O Planeta está doente mas ainda tem cura

Pedro Oliveira

2023-02-09


A vida apareceu há 4.000 milhões de anos. O Homem há apenas 200 mil anos. A harmonia do mundo natural está cada vez mais vulnerável. Em 5 décadas alterou-se completamente a vida no Planeta Terra. A atmosfera e o ecossistema são mal tratados pelos humanos. Neste ano, em 2022 já somos 8.000 milhões de seres humanos. Dentro de 30 anos deveremos ultrapassar a barreira dos 10.000 Milhões. Os países e o Mundo em geral debatem-se com questões globais urgentes, como mudanças climáticas, segurança alimentar, envelhecimento da população e destruição ambiental. Com os níveis de crescimento populacionais que se avizinham e continuando a consumir ao mesmo nível predador e de intensidade com que o temos feito não haverá grande esperança em prolongar-se a presença da vida do Homem na Terra.
A Terra está ameaçada. E essa ameaça provém das mudanças climáticas e do aquecimento global, protagonizado pela ação do Homem. Nas últimas décadas, não houve a devida preservação do meio ambiente, gerando a extinção de inúmeras espécies da fauna e da flora. Existe uma degradação sócio-ambiental que está associada ao comércio internacional. A globalização sem regras promove a avidez pelo consumo “sem rei nem roque”...não podemos sacrificar os interesses pessoais imediatos em detrimento da sociedade como um todo, agora e no futuro. Sobressaem ameaças muito concretas sobre a humanidade, sobre a nossa sociedade e sobre os níveis civilizacionais alcançados.
Temos fundamentalmente que parar para pensar. Temos que reconstruir os alicerces sobre os quais a vida flui e prospera. E devemos em consciência, ao invés de sermos agentes de destruição dos ecossistemas, ser agentes ativos e conscientes da sua regeneração. Por isso, devemos adotar outro estilo de vida - com outros valores. Parece que à expansão do conhecimento corresponde o esvaziamento da sabedoria. Precisamos de uma revolução na consciência das pessoas, uma mudança de paradigma!
Qual é o estilo de vida e os níveis de consumo que cada um de nós adota no seu dia-a-dia? Será que é sustentável os níveis de consumo que protagonizamos, sem consciência e sem regras? Qual é o preço social e ambiental que estamos dispostos a custear?  Qual é a avaliação que cada um de nós faz em particular ou que todos no seu conjunto fazem sobre o grau de ameaça que paira sobre nós?
A sustentabilidade não é apenas ambiental é sobretudo comportamental. A sustentabilidade do meio ambiente diz respeito a cada um de nós. Não podemos continuar a consumir avidamente de forma despreocupada, delapidando os recursos ambientais e promovendo o desequilíbrio do meio ambiente. Devemos antever o futuro e imaginar o rumo que as nossas vidas e as nossas sociedades adotam perante as consequências das nossas decisões. é um direito que nos assiste enquanto Humanidade que todos colaboremos em prol da sustentabilidade ambiental. A Natureza tem limites e os seus recursos são finitos.
    Vivemos uma autêntica crise ambiental pouco compreendida e uma crise económica desigual. E por isso é dever de todos nós humanos, enquanto organizações mundiais, entidades públicas ou privadas, empresas, associações ONG´s e movimentos sociais, media e redes sociais, ciência e mundo académico discutir, dialogar e promover ações de proteção do meio ambiente, pois se o não fizermos é a própria humanidade que estará em risco.
Não podemos destruir o meio ambiente porque as futuras gerações devem usufruir dele em toda a sua dimensão. Todos temos direito a um meio ambiente sadio, desde logo, porque é essencial à qualidade de vida, vinculando assim, tanto os poderes públicos como os cidadãos o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. é antes de mais uma questão de justiça social, em que todos possam conseguir desenvolver as suas potencialidades de maneira equitativa e prolongada.
    O desenvolvimento sustentável, que alia os avanços tecnológicos à ideia de proteção ao meio ambiente, apresenta-se como um ponto de equilíbrio das relações entre o ser humano e a natureza, contudo, a problemática reside em como aplicá-lo efetivamente.  
    A Organização das Nações Unidas (ONU) elaborou uma lista de objetivos para se alcançar o desenvolvimento sustentável, protegendo o meio ambiente e a vida selvagem. A ONU, no ano 2015, estipulou dezassete objetivos de desenvolvimento sustentável, abarcados pela Agenda 2030, para que haja ações em proveito do planeta e da sua população.
 Um dos objetivos principais é o de até 2030 deverem ser garantidos padrões de produção de consumo sustentáveis, isto é, que não sejam agressivos à natureza com metas para que os recursos sejam geridos de uma forma sustentável. é por isso, fundamental reduzir o consumo, aumentar a reciclagem e reutilizar materiais ou produtos.
é fundamental a cooperação global em busca de uma sociedade com menos desigualdades, mais paz e pautada na sustentabilidade real. Uma sociedade sem projeto político, entregue às forças do mercado, muitas delas atuando ao revés de um ambiente sadio como uma espécie de forças ocultas, sugadas por uma espiral do «produzir cada vez mais» só pode levar a um crescimento das desigualdades sociais e a gravíssimas crises ecológicas e ambientais.
O planeta precisa de paz e harmonia. é urgente atendermos à dimensão do problema para que possamos no dia-a-dia tomar consciência do ponto onde nos encontramos atualmente. Atuar para um futuro justo e sustentável é disso que se trata. Este é talvez o maior combate civilizacional, um combate que diz respeito a todos e a cada um em particular. Trata-se de um combate político e social que afeta a comunidade na qual estamos inseridos, afeta o mundo global, afeta a humanidade e dele surgirá o mundo que queremos alcançar.