Vizelense Pedro Oliveira integra orquestra NJO na Holanda
O violoncelista vizelense Pedro Oliveira, de 19 anos, estudante na Codart - University of the Arts, em Roterdão, foi selecionado para integrar a Nationaal Jeugdorkest (NJO), uma orquestra da juvenil da Holanda, que oferece aos jovens talentos de entre 18 a 26 anos, um palco de desenvolvimento profissional.
A orquestra reúne músicos das universidades da Holanda e da Bélgica ao mais alto nível e decorre entre 02 a 09 de agosto, contando com concertos nas salas mais emblemáticas da Holanda, como a Concertgebow, em Amsterdão.
O percurso musical de Pedro Oliveira teve início na Academia de Música de Vizela, onde estudou do 5.º ao 9.º ano, prosseguindo depois a formação na ARTAVE -Escola Profissional Artística do Vale do Ave, do 10.º ao 12.º ano, antes de decidir prosseguir os estudos fora do país. “Após estes oito anos de música em Portugal, decidi ingressar numa universidade cá fora, fiz provas para Roterdão, que é a cidade onde estou agora”, revelou.
Atualmente o violoncelo é o seu instrumento de eleição, mas nem sempre foi assim. “Quando entrei na Academia de Vizela, gostava de entrar para a guitarra ou piano, mas o violoncelo foi o instrumento que me selecionaram. Na altura fiquei um bocado triste, mas comecei a ganhar o gosto ao violoncelo a partir do sétimo ano, e a partir daí foi estudar até ser possível atingir o nível mais alto”.
De momento encontra-se no segundo ano de licenciatura, mas Pedro esclareceu que a escolha de ir estudar para a Holanda surgiu na procura de mais oportunidades no mundo da música. “A Holanda, em termos de música clássica, é um país muito mais desenvolvido comparado a Portugal, há muitas oportunidades e muitas orquestras. É outro nível de ensino, completamente diferente”, partilhou.
A entrada na Nationaal Jeugdorkest resultou de um exigente processo de seleção, através de provas que englobavam estudantes de licenciatura e de mestrado. Pedro admite que não esperava conseguir um lugar na orquestra. “Em setembro, no início do ano letivo, fomos eleitos para fazer provas, mas como é toda a licenciatura e mestrado, normalmente quem entra são os alunos de mestrado. Como eu estou no segundo ano, nunca tive essa esperança de poder entrar nessa orquestra”, revelou.
Quando concorreu ficou em lista de reserva devido ao elevado número de candidaturas, no entanto a sua apresentação causou uma boa impressão. “São realmente muitas as aplicações para este estágio, mas a minha apresentação foi tão boa que eles agora chamaram-me para fazer o estágio e até poderá haver a possibilidade de continuar o estágio para os próximos anos também”, afirmou.
O jovem violoncelista considera que o fator que o distinguiu dos outros candidatos foi a sua força de vontade. “É querer sempre mais. Ultimamente tenho feito alguns estágios, como vou fazer este verão também, mas senti que este seria o ano de dar um passo a mais, então tentei fazer esta prova. Apresentei muito estudo, cerca de dois meses de estudo intensivo só para esta prova. Sinto que foi um passo bastante importante para mim, para o meu desempenho e para a minha carreira”, destacou.
A participação nesta orquestra possui um grande significado para os estudantes que pretendem fazer da música a sua carreira profissional, representando uma ponte entre o ensino e a vida profissional. “Esta orquestra é como se fosse o início de um mundo novo. Quem vem aqui para a licenciatura está na transição entre o mundo educacional e o mundo profissional, e isto é o primeiro passo para muitas portas que poderão abrir-se, e para entrar no mundo profissional”.
“O mundo da música, não é muito fácil, é um mundo de muitas provas, muito cansaço, muito estudo, mas é a abertura de muitas coisas, tanto para currículo, tanto para experiência, é uma porta bastante boa para o meu futuro”, acrescentou.
Além desta conquista, Pedro Oliveira foi também selecionado para participar num estágio internacional de verão em Portugal, no Alto Minho, que contou com mais de 550 inscrições de jovens músicos de vários países. “Este estágio consiste em uma semana onde temos acesso à dormida, um estágio de manhã à noite, e como resultado teremos três concertos, um em Viana do Castelo, um em Alcobaça, e um na Casa da Música do Porto. Contará com muita gente em palco, não apenas com orquestra, mas também com coro”.
Para o violoncelista, este tipo de iniciativas é fundamental para quem pretende construir uma carreira na música. “Estes estágios são sempre bons para o currículo, principalmente para jovens da minha idade, e é sempre um passo incrível fazer parte destes estágios”.
Quanto ao futuro, Pedro Oliveira não tem dúvidas sobre o caminho que pretende seguir. “Agora estou cá na Holanda, sinto que não há volta a dar, ou é música ou não é nada. O meu futuro consiste em continuar a estudar muito, fazer provas, continuar a ingressar em orquestras. O meu objetivo será mesmo ingressar numa orquestra a título definitivo, e trabalhar”, concluiu.








