Assembleia Municipal debateu sobre obras e transparência
A Assembleia Municipal de Vizela reuniu, esta quinta-feira, 23 de abril, numa sessão ordinária.
Logo no início dos trabalhos, o presidente da mesa da Assembleia Municipal, Fernando Carvalho, esclareceu o enquadramento dos deputados únicos, após vários meses de análise. Segundo explicou, “os deputados irão ficar como representantes únicos dos respetivos partidos; não constituem grupos municipais, mas terão todos os direitos como que fossem representantes de grupos municipais”, acrescentando que o novo regimento foi elaborado com base nesses pareceres.
No período destinado à intervenção dos deputados municipais, surgiram as primeiras críticas ao executivo. O deputado do Chega, Ricardo Ferreira, questionou o atraso na requalificação do Castelo da Ponte e o estado de outras intervenções no concelho: “Relativamente à obra de requalificação do Castelo, como é de conhecimento público, foi afirmado, em outubro passado que, os inícios dos trabalhos ocorreriam no prazo de seis meses e esse prazo encontra-se, neste momento, ultrapassado. Assim, importa questionar qual o ponto da situação atual deste projeto, que constrangimentos surgiram que impediram o cumprimento do prazo anunciado, existe uma nova previsão concreta para o início da obra e, mais importante, que garantias pode o executivo dar de que não voltaremos a assistir a novos adiamentos. Também gostaria de abordar a requalificação da Rua das Teixugueiras e a Rua Comendador José Luís Almeida e, nesse sentido, solicito esclarecimentos sobre o estado atual dos projetos de requalificação, se já existe calendário definido para as suas execuções e quais as medidas previstas para responder às preocupações dos moradores; e, no que diz respeito à Rua Comendador José Luís Almeida, que apresenta um nível de degradação significativo, com buracos de grandes dimensões que comprometem a segurança rodoviária e a circulação pedonal”. O deputado defendeu ainda que “mais do que anúncios, aquilo que os munícipes esperam é rigor, transparência e cumprimento dos compromissos assumidos”.
Em resposta, o presidente da Câmara Municipal, Victor Hugo Salgado, considerou as intervenções “profundamente demagógicas”, acusando o deputado de afastamento da realidade local. “Sinto que estes esclarecimentos são esclarecimentos em vão (…) para uma pessoa que, em muito pouco, representa aqueles que o elegeram. Porquê? Porque é uma pessoa que surge a cada Assembleia Municipal, a colocar questões que nunca colocaria se participasse minimamente naquilo que é a vida cívica ativa do concelho de Vizela”, afirmou.
O autarca destacou o trabalho desenvolvido pelo executivo, referindo “mais de 200 obras, mais de 40 milhões de euros de investimento, redução da dívida municipal para menos de metade, a maior redução de impostos de sempre, a maior requalificação urbana de sempre, o maior apoio social de sempre, o maior investimento nas juntas de freguesia de sempre”, bem como intervenções recentes em escolas, equipamentos desportivos, saúde e mobilidade.
Acrescentou ainda que “só vê quem está presente. Só consegue perceber quem está presente. Quem está ausente não vê”. “A título de exemplo foi, numa das últimas reuniões de Câmara [16 de fevereiro de 2026], a requalificação da Rua Dona Ana de Sá, da Rua Latino Coelho, a construção de seis habitações em regime de custos controlados, a requalificação do Castelo da Ponte – Fase 1, da Avenida dos Bombeiros Voluntários e da Rua José Ribeiro Ferreira, a requalificação do Posto Territorial da GNR de Vizela, a requalificação da Rua Belmense e da Travessa Belmense, da Rua Francisco Costa e da Travessa Latino Coelho. Mais de oito milhões de euros de investimento, financiados a uma média de 60% e que, na realidade, terá um custo abaixo dos 15% para os munícipes do concelho de Vizela. Por isso, palavras para que? Na verdade isto são ações concretas. Mas quando a contradição é tanto, quando a dificuldade de afirmação é tanta, quando o distanciamento é tanto, quando a ausência é tanto… o que é que nós vemos? Intervenções como as de hoje, profundamente demagógicas”, acrescentou o presidente da Câmara.
Também o deputado da Iniciativa Liberal, Ricardo Fernandes, levantou questões relacionadas com a transparência, nomeadamente a publicação de atas, afirmando que “os vizelenses têm o direito de acompanhar o que aqui se decide o mais breve possível”.
Na área da saúde, o mesmo deputado reconheceu o trabalho municipal, mas deixou questões sobre o futuro: “Na área da Saúde, é justo começar por reconhecer o trabalho da Câmara Municipal de Vizela. A requalificação do Centro de Saúde, aliada à descentralização de competências, permitiu não só melhorar as infraestruturas, mas também introduzir novos serviços que fazem a diferença no dia a dia dos utentes. É um exemplo concreto de como a descentralização traz melhores respostas. Mas há um dado político que não podemos ignorar. Durante anos, o Estado falhou em dar respostas às necessidades do concelho. E, perante essa ausência, foi o setor privado que avançou. O investimento do Grupo Trofa Saúde, vem aumentar a oferta e melhorar o acesso aos cuidados de saúde. Mas importa agora esclarecer (…) podemos contar com a abertura ainda este ano ou no próximo?”, questionou.
O presidente da mesa, Fernando Carvalho, justificou os atrasos com constrangimentos administrativos, sublinhando que “as atas têm de ser aprovadas antes de serem colocadas no site”. “Se me dissesse que faltam as atas todas do ano anterior, eu ficava triste. Agora assim, não”, acrescentou.
O presidente da Câmara desvalorizou a crítica e questionou a prioridade ao tema, afirmando que “se tem a possibilidade usar da palavra numa Assembleia Municipal (…) e a única questão que tem a colocar é perguntar da publicação, ou não, das atas que, estão praticamente em ordem, pontualmente atrasadas e à espera da aprovação dos respetivos órgãos, está, efetivamente, tudo resumido”.
Já Mário Pimenta, da Coligação Mais Vizela, destacou o investimento no Centro de Saúde, mas alertou para falhas na execução de políticas, nomeadamente nas bolsas de estudo: “O problema, neste caso, não é propriamente a medida, mas antes a sua execução (…) quando o apoio demora, a estabilidade desaparece e a ansiedade ocupa o seu lugar”.
Por sua vez, Bárbara Ferreira, do Movimento Vizela Sempre, sublinhou o trabalho do executivo, afirmando que “o empoderamento que Vizela hoje vive não é fruto do acaso, mas sim de uma estratégia que recoloca o poder local ao serviço direto das pessoas”.






