Patrícia Pinto brilha e inspira como modelo plus size
tem apenas 26 anos, é vizelense e hoje está em Miami, onde é modelo plus size de multimarcas de luxo.
é uma fonte de inspiração para todas as meninas e mulheres que se sentem inseguras com o espelho ou que sofrem discriminação por vestirem acima do tamanho XL. Patricia Pinto tem apenas 26 anos, é vizelense e hoje está em Miami, onde é modelo plus size de multimarcas de luxo.
A aventura de Patrícia Pinto inicia em 2017 quando, através da Associação Juvenil VizelaImaginactiva, teve a oportunidade de fazer um intercâmbio jovem no âmbito do projeto “Erasmus+”. Partiu para Bremen, na Alemanha e descobriu o mundo. “Foi uma semana muito intensa, de muita ação, multiculturalidade, um alto nível de autoconhecimento”, confessou ao RVJornal.
A partir do momento em que percebeu que havia tanto lá fora para explorar deu-lhe o “clique” e a partir daí não teve dúvidas de que o seu futuro passaria pelo estrangeiro.
Seguiu-se Macau, onde esteve a estudar e onde estagiou na Rádio Televisão de Macau. “Uma das melhores experiências da minha vida”. Partiu depois para o Dubai para a sua primeira experiência profissional numa empresa na área do turismo, mais concretamente na área comercial.
Regressa a Portugal durante a pandemia e por Vizela passou uns tempos, mas a vontade de voar e de ir mais além falava mais alto.
No sítio certo, na hora certa
Foi o acaso que fez com que Patrícia Pinto entrasse no mundo da moda. “Estava no sítio certo na hora certa”, refere e explica: “Uma amiga minha pediu-me para a substituir como maquilhadora num casting numa agência de modelos, entretanto os organizadores gostaram da minha aparência, da minha atitude e chamaram-me para fazer uma sessão fotográfica. Pouco tempo depois, a Face Models – agência portuguesa de Fátima Lopes – convidou-me para ficar agenciada e foi quando comecei a construir o meu portefólio”. Através de conhecimentos que mantinha em Nova Iorque, mudou-se de malas e bagagens e começou a fazer trabalhos como modelo plus size. “Está a correr muito bem, há alguns meses mudei-me para Miami e estou a trabalhar com uma multimarca de roupa de luxo, exclusiva para plus size. Estou a fotografar para marcas internacionais e está a ser fantástico”, confessa ao RVJornal.
Patrícia não sonhava com esta carreira, apesar de sempre ter demonstrado gosto pela fotografia, o facto de não vestir um “S” ou um “M” nem sequer a fazia pensar que um dia seria possível chegar até aqui. Mas agora que chegou, tem uma missão: “O meu objetivo é, no fundo, conseguir inspirar – e recebo muitas mensagens de meninas que me agradecem – outras pessoas, que se identificam comigo por ser modelo plus size. As meninas identificam-se ou por serem mais gordinhas, por saírem do modelo “standard” e adoram a minha confiança. Isso enche-me o coração, fazer com que outras mulheres se sintam bem consigo próprias, olharem ao espelho e aceitarem-se como são”.
“Mais do que uma profissão, é uma missão”
é assim que Patricia Pinto encara o que faz. “Apesar de isto ser algo que eu não consigo fazer sozinha, acho que o que se tem construído no mundo da moda ao longo dos últimos anos, está a fazer com que as pessoas nos consigam ver, a nós, mulheres que vestem XL ou mais, pessoas sexys, bonitas e confiantes, que conseguem ser capas de revista. Isto é a minha missão e sinto-me muito grata por esta oportunidade me ter aparecido. Tenho noção que sou exemplo para todas as miúdas que se centram muito no desafio de ter um corpo de sonho”.
é claro que nem sempre a relação de Patrícia com o peso foi das melhores, ao longa da sua vida havia momentos de tudo. “Sempre fui uma criança cheiinha, a amiga mais gordinha do grupo e passei a minha adolescência toda a olhar-me ao espelho e a pensar “ai não gosto da minha barriga”, ou “não gosto da minha celulite”. E isso foi, durante muito tempo, um impedimento grande para eu poder tirar proveito de muitas situações da minha vida”, confessa. No verão, piorava. “As roupas exigiam que mostrássemos mais o corpo, havia situações em que me sentia desconfortável. Já adulta tentei trabalhar muito a minha autoconfiança e usar a minha energia nas coisas que eu gosto em mim, ao invés daquilo que não gosto. Quando olhamos ao espelho é mais fácil pensar que podíamos ter a cintura mais estreita, os braços mais magros, menos celulite, e acreditar na própria mentira da nossa cabeça de que só dessa forma podemos ser bonitas e/ou aceites”, frisa a vizelense.
Então, o foco é: “Eu aceito-me como sou, tenho consciência de que não sou perfeita, ninguém o é, e eu tento amar-me ao máximo como sou”.
Discriminação? “Há sempre, ainda há bastante competição entre as modelos “standard” e as modelos plus size. Mas as marcas começam, felizmente, a trabalhar com modelos plus size, ao nível da representatividade e da inclusão”.
Em Vizela, Patrícia Pinto diz ter um “núcleo bem pequeno”, mas fundamental na força que lhe transmite diariamente. “A minha família e alguns dos meus amigos apoiam-me muito na linha da frente, a minha mãe e o meu pai foram essenciais neste processo, nunca me impediram de ir atrás dos meus sonhos”.
Em mente, apenas um objetivo: “Fazer com que a minha história sirva de inspiração para outras mulheres plus size. Não é o tamanho de roupa que nos faz mais ou menos do que os outros, e que esta lute continue para que sejamos iguais, nos possamos sentir bem sem comparações a quem veste “S” ou “M”.






