Azul e Amarelo ou amarelo e azul?

Júlio César Ferreira

2023-03-30


Terminadas que estão as comemorações dos 25 anos da elevação de Vizela à categoria de concelho, cerimónias essas, com o brilho e pompa que merece a passagem do primeiro quarto de século da meta mais almejada, por todos os vizelenses e sempre sonhada por gerações avoengas e que nunca puderam sentir e usufruir da alegria e felicidade, que foi o ribombar dos canhões e o estralejar dos milhares de foguetes, que nesse dia glorioso, encheu os corações de todos aqueles que tiveram a dita de o presenciar. Entremos, pois, com confiança, sem alardes ou exibicionismos, sem polémica e sem chistes acintosos, disfarçados de pueris afrontamentos, no cerne do(s) motivo(s) desta despretensiosa crónica. Como constava do programa elaborado pela Câmara Municipal de Vizela (a exemplo daquilo que já tinha sido feito aquando das comemorações dos 20 anos), foram distribuídas por todas as moradias do concelho cerca de 10 mil bandeiras com as cores e o brasão de armas do concelho. 
Alguém, atento, possivelmente, verificou que em relação a bandeiras anteriores a ordem das cores (azul e amarelo) estavam alteradas e vai daí… “Aqui del rei”, “Erro crasso”, “asneira”, gritou-se por todas as redes sociais cá do burgo. Erro... Sem dúvida. Erro em algum momento. Ou agora ou antes e desde sempre. Que se louve a perspicácia e a atenção de quem alertou para tal. Até aqui estamos todos de acordo, mesmo não concordando com o erro CRASSO, como se pretende, dando a um pequeno engano, uma dimensão que não merece e, mais, facilmente se desculpa, atendendo que, desde que começou esta luta, muitas foram as bandeiras com as cores azul e amarelas, um tanto à vontade de quem as confecionava ou estampava. 
Só me custa aceitar o termo “crasso”.
 Este termo, deve ser somente usado quando o erro resultar em prejuízo irremediável, com gravosas consequências para o presente e para o futuro. O que não é o caso. Ninguém morreu e as consequências não são de molde a prejudicar o que quer que seja.
A expressão em causa, nasce de uma má decisão militar de um general e politico romano de nome Marco Licínio Crasso, que confiando nos 50 mil homens que comandava, perseguiu os seus inimigos através de um desfiladeiro fino e extenso e de pouca visibilidade, acabando emboscado no estreito vale, com o massacre de todo o exército, incluindo o próprio Crasso.  
Posto isto, vamos ao cerne da questão: Azul e Amarelo ou Amarelo e Azul? Vejamos o que nos diz a Comissão de Heráldica dos Arqueólogos Portugueses, que é quem a proposta de ordenação Heráldica do brasão e bandeira a ser aprovada pela Assembleia da Republica. A primeira coisa a reter, é que o brasão e a bandeira de Vizela, carece ainda e desde 2004, da aprovação em sede da Assembleia da Republica. E porque não foi ainda aprovada? Porque o municipio, não adoptou a proposta emanada da Heráldica, uma vez que esta, atropelava toda a história de Vizela, toda a divisa pela qual gerações de vizelenses se tinham debatido. Que nos diz, então, a dita proposta e que – muito bem – não foi aceite pelo municipio,
“Armas: Escudo de ouro, fonte heráldica de azul e prata, circundada de uma coroa de louros romana, de verde, frutada de ouro; em contrachefe ponte romana de três arcos de negro, lavada a prata, movente dos flancos e sainte de um pé ondado de azul e prata de três tiras. Coroa Mural de prata de cinco torres. Listel branco com a legenda a negro VIZELA” “Bandeira: Gironada de oito peças azul e amarelo. Cordão e bordas de ouro e azul. Haste e lança de ouro”.
Como se verifica, a proposta ia, frontalmente, contra aquilo que é a génese de Vizela e que a comissão não evoca: a Ponte Romana, a Vizela Romana e as águas Termais.
é maís uma tarefa que o atual executivo terá que deitar mãos, como o tem feito em outras situações. Legalizar os símbolos heráldicos do concelho que, depois de aprovada em sede da Assembleia Municipal, deverá ser remetida para a AR. https://www.heraldicacivica.pt/viz.html#gsc.tab=0