Guimabus arranca operação a 1 de janeiro

Guimabus alarga serviço público de transportes de Guimarães a todo a zona sul do concelho

A empresa Vale do Ave Transportes Lda. venceu o concurso público internacional para a concessão do serviço público de transportes rodoviários de Guimarães. Dentro do grupo surgiu a Guimabus, empresa criada para explorar a concessão, por um período de 10 anos.

Fernando Salgado, tem 39 anos de idade, é natural de Serzedelo, Guimarães, e é um dos filhos do fundador da Vale do Ave Transportes Lda. Uma empresa familiar, sedeada em Serzedelo, e que antes da pandemia Covid-19 centrava a maior parte da faturação no turismo. O arranque da operação da Guimabus será a 01 de janeiro de 2022, sendo que a concessão inclui a exploração da atual rede de Transportes Urbanos de Guimarães (TUG) e as linhas concelhias dos operadores Arriva e Transdev, criando também novas linhas.

 

Rádio Vizela – O que levou a Vale do Ave Transportes Lda. a apresentar a candidatura ao concurso da Câmara Municipal de Guimarães para a exploração do serviço público de transportes nesse concelho?

Fernando Salgado (FS) - Sempre foi um objetivo nosso. Sempre tentamos ser um operador público, com carreiras, como se chamava antigamente. Mas o acesso à atividade era muito difícil, tentámos várias vezes, mas não conseguimos. Como houve uma alteração da lei, essa foi aquela janela de oportunidade que nunca tivemos. Desesperámos muito por este momento, estávamos preparados. Conforme os concursos já saíram, e outros estão a sair, nós estamos muito atentos, e neste momento já ganhámos dois, Amarante e Guimarães.

 

Rádio Vizela – Portanto, o objetivo não é ficar por aqui…

FS – O objetivo é continuar a crescer. Priorizamos a nossa região, neste caso Guimarães foi mesmo um sucesso, porque somos de Guimarães, era mesmo um objetivo porque é a nossa terra, é uma empresa da terra que ganhou o concurso, foi muito bom.

 

Rádio Vizela – Qual a dimensão da vossa frota?

FS – A Vale do Ave tem, atualmente, 80 autocarros, a Guimabus vai ter 80 autocarros e depois ainda temos uma empresa associada no grupo, que é a RodoAmarante, com mais 36 autocarros.  São 196 autocarros. Já é uma empresa com dimensão considerável e a nível de trabalhadores já são muitas famílias que dependem de nós. E a nível de frota e manutenção também, temos umas instalações modernas, eficientes, fazemos praticamente toda a manutenção dentro das nossas oficinas. Recorremos muito pouco a empresas externas e cada vez mais estamos a evoluir, porque os próprios autocarros também assim o obrigam, são cada vez mais eletrónicos, são precisos sistemas de diagnóstico e há sempre alterações de ano para ano. Estamos sempre em formação com os nossos técnicos para capacitá-los para que eles possam estar na vanguarda.

 

Rádio Vizela – O preço-base do concurso público lançado pelo município de Guimarães era na ordem dos 30 milhões de euros e a Vale do Ave venceu-o por cerca de metade do valor: 15,1 milhões de euros, três milhões abaixo da proposta da empresa que ficou em segundo lugar no concurso…

FS – A nossa proposta não ficou tão abaixo das outras propostas, foram três milhões em 10 anos, são 300 mil euros ao ano, uma empresa [Gondomarense] que é fora da região, que se teria de instalar, certamente não ia ter o know-how que temos da região. Esta concessão permite outras atividades acessórias, como o aluguer de autocarros, como a publicidade e, felizmente, a Vale do Ave está muito bem nesta parte, porque sente-se em casa aqui, temos muitos clientes no concelho e na região, na parte das atividades acessórias, como o caso dos alugueres dos autocarros. Penso que estamos muito à frente de qualquer outra empresa que se venha a implementar em Guimarães. A proposta seguinte foi de uma grande empresa do Porto - a Gondomarense -, uma empresa com muitos anos de atividade, e do que eu conheço uma boa empresa, e estamos a falar de 300 mil euros ao ano, na minha opinião isto foi até um bocadinho sorte. É uma diferença de cêntimos em quilómetros, uma coisinha de nada. Quanto à nossa proposta ficar abaixo do preço-base, foi uma proposta devidamente estruturada, calculada, fizemos todas as análises, os nossos custos, inclusive já entregámos o nosso plano de negócios à Câmara [de Guimarães] e foi aceite.

 

Rádio Vizela – E em termos de prestação do serviço ao público, não sairá prejudicado?

FS – Pelo contrário, o serviço [em comparação com o dia de hoje] terá um aumento de quilómetros, e na ordem dos 30%, terá uma qualidade de viaturas que nada tem a ver. Nós, para esta concessão vamos iniciar no dia 01 de janeiro com 48 autocarros novos e, destes, 22 elétricos. E temos 32 usados que são substituídos ao longo da concessão. E a oferta foi muito reforçada a nível de horários e de novas linhas.

 

Rádio Vizela – Vão conseguir abranger todo o concelho de Guimarães, vão chegar a todas as freguesias?

FS – Quase todas, e alguns pontos de algumas freguesias não chegamos. Neste momento, a oferta ainda não está terminada, estamos em discussão com o município para entregar a oferta final. Temos um caderno de encargos que temos de obedecer, vamos vendo as necessidades que entendemos e propomos ao município algumas alterações, mas o próprio município é que definiu o caderno de encargos, com as linhas e os horários. Agora só temos de ajustar isso.

 

Rádio Vizela – Os TUG, neste momento, chegam a Nespereira. Para esta zona sul do concelho, vão estender as linhas até Lordelo?

FS – Vai deixar de haver o TUG, agora será uma rede municipal pelo concelho. O TUG que vinha a Nespereira foi estendido a Moreira de Cónegos, mas existem outros serviços em que as linhas são também mais abrangentes…

 

Rádio Vizela - Mas não vão a Lordelo?

FS – Sim, sim, estamos a servir a estação de Lordelo, através de uma linha de Serzedelo e através da linha de Silvares, do Espaço Guimarães até à estação de Lordelo.

 

Rádio Vizela – E em termos de horários?

FS – Houve um aumento de horários ao nível da rede, em relação ao atual, cerca de 30%. Guimarães já tinha uma boa rede urbana, obviamente que vai ter de ser melhorada, cada vez mais existem zonas habitacionais, zonas industriais, e estamos a detetar algumas, por exemplo, a zona industrial de Lordelo, não estava servida, a não ser o comboio praticamente não havia oferta, e nós já vamos à zona industrial de Lordelo, como vamos ao Ave Park.

Mais pormenores no RVJornal, já nas bancas.

 

PUB___

MAIS NOTÍCIAS___