Vizelense integra projeto de conservação na África do Sul

Aos 20 anos, o vizelense Rafael Silva, residente em Santo Adrião, embarcou naquela que considera ser a concretização de um sonho de infância. O estudante do 3.º ano da licenciatura em Biologia, na Universidade de Aveiro, integra, pela primeira vez, um projeto internacional de conservação da natureza na África do Sul, uma experiência que começou no passado sábado, 04 de julho, e termina a 12 de agosto.

O jovem participa no Transfrontier Africa, um programa de voluntariado desenvolvido numa reserva privada próxima ao Parque Nacional Kruger, em colaboração com as Black Mambas, um grupo exclusivamente feminino reconhecido pelo trabalho desenvolvido no combate à caça furtiva, sobretudo na proteção de rinocerontes e elefantes. 

Ao longo de várias semanas, Rafael Silva vai colaborar em diferentes ações de conservação ambiental, desde a monitorização da fauna selvagem até ao apoio a projetos científicos desenvolvidos por estudantes de mestrado.

“Vou participar em várias medidas de conservação, como análises de ADN de alguns carnívoros, remoção de plantas invasoras, estudos populacionais de espécies e estratégias para minimizar os conflitos entre os elefantes e as comunidades locais, sempre recorrendo a métodos não invasivos”, explicou.

Entre essas estratégias está a utilização de feromonas de abelhas para afastar os elefantes de zonas habitadas, evitando danos nas áreas ruais sem provocar stress aos animais.

O estudante sublinha que todas estas ações têm um objetivo comum: avaliar a saúde do ecossistema e contribuir para a preservação da biodiversidade. “Também vou apoiar estudantes de mestrado que estão a desenvolver projetos na reserva e perceber, na prática, como funcionam estas estratégias de conservação”, acrescentou.

A oportunidade surgiu por iniciativa própria, depois de uma longa pesquisa por programas de voluntariados ligados à conservação da natureza: “Desde pequeno que sonhava conhecer o continente africano e ver os animais que via na televisão. Comecei a procurar oportunidades e percebi rapidamente que é preciso ter muito cuidado, porque nem todos os programas de voluntariado têm verdadeiros objetivos de conservação. (…) Aliás, até me arrisco a dizer que são mais os que não são verdadeiramente em prol da natureza… mas sim uma forma apenas de ganhar dinheiro”. “Encontrei este projeto através de uma plataforma que reúne iniciativas eticamente credíveis e, quando vi o trabalho desenvolvido e os testemunhos de quem já tinha participado, percebi que era exatamente aquilo que procurava”, contou.

Esta é também a primeira vez que Rafael  Silva viaja sozinho e para outro continente, uma experiência que começou a preparar há cerca de um ano e meio. “É uma experiência que deu muito trabalho a planear, mas que tem tudo para ser uma grande experiência na minha vida. (…) Estou muito ansioso”, afirmou.

Apesar do entusiasmo, admite algum receio perante o desconhecido. “Há algum nervosismo por ir sozinho para outro continente e por todos os desafios que isso implica, mas tenho pessoas da organização à minha espera e estou confiante de que tudo correrá bem”.

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