Rotary promove debate: prevenção e combate aos incêndios
O Rotary Clube de Vizela realizou, esta quarta-feira, 22 de abril, uma palestra dedicada ao tema “Floresta Portuguesa – da Prevenção ao Combate”, no auditório dos Bombeiros Voluntários de Vizela. A iniciativa procurou sensibilizar para a importância da proteção florestal, num contexto marcado pelos desafios crescentes das alterações climáticas.
A sessão contou com intervenções de Sónia Marques, engenheira florestal, e de Paulo Félix, comandante dos Bombeiros Voluntários de Vizela, abordando duas vertentes essenciais: a prevenção e o combate aos incêndios.
A sessão assinalou também o Dia do Planeta, como destacou Rui Dias, presidente do Rotary Club de Vizela. “Hoje celebramos o nosso planeta, a nossa casa comum. Temos de aproveitar estes momentos porque não temos um planeta B”, afirmou, reforçando o compromisso do movimento rotário com as questões ambientais.
O presidente lembrou que a preocupação com o ambiente é contínua, uma vez que, “no Rotary, o ambiente está sempre presente durante todo o ano”. “Estas iniciativas não se podem cingir a um mês”, disse, acrescentando que o Rotary Internacional investiu, nos últimos cinco anos, cerca de 18 milhões de euros em projetos ambientais e sociais.
Rui Dias alertou ainda para os impactos das alterações climáticas, recordando os fenómenos extremos registados recentemente. “As tempestades são cada vez mais o reflexo da forma como cuidamos do ambiente. Temos de tentar abrandar este ciclo destrutivo”, afirmou, defendendo que a sensibilização deve começar nas gerações mais jovens. “A prevenção deve ser o principal passo, deixando menos trabalho para quem está no terreno”.
Em declarações à Rádio Vizela, Sónia Marques sublinhou a necessidade de atuar antes da ocorrência de fogos. “O objetivo é falar sobre prevenção florestal. Quando estamos a falar de prevenção florestal, estamos a falar praticamente da limpeza das florestas, da redução do combustível para reduzir as emissões. Por isso, antes do fogo, a gente tem de pensar na parte da prevenção”, afirmou, alertando para o facto de o foco recair, muitas vezes, apenas no combate. “Só pensamos nos incêndios florestais, mas não, temos de falar na parte da prevenção”.
A engenheira destacou ainda a complementaridade entre as duas abordagens. “Consideramos aqui as duas vertentes importantíssimas da floresta”, referiu, acrescentando que “a prevenção está nas duas alturas, está antes e durante o combate, porque durante o combate também se faz prevenção”.
Já Paulo Félix centrou a sua intervenção na organização e gestão operacional dos incêndios rurais, explicando que, todos os anos, são definidos planos específicos. “Todos os anos existe uma Diretiva Operacional, que orienta os operacionais e define o dispositivo de incêndios rurais”, explicou, sublinhando que estes instrumentos são fundamentais para a atuação no terreno.
O comandante chamou ainda a atenção para a complexidade da coordenação entre entidades envolvidas. “Temos muitas entidades diferentes e isso obriga a uma gestão de coordenação e não apenas de comando. São coisas distintas e ambas exigentes, sobretudo em situações complexas”, afirmou. Apesar disso, reconheceu que, no terreno, “na manobra onde executamos o ataque direto ou indireto combinado, as coisas até funcionam bem”, embora existam desafios ao nível das decisões estratégicas.







