4Mens celebram 20 anos com um espetáculo histórico no Porto

"É um resumo da nossa história em palco" (Artur Peixoto)

Duas décadas depois de terem começado entre concertinas e atuações locais, os 4Mens preparam-se para um dos momentos mais importantes da sua carreira: a 02 de maio, sobem ao placo do Coliseu do Porto para um espetáculo especial que assinala os 20 anos de história, numa sala com capacidade para cerca de quatro mil pessoas e que está perto de esgotar.

Artur Peixoto, esteve nos estúdios da Rádio Vizela, e revisitou o caminho da banda, desde os primeiros passos até ao presente, marcada por uma mistura de música, humor e teatro. “Começa de uma forma muito simples”, recorda. “Como muita gente de Vizela sabe, fazíamos parte das Concertinas do Vale de Vizela; eramos os mais novos no projeto e, a certa altura, decidimos criar as nossas coisas e fazer o nosso percurso; nunca deixando de fazer parte do grupo. Eramos também os mais rebeldes do grupo e queríamos fazer à nossa madeira e à nossa ideia”.

O arranque oficial deu-se no ano de 2006, com o primeiro trabalho lançado dois anos depois. Seguiram-se atuações em “cafés e nas aldeias mais próximas”, num crescimento gradual. “As coisas foram surgindo de forma muito branda. Foi começando a aparecer o trabalho, a evoluir e a querer fazer sempre algo de novo”, explica.

E vinte anos depois, a longevidade da banda não era algo antecipado. “Sinceramente, não imaginávamos chegar aqui. Sempre tivemos aquela ideia de ‘é o que vier, é o que aparecer’; e isso, às veze, também pode ser um dos segredos das coisas correr bem. Nunca tivemos muita ambição, nunca tivemos aquele desejo de fazer algo e que as coisas tinham de acontecer muito rápido”, admite Artur Peixoto. “Fomos deixando acontecer e fomos deixando que as coisas viessem ter até nós e sempre que elas viessem, agarrá-las da melhor maneira. Foi sempre isso”.

A amizade e a boa disposição são, segundo o músico vizelense, o verdadeiro alicerce do grupo, uma vez que, “o que nos une e o que nos mantém, é a amizade e a boa disposição”. “Toda a gente trabalha; toda a gente tem conflitos; toda a gente tem relações que, às vezes, coincidem umas com as outras; e a nossa, felizmente, é daquelas que, tal como todas, tem algumas advertências. Mas somos, acima de tudo, unidos e bem dispostos; e é esse o segredo; por muito que as coisas, às vezes, não corram como a gente quer, damos a volta por cima e a coisa passa e continua”.

Ao longo destas duas décadas, os 4Mens somam distinções nacionais, e também internacionais, diversas participações em televisão e também “nas maiores festas deste país”. Ainda assim, Artur Peixoto, evita destacar apenas um momento importante na carreira. “Já percorremos várias coisas e muito mundo; e salientar uma delas, às vezes, pode ser ingrato, porque temos muitas coisas; umas que, até podem não ter tanto impacto visual, mas para nós são ambições e desejos que vamos concretizando”.

Hoje, a realidade da banda é bem diferente da dos primeiros anos. “Somos diferentes em vários aspetos: temos mais maturidade, que não tínhamos há 20 anos; e temos outra responsabilidade. Isto pode parecer muito bonito, mas nós já somos uma empresa que já engloba muita gente”, sublinha. “O nosso espetáculo envolve cerca de 25 pessoas. É uma logística muito grande. É um espetáculo de comédia, de teatro… há muitas mudanças de roupa. Temos funcionários a trabalhar diariamente para que tudo aconteça. Isto já não é só um espetáculo. Isto já é uma logística muito grande”.

Artur Peixoto, Rui Freitas, Leandro Ferreira e Hélder Costa são os quatro elementos que compõem a banda; e, entre eles, a evolução foi natural. “Começamos ainda em crianças e a vida obriga-nos a mudar em todos os sentidos. Quem muda mais nesse sentido é o Rui, porque o Rui começou com 11 anos; era uma criança e, atualmente, é um homem, com 31 anos. Inicialmente, o Rui era o menos participativo e agora não tem nada a ver. Na altura, eu já tinha 15 ou 16 anos e o Leandro 17 anos ou 18 anos. É normal que as pessoas tenham uma evolução maior a nível de responsabilidade e de presença”. Ainda assim, há traços que permanecem. “O Hélder continua a ser o ‘palhaço da turma’; continua a ser o engraçado, e essa é a função dele; e ele desempenha o papel na máxima perfeição”, diz Artur Peixoto, entre risos.

 

Coliseu do Porto: “Um espetáculo diferente”

O concerto de 02 de maio promete ser o maior, até ao momento, da carreira dos 4Mens. “É um espetáculo de acumulação de 20 anos”, explicou o artista. “Vamos recuperar temas antigos, ter convidados musicais e várias surpresas ao longo da noite. (…) É um espetáculo onde queremos celebrar com toda a gente, porque temos a feliz sorte de ter gente que nos acompanha desde o início da nossa carreira até à atualidade; temos gente que chegou a meio; temos gente que chegou há um ano ou dois que, para nós também tem o mesmo significado… Mas é um recordar e tenho a certeza que, aquelas pessoas que nos acompanham há mais tempo, vão recordar alguns temas que vamos apresentar, porque a essência é essa: fazer um resumo dos 20 anos”.

A preparação para este espetáculo decorre há cerca de um ano e envolve mais de 60 pessoas; “é um espetáculo com uma envolvência muito maior”. “Desde a montagem até ao espetáculo acontecer… é um espetáculo muito grande. Na estrada, andamos com cerca de 20 e tal pessoas em todos os espetáculos; e, este espetáculo, triplica a envolvência. (…) Há uma preparação, há um alinhamento diferente, há músicas novas, há temas para recuperar… porque os temas que tocamos há 15 ou 20 anos, não eram tocados da mesma maneira que vamos tocá-los agora; porque a musicalidade é outra e estamos melhor, felizmente, e temos outras competências para o fazer”.

Entre os convidados confirmados está o percussionista brasileiro Mauro Jorge, além de uma secção de metais de referência nacional. “Queremos fazer algo diferente daquilo que é o nosso habitual espetáculo”. Também o mais recente single, ‘Sede’, será apresentado oficialmente nesta noite.

Recorde-se que o Coliseu do Porto tem capacidade para cerca de 4 mil pessoas; e, poucas semanas do dia do concerto, restam cerca de 200 bilhetes disponíveis. “É um momento de responsabilidade e de orgulho”, admite. “Sabemos que o Coliseu do Porto não é uma sala muito pequena. É uma sala emblemática”.

No final da conversa, com Armindo Moreira, no programa ‘Café com Música’, Artur Peixoto, deixou um agradecimento a quem acompanha a banda desde o início. “Em primeiro, agradecer à Rádio Vizela, porque é a nossa rádio de eleição. É a rádio da nossa cidade. É a rádio onde começamos e temos sempre o gosto de estar cá. E depois agradecer às pessoas que nos ouvem: agradecer, primeiro, pelos 20 anos que nos deram. Há um ditado muito antigo que diz que é a prata da casa. Acho que, nós, às vezes, somos o ouro da casa, porque temos a feliz sorte de, na nossa cidade, as pessoas reconhecerem-nos e gostarem do nosso trabalho. Obrigada. Continuem a acompanhar-nos. Costumo dizer que, se não nos quiserem apoiar… ao menos que não nos desmotivem a continuar”, referiu.

O artista reforçou ainda o convite para o concerto no Coliseu do Porto: “Vai ser um espetáculo de 20 anos. Um espetáculo comemorativo e diferente. É um espetáculo em sala e, por isso, mais envolvente. Vai ser, sem dúvida alguma, um marco. Além de que, será gravado, para posteriormente passar a ser exibido noutro local qualquer. É um gosto ter toda a gente presente”, concluiu Artur Peixoto.

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