, à logística do clube, porque é um clube grande, onde a exigência é máxima, mas depois fui-me habituando e as coisas foram correndo bem”, recorda.
Mesmo nos escalões de Formação, destaca que treinou miúdos “que têm mesmo paixão pela baliza, que futuramente serão, sem dúvida, número um no FC Porto”.
E durante esta época colecionou momentos que vai guardar para sempre. “Jogamos com equipas de topo mundial, Real Madrid, Juventus, PSG, ambientes incríveis, em torneios internacionais incríveis mesmo”.
Não irá continuar no FC Porto, por decisão sua, pois o contrato oferecido é renovado a cada ano, algo que considera “precário”. “Eles querem pessoas 100% ligadas ao clube e dão contratos só de um ano, embora que o salário seja muito bom, mas a situação pareceu-me precária, se fossem três anos, aceitava”.
Refere que vai continuar a trabalhar para a carreira profissional que gostaria de ter, como treinador da Formação: “O meu sonho sempre foi ser profissional de futebol, mas eu tenho um segundo trabalho numa empresa, a quem tenho de agradecer, pela facilidade de horários que me permitiu ir para o Porto todos os dias, às quatro horas da tarde e só chegava a casa às onze e meia da noite. Foi um ano muito difícil, preparar treinos, reuniões de staff, torneios fora do país, dias fora, foi muito complicado”.
Destaca que quando tirou o curso, colocou a si próprio um objetivo, de num espaço de cinco anos ser profissional, acredita que irá conseguir: “Tenho tido bastantes abordagens de clubes, há um clube da 1ª Liga, que está a trabalhar muito bem a formação e está em crescimento e já manifestou o interesse, vamos ver”.
Tiago Costa sabe que o último ano o vai ajudar no futuro: “Claro que ter o FC Porto no currículo é muito bom, tenho a certeza que me vai abrir portas para outros clubes muito bons também”, remata.








