Entre o passado e o presente, Vizela vive nas suas gentes

Francisca Silva

2026-03-26


Vizela assinalou 28 anos desde a sua elevação a concelho. São quase três décadas marcadas por história, identidade, persistência e crescimento; um percurso que não se explica sem o papel determinante das pessoas. Como foi recordado na sessão solene, “se não fosse aqueles Homens, Vizela não seria concelho”. Uma ideia simples, mas carregada de significado, que ajuda a compreender o verdadeiro sentido das comemorações do 19 de março.

A sessão solene voltou a ser um dos momentos centrais das comemorações, e foi um espaço de reconhecimento. A distinção atribuída a Juliana Sousa e Afonso Vieira, bem como as Medalhas de Mérito Municipal – Grau Prata entregues a Modesto Araújo, Paula Mainini, José Manuel Marques, Eduardo Guimarães e à Associação Desportiva S. Paio Sport Clube, traduzem isso mesmo: o valor de quem, de forma discreta ou visível, contribui diariamente para o desenvolvimento da cidade. São nomes que representam muitos outros, e que trazem consigo histórias de trabalho, dedicação e compromisso.

Mas, para lá da dimensão institucional, este foi também um dia especial a nível pessoal. Sendo o meu primeiro 19 de março “oficial” na Rádio Vizela, houve um nervosismo miudinho, próprio de quem reconhece a responsabilidade que tem em mãos. A manhã foi vivida com intensidade, ao lado da minha colega Zélia Fernandes, com quem tive o privilégio de levar aos ouvintes cada instante da sessão solene. E há algo de particularmente gratificante em fazer rádio nestes momentos: a sensação de que, através da nossa voz, conseguimos aproximar as pessoas daquilo que lhes pertence: a sua história, a sua terra, o seu orgulho.

Já perto do final, enquanto passava o último vídeo evocativo do 19 de março de 1998, partilhei em direto: “Não sou de Vizela, não era nascida nesta altura, mas estou completamente arrepiada a ver estas imagens”. Foi uma reação genuína. Porque há histórias que, mesmo não sendo nossas desde o início, acabam por nos tocar como se fossem.

Entre a história que se celebra e as histórias que se contam, há um ponto em comum: as pessoas. São elas que dão sentido às datas, às conquistas e à memória. E são essas histórias que continuam, todos os dias, a fazer de Vizela aquilo que é hoje.