Secretário de Estado da Economia esteve de visita à Vapesol
A Vapesol, empresa que tem como CEO o vizelense Décio Pereira, recebeu esta sexta-feira, dia 14 de julho, o Secretário de Estado da Economia. A visita de Pedro Cilínio acontece numa altura em que o setor do calçado se debate com um abrandamento nas encomendas, depois de um ano de 2022 que bateu recordes ao nível dos resultados na exportação.
O Secretário de Estado da Economia decidiu sair do gabinete e manter-se em contacto direto com os vários setores de atividade que fazem mexer a balança comercial do país. Hoje afirmou ter chegado à Vapesol, numa corrida que irá perto dos "10 mil quilómetros" e que tem, fundamentalmente, dois objetivos. O primeiro é de balanço. Pedro Cilínio quer conhecer de perto os resultados dos projetos implementados no âmbito do Portugal 2020. Já o segundo prende-se com a sinalização das necessidades de cada setor tendo em vista a aplicação futura de programas relacionados com o Programa de Recuperação e Resiliência (PRR) e o Portugal 2030.
A Vapesol, empresa especializada em produção de solas para calçado, enquadra-se no conjunto de empresas que tem visto os fundos comunitários como uma oportunidade para se diferenciar no mercado. Da sua passagem por esta indústria, que detém atualmente cerca de 150 colaboradores, o Secretário de Estado da Economia reteve, sobretudo, o significado do "posicionamento dos produtos em clientes e segmentos de mercado de valor mais acrescentado" num trabalho suportado "na inovação e na aposta em novos materiais, mais leves, mais duráveis e com novos acabamentos". A Vapesol produz "solas para algumas das maiores marcas internacionais, que pagam as solas sob um valor “premium” como um factor de diferenciação do calçado e este é um aspeto muito interessante nesta empresa", acrescentou o responsável do Governo.
No entanto, a sua passagem pela empresa coincide com um momento, que é de alguma apreensão para o setor que, depois de ter vivido em 2022 um dos melhores anos de sempre, com exportações a atingirem os 2 mil milhões de euros, o segundo semestre deste ano apresenta, para já alguma imprevisibilidade, dada a redução de encomendas, principalmente, nos meses de maio e junho.
Assim o afirmou aos jornalistas Décio Pereira, o CEO da Vapesol: “Há uma incerteza enorme em relação ao que acontecerá até ao final do ano. Um momento muito preocupante, inquietante e nunca presenciado mesmo no primeiro ano de Covid”. E logo acrescentou: “Em 25 anos, 2023 foi o ano em que desenvolvemos mais projetos, mas o que é certo é que nós vivemos de encomendas e isso não está a acontecer na Vapesol e, por aquilo que vou tomando conhecimento, também não é o que se está a verificar no setor em geral. Se esta situação vier a comprovar-se como sendo uma realidade, os empresários terão de ter alguma coragem para tomar medidas".
O Secretário de Estado da Economia está mais otimista. O governante fala no período atual, como sendo de transição, mantendo as melhores expetativas para uma indústria que considera cada vez mais dinâmica, inovadora e capaz de refletir valor acrescentado nos seus produtos: "O que percebemos é que o calçado tem-se mantido estável em volume mas tem crescido em valor". Mas os empresários do setor do calçado têm, nesta altura, motivos para estarem preocupados? "Vou dizer que não", respondeu o Secretário de Estado. "Quando visitei o setor na MICAM, ainda com os efeitos do crescimento, o sentimento generalizado é que o ano passado tinha sido tão bom, que a expetativa para este ano seria a manutenção do volume de negócios, até para consolidação dos processos produtivos, o que a acontecer não seria entendido como muito prejudicial", explicou.
Sobre o momento atual, acima referido pelo CEO da Vapesol e já vivido por outras empresas do setor, algumas já com recurso ao layoff, Pedro Cilínio falou "em compasso de espera", porque a expetativa é que a indústria do calçado continue a crescer nos próximos anos. O Secretário de Estado recua no tempo para lembrar que a "Covid criou uma disrupção nas cadeias de abastecimento e de retalho e que a reabertura criou efeitos na procura, nomeadamente o “efeito chicote”, que resulta na sensação de uma grande procura e que tem depois como consequência os stocks em loja". O que se segue? Pedro Licínio formulou a pergunta mas também deu a resposta: "O movimento a seguir é de alguma retração para que estes produtos sejam escoados". "A ideia generalizada, não quer dizer que não existam situações pontuais, é que se trata de um processo de reajustamento do mercado em função das flutuações de procura. Falo de um período transitório e, por isso, é uma mensagem de esperança a que queria deixar, até porque hoje foram divulgados os números do crescimento do segundo trimestre. Portugal está a crescer acima da média e no pelotão da frente. Acreditamos que este movimento vai continuar a verificar-se, porque existe investimento e inovação e o que esperamos é que as apostas realizadas no âmbito do PRR e do Portugal 2030 permitam que esta dinâmica das empresas continue".
Pedro Cilínio contou na Vapesol com a presença de uma vasta comitiva. Não faltaram Victor Hugo Salgado e Nuno Fonseca, presidentes da Câmara Municipal de Vizela e Felgueiras, respetivamente, bem como de Luís Onofre, presidente da APICCAPS, e de Nuno Mangas, presidente do Compete 2020, bem como de outros responsáveis ligados ao setor, nomeadamente ao Centro Tecnológico do Calçado de Portugal.







