Nuno Magalhães: "Vamos continuar atentos às mesmas causas"

Nuno Magalhães vai continuar a liderar o Lions Clube de Vizela durante o ano leonístico 2026/2027, depois de ter aceitado o convite para permanecer na presidência da instituição. A continuidade representa uma exceção à regra habitual do clube, onde os mandatos têm, por norma, a duração de apenas um ano.

O vizelense, que está ligado ao Lions Clube de Vizela há três anos, esteve no passado sábado, 18 de julho, no programa Especial Informação, da Rádio Vizela, onde fez o balanço do primeiro mandato, falou sobre o trabalho desenvolvido pelo clube e revelou os principais desafios para o novo ano leonístico.

 

O Lions Clube de Vizela celebrou recentemente oito anos. Que balanço faz deste percurso?

São oito anos em que estamos cada vez mais inseridos na comunidade vizelense e não só. Temos dado a conhecer aquilo que fazemos e as áreas em que atuamos, distinguindo-nos também de outras associações que, felizmente, servem Vizela. São oito anos de um balanço extremamente positivo, em que o Lions tem estado presente na comunidade e tem respondido aos apelos que vão surgindo, dentro daquilo que é o âmbito e a missão do Lions Clube.

Quando assumiu a presidência, falou num enorme sentido de missão. Como resume este primeiro ano à frente do clube?

Tenho três anos de Lions Clube de Vizela, por isso sou ainda um membro bastante novo no clube e no movimento leonístico. Aceitei a presidência com grande sentido de responsabilidade e de servir. Foi-me lançado o repto para dar continuidade ao trabalho e isso acarreta um peso e um sentido de responsabilidade acrescidos, porque temos no nosso clube pessoas muito válidas e capazes, com ume enorme experiência profissional e associativa. Tenho, na direção e no clube, uma equipa e companheiros sempre disponíveis. Somos cerca de 50 companheiros, que participam de forma muito ativa, e isso torna também mais fácil o meu papel de servir o clube.

O que aprendeu ao longo deste ano?

Tenho aprendido bastante. Tive contacto com realidades que não fazem parte do meu dia a dia, com situações de fragilidade da sociedade que, por vezes, vemos nos meios de comunicação, mas que, fruto da azáfama do quotidiano, não pararmos para pensar. Através do contacto direto com pessoas que nos procuram, dos rastreios de visão ou dos encaminhamentos feitos pela Segurança Social, Santa Casa, Câmara Municipal ou Centro de Saúde, vamos conhecendo pessoas que precisam de próteses dentárias, óculos ou vacinas que não são comparticipadas pelo Serviço Nacional de Saúde. Esse contacto trouxe-me uma forma diferente de olhar para a realidade e para a própria vida.

Falou num forte espírito de equipa. Como está organizada essa estrutura?

Dentro da direção temos várias assessorias, desde a Saúde, com o doutor João Cocharra, ao Cancro Infantil, com o Miguel Dias, à Visão, com o Ivo Loureiro, e temos também o secretário do clube, o António. São pessoas com diferentes valências que nos ajudam nas respetivas áreas do Lions Nacional e que têm um histórico no movimento leonístico muito mais consolidado do que o meu.

É difícil captar novos membros para o Lions?

Creio que não. O Lions Clube de Vizela tem a particularidade de ter companheiros relativamente jovens. Ao contrário de outros clubes, temos tido a entrada de pessoas com 30 e 40 anos, muito ativas e com muita vontade de servir, e isso é uma mais-valia. No último ano leonístico tivemos a entrada de quatro novos sócios e já temos em cima da mesa uma proposta para a entrada de novos companheiros. O clube tem-se dado a conhecer, através das redes sociais e dos meios de comunicação, e existe também uma procura por parte de pessoas que querem integrar o Lions.

Há um grande trabalho por parte do Lions…

O Lions Clube de Vizela obedece aos princípios do Lions Clube Internacional e atua em áreas como a saúde, o ambiente e as catástrofes naturais. Temos procurado diversificar a nossa intervenção e também estabelecer parcerias com outras entidades. Fomos, por exemplo, contactados pela Associação de Dadores Benévolos de Sangue e vamos contribuir para aquilo que será a nova sede da associação. Realizamos rastreios de visão na Praça da República, promovemos rastreios e palestras na área da diabetes, participámos na reflorestação do Santuário de S. Bento e estivemos também envolvidos, juntamente com a Câmara Municipal e outras entidades, na resposta à intempérie que atingiu o Centro do país.

Há também um trabalho mais silencioso, que muitas vezes não é visível para a comunidade?

Sem dúvida. Temos reuniões de trabalho quinzenais na nossa sede, onde planeamos as atividades e definimos o calendário, que é feito trimestralmente, porque há situações que vão surgindo e às quais temos de responder. Há todo um trabalho de planeamento para que as iniciativas aconteçam. Temos, por exemplo, o peditório para a Liga Portuguesa Contra o Cancro, em que estivemos presentes nos hipermercados, mas tudo isso exige uma preparação prévia.

Como tem sido a articulação com as restantes instituições do concelho?

Temos trabalhado de forma exemplar. Não existem egos. Estamos todos aqui para dar uma resposta e para servir e, com esse propósito, tudo é mais fácil e flui. Este ano correu tudo de forma harmoniosa e só assim é que devemos estar em comunidade.

O Lions conta também com o apoio da comunidade e de beneméritos?

Temos pessoas anónimas que nos apoiam, nomeadamente na comparticipação de próteses dentárias. Temos um benemérito que não quer dar a conhecer a sua identidade e que, em cada ano lionístico, assegura o custo de quatro próteses, normalmente para as pessoas que necessitam de próteses superiores e inferiores.

 

Nuno Magalhães assume novo mandato com espírito de continuidade

 

Foi convidado a permanecer na presidência durante um segundo mandato consecutivo. Como recebeu este desafio?

Não estava nos meus planos dar continuidade à presidência. Tinha o propósito de me manter na direção, mas este ano também assumi um cargo a nível autárquico, juntando isso à minha vida familiar e profissional… tudo junto acaba por ser muito exigente. Contudo, sou uma pessoas de causas e não sou de virar costas. Foi-me impossível dizer que não ao Lions Clube de Vizela e, por isso, estou novamente com toda a motivação, sentido de serviço e responsabilidade para dar continuidade, juntamente com os companheiros e a direção, ao trabalho que tem vindo a ser desenvolvido ao longo destes oito anos.

Houve hesitação antes de aceitar?

A hesitação é natural. Tenho sempre de falar com a minha família. Tenho uma filha com três anos e isso também pesa, porque  ela não está habituada a ver o pai ao jantar todos os dias desde que nasceu. É uma questão que pesa no momento da decisão. Mas, ultrapassando isso, creio que um dia ela poderá valorizar todo este tempo em que sentiu a falta do pai.

A presidência costuma durar apenas um ano. Porque é que este ano foi diferente?

Nós não temos a figura de vice-presidente na direção. Se tivéssemos, esse vice-presidente seria, no ano seguinte, o próximo presidente. Como não temos essa figura, surgiu um convite a uma pessoa da direção, que declinou por motivos profissionais. Por isso, a convite de um companheiro fundador, aceitei este repto. Será pioneiro no sentido de ser uma presidência repetida de forma consecutiva, mas não será pioneiro no clube no que diz respeito a alguém assumir a presidência pela segunda vez.

O ano leonístico 2026/2027 será, então, um ano de continuidade?

Sim. Não digo que vamos fazer o mesmo, mas vamos continuar atentos às mesmas causas e a atuar de forma ativa naquilo que é a nossa missão. Será um ano de continuidade, mas estaremos disponíveis para ouvir e para servir perante aquilo que surgir de novo.

Quais são os principais objetivos para este novo ano?

O principal objetivo passa pelo crescimento do clube. Não queremos crescer desmedidamente, mas de forma sustentada e, acima de tudo, queremos que quem está se sinta motivado. Esse é, se calhar, o maior desafio deste ano leonístico: que os companheiros se sintam motivados, integrados e, de forma mais ativa ou menos ativa, parte do clube.

Há algum projeto novo que gostasse de concretizar?

Uma das iniciativas que poderá avançar neste ano leonístico é a geminação com um clube suíço. Já recebemos aqui o presidente, que é um imigrante português na Suíça, e tivemos uma reunião preparatória, onde conhecemos as valências e a realidade daquele clube. Será muito interessante e pioneiro para o Lions Clube de Vizela criar esta geminação, embora ainda careça de aprovação em Assembleia. Acredito que será muito proveitoso pela possibilidade de troca de informações e de valências entre os dois clubes.

Em que consiste essa geminação?

Já percebemos que são realidades distintas, nomeadamente em termos financeiros e de capacidade de resposta. A base é a mesma, a missão é a mesma e as áreas de atuação também, e é isso que nos une. No entanto, a disponibilidade financeira deles permite uma intervenção mais significativa e atingir um maior número de pessoas. Enquanto nós conseguimos, por exemplo, apoiar uma ou duas pessoas com óculos, eles conseguem atuar de uma forma mais abrangente.

Quais são, atualmente, as maiores necessidades identificadas pelo Lions Clube de Vizela?

Na área da saúde, não tanto ao nível dos cuidados básicos, porque temos um bom serviço de saúde, mas sobretudo naquilo que não é comparticipado pelo Serviço Nacional de Saúde. Desde logo, os tratamentos dentários, que têm custos avultados e aos quais as pessoas com menos recursos económicos não conseguem aceder. É aí que procuramos responder prontamente. O mesmo acontece com os óculos, através da assessoria da Visão, e, este ano, surgiu também a necessidade de comparticipar vacinas que não são abrangidas pelo SNS.

Com este segundo mandato, o que espera deixar no Lions Clube de Vizela?

Espero continuar a servir. É isso que me move e é esse o propósito do Lions. Quero que o clube continue inserido na comunidade, atento às suas necessidades e capaz de responder aos apelos que vão surgindo. Acima de tudo, quero que os nossos companheiros continuem motivados e que sintam que fazem parte deste projeto. Se conseguirmos isso, estaremos a dar continuidade áquilo que tem sido construído ao longo destes oito anos.

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