Sirene voltou a soar nas comemorações do 05 de Agosto

Passaram 44 anos da data marcante da luta vizelense pela emancipação administrativa

Cumpriram-se esta quarta-feira, 44 anos sobre 05 agosto de 1982, a data marcante da luta vizelense pela emancipação administrativa. Um dia de celebração que teve a homenagem aos vizelenses já falecidos, que lutaram pela conquista do concelho, com a romagem aos cemitérios da cidade e também um jantar festivo.

No fecho das comemorações, o tradicional espetáculo de fogo de artifício, que assinalou os 44 anos da “revolução popular” pela independência administrativa de Vizela. Também se ouviu o som da sirene, que chamava os vizelenses para as jornadas de luta, nos anos que antecederam a criação do concelho de Vizela.

José Maria Ferreira e outros elementos da antiga “Pesada”, acompanharam com emoção o momento, recordando que toque da sirene “era a arma mobilizadora para o povo aparecer”. “Era a única maneira de conseguirmos ter o povo a dar-nos cobertura às nossas iniciativas. Esta sirene pertencia aos Bombeiros Voluntários de Vizela. Era esta a sirene que chamava o povo de Vizela. Em 10 minutos, um quarto hora, através do toque da sirene apareciam 3 mil ou 4 mil pessoas na rua. Vinham todas armadas, se não fosse de pau, era de roçadora, enfim, enfim, coma armas que tínhamos à mão, como diz a canção”, recorda.

José Maria Ferreira sublinha que olhando para a Vizela de hoje, valeu a pena lutar: “Valeu a pena, porque hoje Vizela é o que é, graças à nossa luta, à persistência daqueles que lutaram durante muitos anos para conseguirmos aquilo que temos hoje. Pena é que alguns desses lutadores já tenham partido, mas a vida é assim mesmo, eu ainda estou cá, sou o mais velhinho de todos, ainda tenho mais quatro amigos que ainda estão vivos. Infelizmente, aqueles que a gente gostava de ter aqui, que lutaram por isso, já cá não estão, é com eles que estamos hoje também”, sublinhou.

Victor Hugo Salgado acompanhou este fecho das comemorações e também destacou a luta do povo: “O povo conseguiu efetivamente aquilo que pretendia e que queria, que era ter um concelho independente onde na realidade mandasse nos seus destinos e conseguisse obter todos os seus recursos e disponibilizá-los para aquilo que achava relevante e importante”.

Sublinhou ainda a sirene como arma identitária do concelho: “Foi uma arma mais do que poderosa, foi uma arma inteligente que criou todas as condições para as pessoas perceberem o quanto efetivamente isto poderia ser mobilizador e daí que necessariamente não é só característico, não é só mobilizador, mas é sobretudo identitária.

 

 

 

 

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