Do Maquias às Cascatas: Os Passadiços de Vizela

Entretanto, arrancou já a intervenção que contempla uma nova intervenção nas margens do Rio Vizela, ao longo da extensão do Parque das Termas. Obra também ela abordada na última edição do Especial Informação da Rádio Vizela pelo autarca Victor Hugo Salgado, que se fez acompanhar pelos arquitetos municipais Luís Gomes e Luísa Costa.

 

Quando falamos da Marginal Ribeirinha, temos de falar no Rio Vizela, até porque está prevista uma segunda fase de intervenção nas suas margens. é esse motivo da colocação daquelas pedras ao longo da sua extensão no Parque das Termas?

Victor Hugo Salgado – Sim. A CMV, atenta a um conjunto de reuniões que teve com o Sr. Ministro do Ambiente, e depois de termos conseguido dar passos gigantes para a despoluição do Rio Vizela, conseguimos aprovar um financiamento, que ronda 1 milhão e 800 mil euros para fazer os Passadiços do concelho de Vizela. A determinada altura assinámos este acordo com o Sr. Primeiro-ministro, consolidámos a totalidade do projeto, que começa junto da Ponte Romana e acaba junto às quedas de água em Santa Eulália. Contudo, a CMV aproveitou a verba que está adstrita aos Passadiços para recuperar e regenerar o Parque das Termas, onde há muitos anos, existiu um muro de suporte de terras e que será recuperado. Além disso, ser-nos-á permitido o alargamento da expressão do Parque das Termas, aproximando as pessoas do Rio Vizela, colocando ainda um gradeamento dos dois lados para reforçar a segurança. Associado a isto, a CMV autonomamente, ou seja, fora daquele que é o Projeto dos Passadiços, mas em parceria com a Junta de Freguesia, fará algumas intervenções no Parque das Termas de acordo com aquela que é a linguagem do RUS.

Tem-se dito que o investimento nos Passadiços representa uma verba que poderia ser gasta em outras coisas, quando isso não seria possível. Perderíamos, tal como aconteceu durante vários anos, verbas provenientes do Quadro Comunitário.

 

Mas esta é ou não uma obra prioritária para Vizela?

Victor Hugo Salgado – é uma obra prioritária para Vizela. Aliás, se não existissem os Passadiços não existiria o percurso. A questão é a seguinte: Quais seriam os proprietários que fariam essa cedência se não existissem os Passadiços a criarem esse limite da circulação? Mas há outros factos relevantes. Em muitas das zonas não é possível circular sem os Passadiços, além disso, nós queremos condições para que Vizela seja destino turístico e para que isso aconteça, temos de ter uma estrutura apresentável e vendável a todos os que nos visitam e uma coisa é vender os percursos e outra coisa é vender os passadiços. Basta consultar as diversas Câmaras do nosso país, que têm Passadiços para vermos a forma como os vendem e a forma como têm crescido.

O que as pessoas deviam dizer é que nós precisamos é de mais Passadiços. Existem dois troços que seriam essenciais e que entendo que deverão estar na linha de ação quer deste, quer de outros Executivos, que é um troço, e nós já temos o projeto, que faça a ligação da Marginal Ribeirinha à Ponte da Aliança e um segundo, fundamental para consolidarmos a nossa estratégia turística, que será a ligação da Marginal Ribeirinha ao S. Bento.

 

Mas podemos agora tentar explicar o percurso contemplado nos Passadiços, que se encontram em construção?

Victor Hugo Salgado – A saída será junto à Ponte Romana, na zona do Maquias. é feito um percurso em passadiço, que ficará encostado ao muro das Termas, passará por debaixo da Ponte D. Luís e entrará no Parque. Junto ao Mourisco levará uma nova ponte pedonal em madeira, que entroncará com a Marginal Ribeirinha, até ao seu fim e até encontrar o Regato de Sá e aí recomeçam, de imediato, os Passadiços, que seguem pela margem até ao Campo do Santo Adrião. Chegados aí, passarão por debaixo da ponte existente e entrarão pelo lado esquerdo do Ribeiro em direção à Reta de Sá. Aí tudo indica que será feita uma nova passagem inferior, entrando, de seguida, em território localizado junto à Casa de Sá e prosseguindo até às quedas de água.

 

Foi já mencionada a adoção de métodos de engenharia natural para a contenção das margens. O que é que está em causa?

Luísa Costa – é um dos pontos fundamentais, até porque da nossa proposta constava a melhoria das condições da água. A engenharia ambiental permite-nos estabilizar margens que estejam, neste momento, em risco de erosão, ao mesmo tempo, que também será necessário plantar algumas espécies arbóreas para permitir que a água fique mais saudável e cristalina. O objetivo é que os peixes regressem a um “rio truteiro”, num compromisso entre as pessoas e a natureza, com os Passadiços a possibilitarem uma vigilância permanente. Os Passadiços serão em madeira. Alguns serão lineares, outros grampeados, existirão ainda escadas e travessias. Não será um passadiço monótono. Terá as suas “emoções”.

 

é uma obra, já percebemos, para estar concluída até ao final do ano?

Victor Hugo Salgado – Os Passadiços têm subjacente a si uma candidatura que foi aprovada e que tem o final do ano como prazo limite para a sua conclusão.

 

Um projeto que se cruzará com o Parque das Termas. Aqui onde se centram as suas maiores preocupações?

Victor Hugo Salgado – Sem alterar profundamente o Parque das Termas, queremos fazer intervenções que venham a dignificar e reforçar a sua identidade. Queremos manter aquela entrada, mas queremos criar condições para que os materiais existentes sejam substituídos por materiais mais nobres, substituindo, por exemplo, as guias em cimento por guias em pedra. Pretendemos ainda a recuperação dos dois lagos mais pequenos, uma intervenção no local onde se encontram os animais, e também recorrendo à engenharia ambiental, queremos resolver definitivamente a questão do Lago. Mas também temos de fazer alguns muros para suporte de terras, trazer o [modelo] do mobiliário urbano que se encontra na cidade para o Parque e alterar a iluminação porque a que foi colocada no passado não tem qualquer tipo de correlação identitária, além do seu forte impacto visual. O que temos de fazer é colocar uma iluminação que permita a circulação das pessoas, mas cuja presença seja sentida o menos possível.

 

Preocupa-o também preservação daquele património natural, nomeadamente aquelas espécies arbóreas únicas?

Victor Hugo Salgado – Sem dúvida. Mas, nesta matéria, temos de ter uma posição coerente. As pessoas devem sentar-se na minha cadeira e pensarem como se estivessem a decidir como presidente de Câmara.

Não se pode defender a não demolição de árvores históricas e depois acusar, como aconteceu recentemente após a queda de uma árvore, a Câmara de não feito nada para evitar que isso tivesse acontecido. Como diz o ditado popular, “somos presos por ter cão e por não ter”. é um equilíbrio difícil, estamos a tentar criar condições para que ele aconteça.

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