Campo do Infias deverá ser inaugurado em meados de setembro

Infraestrutura construída de raiz está a caminhar para a sua conclusão

A obra está nos retoques finais e irá cumprir um sonho de mais de vinte anos dos adeptos do CCR Raul Brandão de Infias e dos infienses em geral. Uma obra que já permite haver formação, com um projeto que está no terreno e que a seu tempo vai permitir aos Seniores ocupar outro patamar no futebol.

Filipe Sousa é o Tesoureiro da direção do CCR de Infias liderada por Rui Oliveira e ainda Diretor Desportivo dos Seniores. é um dos elementos, do largo grupo que tem estado no terreno, a ajudar a que se cumpra um sonho de muitos anos, para o que será o renascer do clube. “Precisávamos disto, de ter o projeto todo dentro de portas. Poder fazer em casa a nossa competição, as nossas coisas. Houve alturas em que nos apeteceu desistir, pois não era fácil motivar as pessoas e conquistar atletas. Conseguimos ter a nossa casa, o nosso complexo Desportivo, para agora alavancarmos as coisas e podermos crescer, trazendo para o nosso lado toda a população de Infias”.

E como destacou nesta entrevista ao RVJornal, a data da inauguração está próxima:  “Antes da pandemia até já treinámos no nosso campo, mas com a pandemia assumimos como prioridade fechar o Complexo e deixar para trás a conclusão dos balneários. Agora estamos a concluir para logo que possamos, utilizar o sintético na sua plenitude.  Ainda não está definido, mas estamos a apontar a inauguração do nosso Campo de Jogos para meados de setembro. Uma data que carece, no entanto, de confirmação, pois não depende apenas de nós”.

Há ainda algumas coisas a serem feitas, mas de pouca monta, como destaca. “Já se podem realizar jogos, o único problema é a pavimentação dos acessos do balneário até ao campo, que ainda está em terra. Já estão a ser colocadas as guias, para depois colocarmos os paralelos. Acredito que daqui até à inauguração vai estar tudo concluído”.

Tal como muitos, fala em sonho que já tem mais de duas décadas.  “Desde o momento que nos impediram de jogar no velhinho campo do Infias, que começamos a viver este sonho”. E confessa até que a realidade se tornou maior que o sonho. “Inicialmente, o nosso sonho não era tão grande. De um momento para o outro temos em mãos um campo sintético com medidas para competir até em campeonatos nacionais, um grande balneário, excelentes acessos”.

é um sonho de muita gente e todos tiveram que trabalhar muito para que se tornasse realidade, como destaca. “Desde a Câmara Municipal, Junta de Freguesia, dos próprios infienses, ou seja, do grupo de pessoas que trabalha lá, sem qualquer ganho, a troco de nada, ou seja só por amor à camisola”.

é desse trabalho que fala com grande entusiasmo, um trabalho feito por dezenas de pessoas, que acabam por contribuir consoante as suas possibilidades.  “O trabalho dos Infienses já vai no terceiro ano, foram muitas horas, muitos sábados e muitos feriados a trabalhar. À medida que a obra decorria e se precisava de outro tipo de mão de obra, foram saindo uns e entrando outros e já passaram por lá centenas de pessoas.  Isso é muito bom, pois também conseguimos dessa forma fazer baixar o valor da obra”.

E foi a mão de obra dos infienses que fez baixar para metade o orçamento.

“Inicialmente estava orçamentada em cerca de um milhão de euros, mas está em metade e quase finalizada”.

Ainda há coisas a pagar, sobretudo materiais, mas Filipe Sousa garante que a direção do Infias não teve que se endividar para cumprir o projeto, isto porque teve grandes ajudas. “A começar pela Câmara, onde o Executivo fez tudo o que estava ao seu alcance para nos ajudar, temos uma Junta de Freguesia sempre ativa e sempre a ajudar e muitas pessoas amigas do clube que nos foram ajudando. Temos que destacar ainda o Xavier de Freitas, que nos tem facilitado todos os materiais, permitindo que os pagamentos sejam feitos quando o pudermos fazer. De resto, está tudo controlado e não serão as obras do novo campo que irão deixar o clube de mãos a abanar”. O presidente da Junta de Freguesia é um dos alvos dos elogios e dos agradecimentos.

“O Francisco Correia foi o presidente ideal, nesta altura, pois sem ele o projeto não tinha avançado. Foi aquela pessoa que chegou junto de nós e disse “vamos arrancar com o campo”, quando ninguém sequer acreditava que era possível. Foi o único a acreditar e fez-nos acreditar também. Para além disso, trabalhou todos os sábados no que era preciso e assim motivou as pessoas que lá estavam. O exemplo veio de cima e nós tivemos que acompanhá-lo”.

 

Francisco Correia: “Todos tivemos que enfrentar muitos constrangimentos”

 

Francisco Correia é um dos grandes dinamizadores do Campo, por várias razões. Desde logo, por ser o presidente da Junta de Freguesia, mas também porque já foi atleta do clube e faz parte desta e de outra direção. Recorda os passos que tiveram que ser dados para que fossem ultrapassados tantos obstáculos e dificuldades. “Isto é um processo, que nas minhas mãos começa em 2012.  A coletividade encontrava-se numa situação muito complicada, sem direção e com muitos constrangimentos financeiros. Conseguimos juntar um bom grupo e iniciámos o processo do campo, que teve muitos constrangimentos pelo caminho. Aquele terreno foi adquirido por uma direção do clube em 1995, com o intuito de fazer um campo de futebol. No início de 2013, quando esta direção assume, e eu também fiz parte, fomo-nos apercebendo de um processo que estava muito complicado. Para se fazer algo naquele local teria aquela zona que estar no PDM, capaz de receber equipamento desportivo. A Câmara Municipal em conjunto com a direção do CCR foi trabalhando o assunto e em 2013 foi aprovado o PDM em Diário da Républica”.

As dificuldades, no entanto, não ficaram por aqui. “Quando achávamos que estava tudo resolvido foram surgindo os constrangimentos. Em 2014 o terreno passa para o CCR através de uma doação, como tinha que ser feito. Tivemos depois mais problemas com os terrenos à volta, houve uma insolvência, em que o terreno do CCR iria reverter a favor da massa insolvente. Resolvemos essa situação e em 2015 as coisas começaram a entrar nos eixos. Em 2016 iniciamos o processo de legalização e começamos a construção”.

A boa noticia foi o relvado sintético ser colocado pela Câmara.  “O projeto foi feito pela Câmara Municipal e em 15 junho de 2018 foi levantado o alvará de construção e a partir dai começamos a trabalhar. Mais tarde a Câmara Municipal informou-nos que o nosso recinto iria ser contemplado com um relvado sintético, o que veio de encontro às nossas expetativas e a 11 de agosto de 2018 lançámos a primeira pedra. Iniciamos a obra a 08 de setembro de 2018”.

Uma obra muito desejada e com forte mão dos infienses. “Uma obra que tem muito de crença e de vontade própria das pessoas, de muita gente que nos ajudou. De muita mão de obra dos infienses, feita com muito amor e muito carinho, que faz de nós uma das freguesias mais bairristas do município” Apesar de toda a ajuda Francisco Correia garante que o clube continua a necessitar de muita mais. “Muita ajuda da Câmara Municipal e da Junta e de muitas empresas que não vou agora enumerar, mas de que falarei na hora certa. Agradecer também a todos os infienses, porque foram feitos peditórios pela freguesia, agora parados, que mal possamos vamos retomar. Temos ainda bilhetes à venda para um sorteio a realizar no dia da inauguração e ainda temos muitos bilhetes para vender.  O que está ali a ser feito custa muito dinheiro e o CCR de Infias precisa da ajuda de todos. Há dívidas, sobretudo do material que temos que cumprir. Queremos levar o processo até ao fim e sem deixar dividas”, assegura.

 

Filiação na AF Braga ainda não é para já

 

O novo Campo de Jogos já permite ao clube ter formação, mas para já fica adiado um eventual salto competitivo para os Seniores, como nos referiu Filipe Sousa.

Falamos na possibilidade de ingressarmos no futebol distrital, no entanto, neste momento há que entender que para o Infias este ano é o ano zero. Nós não temos noção dos custos do edifício nem da forma como vamos agilizar as coisas. E como vamos começar a trabalhar com a formação, seria um risco começar com tudo ao mesmo tempo, sob pena de podermos falhar em alguma coisa. Queremos dar passos com certezas e não vamos entrar em grandes loucuras. A ida para os distritais será uma realidade para cumprir num futuro próximo”.

Há por isso, a continuidade no Popular com a expetativa de uma temporada competitiva.

“Vamos continuar no Popular e já soubemos que poderemos ter um campeonato competitivo, com dez equipas. Teremos também competições com novidades nas interconcelhias, quer na Taça Cidade Berço e na Taça Associação. Se conseguirmos jogar aos jogos das decisões, teremos muitos jogos para fazer. A questão monetária também foi um motivo para continuarmos no Popular. A AFP de Guimarães vai dar na próxima temporada a benesse de não se pagar inscrição, nem arbitragem e teremos apenas de pagar a quota de associado”.

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