Não há lugares cativos
Francisca Silva
2026-07-09Não é segredo que a minha área no jornalismo não é o desporto. Ainda assim, como adepta de futebol, não consigo deixar passar em branco o fim da caminhada de Portugal no Mundial de 2026.
Como muitos portugueses, também eu sonhei. Acreditei que esta podia ser a competição em que tudo se alinhava. Mas o sonho terminou diante da Espanha. Um golo sofrido já para lá dos 90 minutos acabou com as aspirações portuguesas.
Entrámos no Mundial como candidatos. Falava-se da melhor geração de sempre, de um meio-campo extraordinário, de uma equipa preparada para conquistar o mundo. O talento individual nunca esteve em causa. Pelo contrário, poucas seleções podem apresentar tantas opções de qualidade em praticamente todas as posições.
O problema foi outro: uma equipa não vive apenas de nomes. Vive de identidade, de coragem, de liderança e de decisões. E foi precisamente aí que Portugal ficou aquém.
Houve uma frase, dita pelo relatador da RTP durante o último jogo, que me ficou na memória: "não pode haver lugares cativos". É difícil discordar.
Cristiano Ronaldo é, indiscutivelmente, uma das maiores figuras da história do futebol mundial. Aquilo que fez por Portugal dificilmente será igualado. Mudou mentalidades, elevou a Seleção a um patamar nunca antes alcançado e ajudou a conquistar os maiores títulos da nossa história. Merece todo o respeito, toda a gratidão e todas as homenagens. Este foi, muito provavelmente, o seu último Mundial.
Contudo, nenhum jogador, por maior que seja a sua dimensão, deve ser intocável. As decisões devem assentar naquilo de que a equipa precisa em cada momento, e não apenas naquilo que um jogador representou ao longo da carreira. Reconhecer isso não é desrespeitar Cristiano Ronaldo; é compreender que até os maiores chegam ao momento em que o coletivo tem de estar acima do individual.
O futebol continuará a dar-nos novas oportunidades. Haverá outro Europeu, outro Mundial e novas gerações prontas para assumir responsabilidades. Daqui a dois anos voltaremos a sonhar. E, dois anos depois, voltaremos a acreditar que o Mundial pode ser nosso.
Quanto a Vizela, nesta edição o RVJornal leva até si um suplemento especial dedicado à Romaria de São Bento das Peras, que celebra a sua 61.ª edição e continua a afirmar-se como uma das mais importantes tradições religiosas do concelho, reunindo fiéis e visitantes já neste fim de semana.
Destaco ainda a entrevista ao comandante dos Bombeiros Voluntários de Vizela, que faz um ponto de situação da preparação para o período mais crítico do ano em matéria de incêndios rurais. Numa conversa esclarecedora, aborda a importância da prevenção, da resposta operacional, identifica as zonas mais sensíveis do concelho e deixa vários apelos à população.
Desejo-lhe uma boa leitura e, para quem vai aproveitar estes dias de festa e de verão, um excelente fim de semana.





