Catarina Ribeiro: “Gostava de voltar aos Jogos Olímpicos”

Atleta tenta voltar à melhor forma depois de ter sido mãe

Catarina Ribeiro foi recentemente mãe do Francisco, mas já retomou os treinos e até as competições, tendo já participado no Campeonato Nacional de Estrada de 10 km. É um retomar a ser feito de forma gradual, mas com muitos sonhos ainda para viver no atletismo, sendo o maior o regresso aos Jogos Olímpicos, tendo o filho como espetador.

Catarina Ribeiro, é uma atleta Olímpica lousadense, mas com forte ligação a Vizela, onde frequentou a escola e também a formação do atletismo. O seu percurso foi feito no FC Vizela, sob as ordens de Joaquim Santos, passou depois pelos clubes de topo do atletismo nacional, mas mantém até aos dias de hoje o mesmo treinador, o vizelense Rui Ferreira. “Comecei no FC Vizela em 2002, tinha 11, mas desde então, nunca mais parei. Vim a convite do Sr. Joaquim Santos, que me viu num corta-mato escolar, na pista da Costilha. Ele pediu ao meu pai, se me deixava vir, era pequenita, mas aceitei logo”. Entrou para uma equipa muito competitiva e lutou para crescer, como atleta: “Recordo-me que tínhamos atletas bastante competitivos, até fazia parte da equipa a Dulce Félix. Tínhamos um grupo bastante grande, muitos miúdos e ajudava a que as coisas fossem mais competitivas, tínhamos de fazer, por merecer até, para ter outro tipo de condições que, na altura, o FC Vizela dava a um número restrito de atletas”, recorda.

Agradece a Joaquim Santos e a Rui Ferreira a atenção e incentivo constantes, até por vezes um raspanete, que ajudaram a manter o foco: “Foi muito por causa deles que adquirimos esta disciplina e a resiliência para nos conseguirmos tornar atletas e chegarmos até tão longe. A certa altura da minha vida tive de fazer opções, deixar de fazer algumas coisas, porque queria ser atleta, depois optei por desistir da faculdade, para me dedicar a 100% ao atletismo, porque percebi que conseguiria obter melhores resultados e até depois atingir o meu sonho, que era ser atleta olímpica. Não me arrependo nada das escolhas que fiz na altura”, conta.

A certa altura os patamares de exigência foram elevados, passou a ser trenada por Rui Ferreira para o alto rendimento. No final do ano de 2010 transferindo-se para o Sporting de Braga e na época de 2011, começou a somar as primeiras grandes conquistas. Do Braga foi para o Sporting em 2012, com o palmarés cada vez mais rico, recorde-se que ainda passou pelo Benfica, onde chegou em 2014. Depois de uma época como individual em 2017, voltou ao Sporting, onde esteve até 2025, estando atualmente sem clube, depois dos leões não terem renovado o seu contrato.

Nos últimos anos voltou à faculdades, formou-se e foi mãe. “Volvidos 14 anos, deu-me um clique e voltei para a faculdade, voltei em 2022 e acabei o ano passado. Sentia que estava estagnada, porque já tinha 32 anos e pensei, o que vou fazer no dia que isto acabar. Já não me identificava com o curso de fisioterapia, então troquei de curso e vim para Felgueiras tirar Ciências Empresariais, que é uma área completamente diferente.  Foi uma aposta ganha, porque no início eu achava que ia ser uma coisa para se ir fazendo, mas acabei a faculdade nos três anos que deveria. Acabou tudo mais ou menos ao mesmo tempo, fiz licenciatura, tive o meu filho e agora estamos aqui num período também de transição. Vamos ver se consigo voltar ao mais alto nível, também agora sendo mãe e também a trabalhar”.

 

Atleta está sem clube pois o Sporting não renovou o contrato após ter sido mãe

 

Antevê dificuldades, pois o Sporting não lhe renovou o contrato e agora não se pode dedicar a cem por cento ao atletismo: “Em Portugal a única forma de conseguires, sustentares-te e ser atleta profissional é teres um clube a pagar. Até 2025 tinha contrato com o Sporting, entretanto terminou e não renovaram e agora tive de arranjar um trabalho para conseguir viver. Também não vou ficar a investir tudo o que eu fui amealhando nesta fase, para conseguir voltar ao atletismo a mais alto nível”.

A passar por uma fase muito especial, cumpre o sonho de ser mãe, o que provocou o interregno natural, mas que já sentia ser necessário na sua carreira. “Nos jogos Olímpicos de Tóquio, o facto de ter levado o meu corpo ao limite naquelas condições, fez com que eu tivesse quase dois anos para conseguir restabelecer os níveis fisiológicos e tudo mais. Quando estava a conseguir recuperar e a voltar a sentir-me bem, tive uma fratura de stress no pé, que ditou não conseguir ir aos Jogos de Paris, foi quando decidi que o corpo precisava de regenerar mais um bocadinho e decidi então ser mãe”, conta.

Agora tem a noção que terá de trabalhar muito para voltar aos grandes palcos: “Vai demorar um bocadinho mais tempo do que seria normal porque não vou estar a cem por cento concentrada no atletismo, tenho o meu filho e o meu trabalho. Treina-se muito, as pessoas não fazem a mínima ideia do quanto nós sofremos na preparação. Às vezes é em termos de ter de estar longe da família, em estágio, a trabalhar e às vezes abdicar mesmo estando presentes, não podermos ir a certas e determinadas coisas, porque nós temos muito treino, mas também muito descanso também”. Ainda assim, não desiste da ideia e tem uma razão especial, para que tal aconteça: “Eu quero muito voltar ainda ao mais alto nível e gostava muito de participar nos próximos Jogos Olímpicos e com o Francisco como adepto”, conclui.  

Admite que Vizela é importante para si no atletismo: “Eu sou muito bem recebida em Vizela, conhecem-me mais em Vizela do que em Lousada. Às vezes venho aqui ao parque e as pessoas até ficam surpreendidas por eu ter sido mãe, gosto muito deste bem receber por parte de Vizela”.

 

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