Estado do Rio e as razões que fazem dele o mais poluído

O debate foi promovida pela Câmara Municipal de Vizela.

A sessão “O Rio e a Cidade – dinâmica das culturas ribeirinhas - caso específico de Vizela”, foi apresentada na passada sexta-feira, dia 15, no Bar do Rio. Uma iniciativa da Câmara Municipal de Vizela que juntou, ao longo do dia, várias entidades à mesa, no “Bar do Rio”, onde foram também apresentados alguns estudos sobre o Rio Vizela.

"A cidade de Vizela desenvolveu-se em volta do rio, que lhe deu o nome, mas devido à massiva industrialização, a qualidade da água foi-se deteriorando€

Dinis Costa, presidente da Câmara Municipal de Vizela, foi quem deu início à sessão. O edil vizelense lembrou aos presentes, que esta terça-feira, será entregue na Assembleia da República a petição que andou a circular na internet e também em alguns estabelecimentos comerciais de Vizela. A discussão do tema deverá acontecer, segundo Dinis Costa, nos próximos meses de setembro ou outubro, na reentré após as férias de verão. “Os rios são fontes do recurso natural indispensáveis aos seres vivos, a água, além disso, tem uma grande importância cultural, social, económica e externa. A cidade de Vizela desenvolveu-se em volta do rio, que lhe deu o nome, mas devido à massiva industrialização, a qualidade da água foi-se deteriorando”, referiu Dinis Costa.

O edil de Vizela vê esta sessão como um forte contributo para o que considera ser, a sua “maior luta e a maior alegria”, a despoluição do Rio Vizela. “ Para que de uma vez por todas, possamos usufruir do que é essencial e importante (…) só com este trabalho todo, com todas as associações, como a de Fafe que está aqui presente, como as de Vizela que também estão cá representadas, e quer pelas outras associações, como o AMAS, o Clube de Caçadores e outras que estarão presentes na Assembleia da República, penso que com este grande conjunto iremos ter frutos, quer Vizela como Fafe”, referiu Dinis Costa.

O presidente da Câmara de Vizela mostrou-se confiante na resolução desta questão da despoluição do Rio Vizela. “Sabemos que ainda temos um longo caminho pela frente, para conseguirmos um rio verdadeiramente limpo e transparente, mas é nesse sentido que temos de continuar a trabalhar. Agradeço a todos os oradores e participantes, juntos venceremos esta luta, que é de todos e para todos.”

 

“Não chega ir à Assembleia da República”

 

Pedro Teiga, Engenheiro do Ambiente pela Faculdade de Engenharia do Porto e investigador da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, afirmou que não chega ir à Assembleia da República para fazer a diferença: “é a proximidade das pessoas que rodeiam estas questões que importa”. “Fazemos a diferença a partir do momento que temos uma visão global, possamos cuidar do nosso planeta, e esse cuidado tem que ser local, temos que nos preocupar com os nossos rios”, referiu Pedro Teiga.

Por sua vez, Norberta Coelho, Engenheira da águas do Norte, apresentou uma série de fotografias sobre o trabalho das ETAR’s da região norte.

A responsável, ao longo da sua intervenção, explicou ao pormenor o desenvolvimento das ETAR’s ao nível da região do Ave. “Entre 1960 e 1997, o estado do Rio Ave e dos seus afluentes, como o Rio Vizela, era de facto muito poluído. A zona que abrange os concelhos de Vizela, Guimarães, Vila Nova de Famalicão, Santo Tirso e da Trofa, a zona do médio Ave, foi considerada na altura, a mais poluída da bacia”, referiu Norberta Coelho. A engenheira considerou que o desenvolvimento da indústria têxtil, apesar de ser bastante importante ao nível económico e social na região, não foi acompanhado pela criação de infraestruturas de tratamento, o que levou “à degradação progressiva dos recursos hídricos”, tornando a água imprópria para qualquer consumo.

Ao longo do dia foram várias as entidades que participaram nesta iniciativa. Para além de Pedro Teiga e de Norberta Coelho, também estiveram presentes representantes da Agência Portuguesa do Ambiente e da Universidade do Minho, que desenvolveu estudos sobre a cidade e as suas dinâmicas.

A poluição somos todos nós que a fazemos, cada um de nós é um poluidor, foi a mensagem deixada neste debate. O setor ligado à pecuária (como por exemplo, vacarias) são ainda uma preocupação bastante significativa. é importante a ligação ao saneamento para que descargas poluentes se evitem. Na internet não param de surgir fotos de descargas poluentes, através do Movimento Cívico Contra a Poluição no Rio Vizela, e é pedida justiça para a “mão criminosa”. Os vizelenses estão cada vez mais envolvidos nesta luta.

Esta iniciativa que foi promovida pela Câmara Municipal de Vizela esteve inserida nos trabalhos já realizados em defesa do Rio Vizela.

 

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