
O trabalho de autor de Armando Pinto
Hélder Freitas
2026-05-28Findos os campeonatos de futebol distrital que acompanhamos na Rádio Vizela vou aproveitar para fazer uma espécie de rescaldo ao que de bom foi feito e ao que ficou aquém.
Começando pela 1ª Divisão, nenhuma das equipas conseguiu o seu objetivo. Mais evidente o caso do Montesinhos que procurava a todo o custo a subida de divisão, mas um início de campeonato muito abaixo do expetável, enviesaram esse objetivo. Para o ano há mais com a certeza de que o Montesinhos volta a ser grande candidato. O CCR Infias e o Tagilde fizeram campeonatos irregulares e também acabaram por ficar em lugares da tabela que inicialmente não seriam condizentes com os seus objetivos iniciais. No Infias ainda se conseguiu um record de pontos, mas nem isso apaga a ambição que existe no clube de procurar mais. O Tagilde teve uma época muito incaracterística com várias mudanças no comando técnico e normalmente isso paga-se caro.
Na divisão de Honra o Santo Adrião não se conseguiu munir das mesmas armas de São Paio e CCD por exemplo e lutou quase até às últimas consequências pela manutenção. Objetivo conseguido e o recado que fica para o planeamento da próxima época, é que esta divisão é muito difícil. O S. Paio fez um bom campeonato que ainda poderia ter sido melhor não fossem alguns deslizes inacreditáveis da equipa. Ficou a clara sensação de que a equipa poderia ter dado mais e levado a hipótese matemática de subir até ao seu final.
A surpresa boa acabou por ser o CCD de Armando Pinto. Inicialmente nem sequer era tido para estas contas, mas aos poucos, com resultados muito equilibrados, a fazer jogar miúdos dos juniores e outros que subiram a sénior esta temporada, a equipa e o seu treinador, mais do que qualquer um, começaram a acreditar. Em bom futebolês, o CCD não tinha a melhor equipa, não se reforçou de forma sonante como outras, não tinha este ou aquele que já tinham passado pelos melhores, mas tinha o segredo do sucesso. Um grupo! O mérito de Armando Pinto residirá aí. Na gestão fabulosa que fez do grupo. Na união que conseguiu implementar. Na forma arrojada como fez com que remassem todos para o mesmo lado e acreditassem. Para além dos predicados técnicos e táticos que a equipa terá, Armando Pinto incutiu-lhes algo que é muito raro: um espírito de verdadeira equipa. Justo e, acima de tudo, merecidíssimo prémio para um trabalho de autor que Armando Pinto fez enquanto treinador principal do Santa Eulália.





