Jovem vizelense Lara Sousa destaca-se nas provas de hipismo

A participação nas provas tem sido condicionada pelos elevados custos da modalidade

Lara Sousa pratica hipismo, modalidade que abraçou desde pequena, fruto do grande amor que sempre teve pelos cavalos. Uma escolha que não tem sido fácil para esta jovem vizelense, pelos custos elevados, associados à sua prática. A participação em concursos é condicionada por estas dificuldades e ponderada cuidadosamente prova a prova, por toda a família.

 

A paixão pelos cavalos começou mais cedo do que a paixão pelo hipismo, mas uma coisa levou à outra, na vida de Lara Sousa, com 17 anos de idade. Como conta a mãe Patricia Ribeiro, quando criança, Lara apenas queria cavalos como brinquedos e ver filmes na televisão, com cavalos. Isto foi algo com que os pais tiveram de lidar nos seus primeiros anos de vida. “Desde os três anos, só falava em cavalos, na pré-primária os coleguinhas perguntavam o que queria ser quando fosse grande e ela dizia que queria ser cavaleira. Muitas vezes, os familiares, no Natal, perguntavam à Lara o que queria de prenda e ela dizia sempre que era um cavalo de verdade”, recorda

Lara também recorda estes momentos: “Sempre quis estar perto de cavalos, sempre que via um cavalo, por exemplo, numa viagem de carro, obrigava o meu pai a parar o carro para ver os cavalos. Em tempos havia cavalos na Família Peixoto e eu pedia ao meu pai, ao fim de semana para me levar lá. Essas foram as primeiras vezes que eu montei”, recorda.

No entanto, rapidamente surgiu a oportunidade, com que sonhava. Foi numa ida à AIREV para levar a irmã, que tem necessidades especiais, que percebeu que muitos meninos tinham equoterapia, num centro hípico da região, viu ali a oportunidade para fazer cumprir o seu sonho. “Disseram-se que era em Abação, fomos lá, quis saber como é que aquilo funcionava. A Lara, nesse mesmo dia, fez logo uma aula experimental”, conta Patricia Ribeiro. Já Lara teve o melhor dia da sua vida. “Tive uma aula a sério, com pessoas que percebiam, cuidei do cavalo, aprendi algumas coisas e estar lá era a melhor coisa que podia estar a fazer”, conta. Assim continuou por cerca de três anos, a aprender e a crescer no hipismo, a treinar e a competir nas provas e concursos de saltos, com cavalos do Centro Hípico. Como em todas as modalidades, com a progressão e crescimento, chegam novos desafios, Lara chegou rápido ao patamar dos 80 a 90 centímetros, atingindo o limite do que pode saltar um cavalo de escola. Para continuar a crescer algo tinha de ser feito. “Para ela o hipismo estava a perder o encanto, pois já conseguia saltar mais do que um metro, acabou por chegar a um patamar em que não se evoluía mais, porque os cavalos da escola não podem saltar mais. Então, ou compravamos um cavalo, ou acabava por ali”, destaca.

E a decisão, depois de muita ponderação familiar foi comprar um cavalo para a Lara, aproveitando uma boa oportunidade de negócio. “Um atleta do Centro Hípico, por motivos profissionais, pôs o cavalo à venda, e a professora falou connosco, que tinha um cavalo muito bom para a Lara, que não estava num preço demasiado elevado, e que já estava na escola. E decidimos dar um cavalo à Lara. Eu acho que foi o maior presente de toda a vida dela”.

 

Spider Man é o cavalo que tem ajudado Lara a conquistar provas nos últimos anos

 

E assim entrou o Spider Man na vida da Lara, o cavalo que a tem acompanhado e ajudado a conquistar provas nos últimos anos. Confessa que era um cavalo que nunca lhe despertou interesse, mas transformou-se desde que passou a fazer equipa consigo.

“Aquele cavalo era muito diferente do que é agora. Sempre foi um cavalo de alta competição, ninguém notava aquele cavalo, porque ele estava sempre dentro do boxe, com a cabeça virada para a parede, parecia que não se interessava com nada cá fora, mas agora está totalmente diferente. Eu não imaginava mesmo que aquele cavalo pudesse se tornar no que se tornou”.

Atualmente treina três vezes por semana, agora trabalha e compete com o Spider Man, o que tem contribuído para a sua evolução.  

Os resultados começaram a surgir, às vezes de forma surpreendente: “É sempre uma surpresa, nunca sabemos quem vai entrar antes, quem vai entrar depois de nós, então nós podemos estar muito bem classificadas e no pódio e a seguir tirarem-te do pódio. Por isso é sempre uma surpresa, apesar de ter muita confiança e saberes o que consigo fazer”. Destaca que procura sempre fazer uma prova segura e se puder ganhar: “Prefiro fazer uma prova segura, acho que é preciso, acima de tudo confiar no cavalo, e nós nele. Por vezes é mais aquela adrenalina de entrar em concurso, há muita gente querer ganhar e arriscamos um bocadinho”.

Já conseguiu algumas vitórias, destaca a que aconteceu em Coimbra: “A que mais me marcou, foi em Coimbra a Taça das Amazonas. Trouxe a taça de 2º lugar para casa porque consegui ficar os três dias no pódio, fiz provas limpas, fui a uma Barrage. Foi tudo com o cavalo que eu comprei e eu acho que foi o que me marcou muito, pois foi das primeiras provas que eu fiz com ele”, afirma.

O futuro na modalidade é pensado pela Lara, mas também pela mãe, Patricia Ribeiro, que afirma que gostaria que a Lara “fizesse o que gosta e fosse muito feliz”. “Estou a dar-lhe ferramentas que tem de aproveitar ao máximo, mas também tem de se fazer à vida. É um desporto muito caro, mas a Lara tem sido um orgulho para nós, para os professores, para todos”. São os custos que levam a família a escolher cuidadosamente os concursos onde a Lara pode, ainda que a jovem gostasse de ter mais participações.

“Quando vai a concursos, temos de pagar a inscrição, que é por cada dia de prova, as deslocações, as estadias, temos de pagar o transporte do cavalo e o aluguer da boxe para ele ficar durante o concurso. Pagar a alimentação do cavalo enquanto está lá, são tudo custos avultados para a família.  Nesta altura vamos fazendo o que se pode, mas temos de gerir muito bem”, destaca.

Da parte da Lara, há o objetivo de continuar a trabalhar, para contribuir também financeiramente para as suas presenças nas provas, pois como destaca “é isto que gosto de fazer e quero continuar a fazê-lo”.

 

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