Hélder Magalhães e Raul Minh’alma assinalam Dia do Autor
Nesta sexta-feira, 22 de maio, celebra-se o Dia do Autor Português, uma data que homenageia todos os criadores nacionais que contribuem para o enriquecimento da cultura portuguesa através da literatura, música, teatro, cinema, artes plásticas e outras formas de expressão artística.
Para assinalar esta data, a Rádio Vizela esteve à conversa com o escritor vizelense Hélder Magalhães e com o escritor Raul Minh’alma, numa reflexão sobre o papel dos autores na atualidade, as oportunidades existentes e os desafios que continuam a estar presentes no panorama cultural em Portugal.
Hélder Magalhães considera que “continua a ser importante” celebrar o Dia do Autor Português, sobretudo porque as possibilidades de construir uma carreira sustentável enquanto autor continuam a ser reduzidas. “Qualquer um pode ser autor; agora que veja esse trabalho com uma possibilidade de presente e futuro, isso é muito raro”, afirmou.
Apesar de reconhecer que a internet e as redes sociais aproximaram os autores do público, Hélder Magalhães alertou para as dificuldades que essa transformação também trouxe ao setor cultural e editorial. “Há mais possibilidades porque diminuiu-se a distância entre o autor e o público, mas isso também cria uma série de dificuldades”, explicou, apontando como exemplo a realidade de muitos escritores que acabam por pagar para publicar as suas próprias obras.
Para o vizelense, o Dia do Autor Português deve servir não apenas como celebração, mas também como oportunidade para reforçar a independência e criar mais oportunidades para os criadores nacionais. “É fundamental relembrar o Dia do Autor, sobretudo para que haja oportunidades e independência”, concluiu.
Também o escritor Raul Minh’alma partilhou a sua visão sobre o atual estado da literatura portuguesa, mostrando-se otimista quanto ao crescimento de novos autores no mercado editorial. “A literatura está mais viva do que nunca”, afirmou.
Segundo o escritor, atualmente existem mais oportunidades para novos autores publicarem através de grandes editoras, algo que, segundo recorda, era menos frequente quando iniciou o seu percurso literário há cerca de dez anos. “Estão a aparecer muitos novos autores, mais do que alguma vez aconteceu. (…) No meu tempo, só davam oportunidades a novos autores se eventualmente fosse já bastante conhecido nas redes sociais”, recordo.
Ainda assim, Raul Minh’alma admite que, apesar de haver mais oportunidades de publicação, pode ser mais difícil para um novo autor alcançar grande notoriedade. “Hoje em dia a questão das redes sociais já não se coloca e, portanto, têm-se dado mais oportunidades. Por outro lado, acaba por ser mais difícil vingar e algum desses novos autores explodir”, considerou.
O autor destacou, contudo, o momento positivo vivido pela literatura portuguesa. “Acho que estamos melhor agora do que antes. Fico contente de ver a literatura portuguesa viva”, acrescentou.
Questionado sobre a mensagem que deixaria a quem escreve textos guardados “na gaveta” ou no computador, Raul Minh’alma incentivou os novos escritores a avançarem com os seus projetos literários.
“O primeiro incentivo é que estão numa boa altura para o fazerem”, afirmou, sublinhando que as editores têm vindo a abrir mais portas a novos talentos, sem obrigar os autores a suportarem custos de publicação. “É uma porta que está mais aberta do que nunca”, concluiu.





