Tudo o que precisa saber sobre as Festas de Vizela
É já esta sexta-feira, dia 08 de agosto, que é dado o pontapé de saída nas Festas da Cidade, sendo que a passagem pelos nossos estúdios se tornou obrigatória, com a antevisão do evento que atrai milhares de pessoas a Vizela até 14 de agosto. João Vaz, Pedro Faria e Ana Cunha defendem o cartaz de 2025 como uma oportunidade para dar a conhecer ao público outros estilos musicais ao mesmo tempo que anunciam a homenagem a Constantino Matos de Sá no Cortejo Vizela dos Tempos Idos. O orçamento ronda os 250 mil euros.
Revelar o programa tão em cima da festa não pode penalizar a afluência das pessoas que, entretanto, se podem comprometer com outros eventos?
João Vaz - Tivemos alguns contratempos com a parte gráfica e daí esse atraso. Se isso poderá afetar a afluência? Julgo que tal não se aplicará. É verdade que também realizamos as festas com o intuito de atrair pessoas de fora, mas estas são, sobretudo, projetadas para as pessoas de Vizela, são essas que nos dão apoio nos peditórios, e elas sabem que as Festas se realizam de 08 a 14 de agosto.
Após terem tornado público o cartaz de 2025, qual é o feedback que têm recebido?
João Vaz - Se contarmos com o que vamos lendo nas redes sociais, há muitos comentários negativos de pessoas que não gostam do cartaz… Mas também temos algumas pessoas que escreveram comentários a dizer que talvez este seja um dos melhores cartazes que temos tido ao longo dos anos. Acho que há aqui um equilíbrio entre o “gosto” e o “não gosto”, o que é normal em tudo aquilo que nos acontece na vida. Há quem goste e há quem não goste. A nossa intenção é sempre fazer melhor. Trabalhamos sempre no limite das nossas capacidades para fazer as coisas bem. Estamos com um cartaz mais alternativo e isso tem uma explicação. A partir do momento em que o atual Executivo lidera a Câmara Municipal, a cidade de Vizela tem tido uma vida cultural e de entretenimento muito grande, o que tem feito com que tenham passado por cá muitos nomes como Carolina Deslandes, Bárbara Tinoco, Diogo Piçarra, Calema e sabemos que, em breve, também passarão Fernando Daniel, Ivandro… Por isso, julgo que seria pouco inteligente da nossa parte, não olhar para o panorama musical português e perceber que há mais oferta e com outros custos. Porque para artistas como os que falava antes, esta mos a falar de valores acima dos 30 mil euros e sem contar com todo o rider técnico que depois temos de cumprir. Portanto, com a verba que o Município disponibiliza e o que nós conseguimos angariar nos peditórios e com o aluguer dos terrenos, nós só faríamos três dias de festa, o que não seria apelativo para os responsáveis dos divertimentos se instalarem em Vizela. Por isso, dentro do orçamento, temos de fazer escolhas. Este ano, por exemplo, temos mais um espetáculo no Espaço Multiusos e isso representa um acréscimo nos custos e nós temos de fazer sempre um balanço entre o dinheiro que temos e o que vamos gastar porque, até à data de hoje, ninguém nos bateu à porta a dizer que devemos.
Se, por um lado, as redes sociais vieram potenciar pelas positiva os canais de comunicação, por outro lado, também é preciso saber gerir, do ponto de vista emocional, todo o seu conteúdo. A Comissão de Festas tem conseguido fazê-lo?
Pedro Faria - Sim, com facilidade. Já estamos habituados, trabalhamos na Comissão de Festas há 15 anos e todos os anos há quem goste e há quem não goste do cartaz e todas as opiniões são bem-vindas, desde que sejam construtivas. Obviamente que é mais difícil lidar com o ataque fácil ou simplesmente com o criticar por criticar e isso agora é comum em todas as áreas, porque é mais fácil fazê-lo atrás de um teclado. Mas o que temos feito, ao longo do ano, é ouvir as pessoas e ir potenciando um cartaz diversificado que chegue a toda a gente. Por isso, temos de gerir com calma tudo que vamos lendo nas redes sociais porque sabemos que mesmo aqueles que criticam vão participar nas Festas da Cidade, assistindo aos concertos e desfrutando dos divertimentos e das farturas.
Quanto é que vai custar a edição de 2025 das Festas da Cidade de Vizela?
João Vaz - Neste momento, as festas andarão perto dos 250 mil euros. Não é muito dinheiro, se tivermos em conta que, deste valor, aproximadamente 60 mil euros são empregues no Cortejo. Além dos artistas, temos de pagar segurança privada, GNR, iluminação, fogo de artifício, animação de rua mas também temos despesas que não se veem de que são exemplo o que pagamos à Sociedade Portuguesa de Autores, à Pass Music… O nosso maior espetáculo é, sem dúvida, o Cortejo, porque é onde aplicamos um maior investimento e fazemo-lo porque é aquilo que é genuinamente nosso. Se o retirarmos do cartaz e aplicar estes 60 mil em concertos, as pessoas continuarão a comparar o cartaz com algumas festas aqui à volta, algumas com orçamentos que ultrapassam 1 milhão de euros. Mas estamos a falar de realidades financeiras completamente diferentes. Nós temos feito muito e sido muito criativos com o pouco dinheiro de que dispomos. Além disso, não temos de estar sempre a fazer o mesmo.
Não fazer o mesmo implica riscos. Estão dispostos a corrê-los?
João Vaz - Obviamente. O primeiro artista que trouxemos um bocadinho mais fora do que tínhamos trazido ao longo dos anos foi o Dino d' Santiago e depois quem viu o concerto ficou com aquela sensação de que o concerto deveria ter durado mais tempo. Outra coisa de que queria falar é da Batalha das Flores, uma tradição das Festas da Cidade, sendo que a Ana [Cunha] tem vindo a defender o seu regresso há alguns anos e era algo que nós gostávamos de realizar, mas não temos orçamento ou até teríamos, se fizéssemos apenas o Cortejo, a Batalha das Flores e um concerto.
A Câmara Municipal comparticipa as Festas da Cidade no valor de 100 mil euros. Conseguirão garantir os restantes 150 mil entre peditórios e aluguer dos espaços?
João Vaz – Sim, mais as receitas de bar. As contas estão feitas com um saldo um bocadinho positivo, que é para termos a certeza que acabamos as Festas e damos conta dos compromissos.
No ano passado conseguiram fechar as contas com um saldo positivo?
João Vaz – Mais ou menos, mantemos uma conta corrente com a cervejeira, que mediante o resultado do ano anterior vamos ajustando nos anos seguintes. O objetivo todos os anos é que fique positivo, porque não queremos ser obrigados a ficar mais um ano só para que o saldo fique positivo, mas sim porque nos sentimos bem a organizá-las. Isto, porque um dia que deixe a Comissão de Festas as contas serão entregues a zero.
A Câmara Municipal de Vizela atribui uma verba de 100 mil euros para a sua realização. É um apoio com o qual a Comissão de Festas se sente confortável ou têm havido pedidos para que ele possa aumentar?
João Vaz – Acho que sempre que estou com o sr. Presidente da Câmara e que o abordo sobre o tema das festas, lhe peço mais dinheiro para poder fazer mais coisas porque, por exemplo, gostávamos de ter mais animação de rua. Mas o que é que surgiu este ano? Não tivemos um aumento direto no valor da verba, mas tivemos mais 90 mil euros por via da sede que foi adquirida e aproveito a oportunidade para agradecer, na pessoa do sr. Presidente, à Câmara Municipal por esta aquisição, sendo que, para nós, este espaço é fundamental, ainda por cima, estando localizado mesmo no coração da festa, mais propriamente na Av. Abade Tagilde, e que nos permite ter uma dinâmica completamente diferente.
Em que medida é que esta sede é importante para a Comissão poder preservar o espólio do Cortejo Vizela dos Tempos Idos?
Ana Cunha - É muito importante, até porque conseguimos organizar, catalogar tudo o que temos e proceder às reparações necessárias. Uma sede no centro é espetacular. Foi uma excelente aquisição, não só para a Comissão de Festas. É uma mais-valia, é um património de valor acrescentado para o concelho e que vai facilitar-nos muito na organização não só do Cortejo mas de toda a festa. O cortejo não tem hoje muito espólio, porque até agora não tínhamos espaço.
João Vaz – Teríamos por esta altura um espólio tremendo se tivéssemos tido este espaço mais cedo.
Vamos agora focar-nos na programação das Festas da Cidade. Na sexta-feira, 08 de agosto, teremos o regresso da Silent Party…
Pedro Faria – Foi uma festa que inserimos em Vizela, uma das animações que nos acompanha há alguns anos e que acaba por ser uma das mais aguardadas… Já não é uma festa para pessoas dos 8 aos 80 anos, mas até para mais novos, ainda me lembro o ano passado de ver lá um senhor com um bebé todo divertido às cavalitas. Por isso, voltaremos a encher a Rua da Rainha, também um local emblemático, com início previsto para as 22h00 do dia 08.
Já no sábado, 09 de agosto, há o concerto dos Napa (23h00), que será seguido das atuações de Baijon (00h30) e Lowie (02h00) …
João Vaz – Teremos um concerto com uma banda emergente, com uma música do Festival da Canção, a mais conhecida, mas com um álbum já testado, tem tido vários espetáculos e estamos a falar de uma sonoridade diferente daquilo que temos trazido ao longo dos anos. Talvez estejamos a abrir um pouco a mentalidade a um conjunto de pessoas que não estão habituadas a ouvir este tipo de música, que não passa tanto nas Festas Populares, mas acho que as Festas da Cidade já passaram um bocadinho do só “popularucho”… Sentimos um bocadinho de responsabilidade em trazer projetos novos, diferenciados do que se tem ouvido em Vizela, e fazemo-lo não só no Palco do Multiusos mas também no outro palco que teremos na Praça da República. Teremos um cartaz muito heterogéneo, com rock, música popular portuguesa, espetáculo da Sociedade Filarmónica e também um projeto diferenciador com o “Deixem o Pimba em Paz”, estando em causa a interpretação de músicas populares com uma roupagem completamente diferente através, entre outros, do Bruno Nogueira e da Manuela Azevedo.
No domingo, 10 de agosto, o Espaço Multiusos promete aquecer com a energia dos Hybrid Theory, num tributo aos Linkin Park e num concerto que se encontra marcado para as 22h00…
João Vaz – Os Hybrid Theory são considerados por, um dos elementos dos Linkin Park, como o melhor tributo a nível mundial… Isso há-de querer dizer alguma coisa. Se olháramos para a agenda da banda, percebemos que vão fazer em Portugal mais ou dois concertos e depois vão para a Austrália fazer digressão na Austrália.
Ainda antes vão passar pelo CA Vilar de Mouros, isto depois de terem passado recentemente pelo MEO Marés Vivas…
João Vaz - E segundo o que falei com o Miguel, o guitarrista dos Hybrid Theory, a organização transmitiu que foi a primeira vez que, pelas 18h00, conseguiram ter o recinto cheio. Isto há-de dizer alguma coisa sobre esta banda. Uma sonoridade diferente, mais rockeira, mais pesada, vamos ter as baterias e as guitarras bem presentes… Eles têm muitos seguidores que os acompanham. Estou certo de que no domingo à noite teremos uma enchente no Multiusos.
Na segunda-feira, 11 de agosto, teremos o regresso do humor a Vizela, com o projeto “Deixem o Pimba em Paz” e a participação de Bruno Nogueira…
João Vaz - Sim, teremos o Bruno Nogueira, se bem que ele não vem num projeto de Stand Up ele vem cantar com a Manuel Azevedo, dos Clã. Mas esperamos que ele depois tenha aqueles “rasgos” com as suas piadas. Será a interpretação de canções conhecidas da música popular portuguesa. Vamos perceber que muitas das vezes a letra destas canções, com outra roupagem, ganha um sentido completamente diferente.
Em causa está um espetáculo que tem percorrido todo o país…
João Vaz – Exatamente, aliás, há cerca de quatro ou cinco anos, que andamos para trazer este projeto, mas ainda não tinha sido possível, porque eles não estavam a fazer espetáculos ao ar livre, mas este ano, eles decidiram fazê-lo e, desta vez, foram eles que nos contactaram. Reunimos toda a gente, falámos sobre isso, era já uma ideia, fazia sentido e assim aconteceu. Estiveram nos Coliseus, com espetáculos tanto no Porto como em Lisboa, e sempre esgotados. O que também quererá dizer alguma coisa sobre este projeto “Deixem-me o Pimba em Paz”.
Teremos depois na terça-feira, 12 de agosto, o regresso dos 4Mens às Festas da Cidade, com um espetáculo marcado para as 22h00, no Espaço Multiusos… Falamos de música com uma pitada de humor à mistura…
João Vaz - Estávamos numa relação de dívida mútua. Tínhamos fechado o concerto com os 4Mens no ano do Covid, mas as Festas da Cidade não se realizaram. Daí até agora, íamos falando, houve vezes em que não foi possível conciliar datas e outros anos em que surgiram outras opções. Para este ano, falamos muito cedo com os 4Mens, aliás foram os primeiros com quem falámos, e fechámos logo. É malta cá de casa, que toda a gente conhece e o seu regresso às Festas da Cidade faz todo o sentido, porque os 4Mens de hoje não são aqueles que estiveram cá há muitos anos. É só ver a agenda deles, eles têm os meses de julho e agosto cheios.
Por sua vez, a Orquestra Ligeira da Sociedade Filarmónica Vizelense atuará na noite de quarta-feira, 13 de agosto, no Espaço Multiusos…
João Vaz - Embora tivéssemos trabalhado nos últimos anos com a Sociedade Filarmónica Vizelense, já há muito tempo que a Orquestra Ligeira não atua nas Festas da Cidade. Agradecemos todo o esforço por toda a preparação do espetáculo. Teremos músicas que talvez toda a gente conheça mas com uma interpretação completamente diferente.
Por último, e como não podia faltar na noite de quinta-feira, 14 de agosto, sairá à rua o Cortejo Vizela dos Tempos. Como é que estão a decorrer os preparativos?
Ana Cunha – Ainda antes da abertura de inscrições, já tínhamos pedidos para participação. Isto para dizer que está a correr bem. Esperamos que, tal como no ano passado, consigamos atingir os 300 figurantes e falo só das pessoas que se inscrevem, sem falar sobre os números contratados pela Comissão de Festas.
Sabemos que não se pode contar tudo mas haverá dois ou três pontos importantes que poderemos desvendar sobre o Cortejo Vizela dos Tempos Idos?
Ana Cunha - O tema será “Vizela dos Tempos Idos” (risos)… Essa é a nossa matriz, foi sempre aquilo que nós defendemos e embora já tenhamos discutido outras ideias, o que para nós faz sentido é trabalhar os Tempos Idos. Tentamos sempre diversificar um bocadinho mas chega uma altura em que é difícil. A nossa história tem muitos factos mas não é assim tão abrangente. Muitas vezes pegamos em micro-histórias para trabalhar. O que posso adiantar é que vamos trabalhar os anos 1900, focando-nos um bocadinho na parte medieval. O nosso homenageado deste ano é alguém que já queríamos distinguir há muitos anos mas que, por várias circunstâncias, só acontecerá este ano. Apesar de não ter nascido cá, para a Comissão de Festas, o sr. padre Constantino Matos de Sá é um grande vizelense, por tudo aquilo que nos deu, quer em termos sociais quer em termos espirituais, e deixa-nos um grande legado, não só material, mas também de muita entrega ao concelho de Vizela.
Integra tantas associações que não será fácil retratar toda a sua vida num único carro alegórico?
Ana Cunha – É quase preciso um triplo (risos)… para homenagear o sr. Padre Constantino por tudo aquilo que fez por nós.
É sempre no final da festa que decidem a continuidade da Comissão?
João Vaz – O que tenho dito sempre é que continuaremos enquanto nos sentirmos bem a fazer isto, nos sentirmos motivados. No dia em que eu entrar na sede e pensar - “já não me apetece” - estará na hora de entregar. Também não queremos sair sem deixar equipa para continuar.





