Vizelense Paula Magalhães esteve como é no Alta Definição

A vizelense Paula Magalhães esteve em entrevista no programa “Alta Definição” neste sábado, dia 15 de Março. A atriz partilhou momentos marcantes da sua vida, revelando o impacto da sua educação e a trajetória que a levou a Lisboa em busca do seu sonho: ser atriz.

 

A infância de Paula Magalhães foi simples, mas rica em experiências que a marcaram profundamente: “Cresci a fazer vindimas com os meus avós, a ir apanhar o feno para dar aos coelhos, a alimentar as galinhas”, recorda. A sua avó foi uma figura central na sua vida, não só como cuidadora, mas como educadora. Paula considera que foi ela quem a moldou, tanto na sua personalidade como na sua visão de vida. A morte da avó deixou-lhe um vazio imenso: “Foi um drama muito grande. A minha avó era o pilar da minha família”.

Influenciada pela irmã, Bruna Magalhães, pela avó e pelos pais, a atriz afirma ter ido contra o sistema com estes, e conta-nos a história de como ingressou no teatro partindo da sua rebeldia: “Eu entrei no teatro aos 12 anos porque o meu irmão andava na música, e eu queria muito pertencer a uma coisa, mas também não queria pedir aos meus pais, então, por rebeldia, inscrevi-me no teatro da escola sem eles saberem porque não precisava da permissão deles. Sempre fui uma revolucionária da minha própria vida”.

Proveniente de uma família humilde e trabalhadora, Paula Magalhães retratou um episódio marcante na vida dela: “Eu lembro-me que, devia ter uns seis/sete anos, o meu pai abriu uma oficina debaixo da nossa casa, ou seja, era a garagem da nossa casa, era uma coisa bem pequena. Eu lembro-me de ter chegado da escola, na altura não estava ninguém a trabalhar, a garagem estava aberta, e estava um silêncio absurdo. O meu pai estava sentado numa cadeira com as mãos na cabeça, a oficina tinha incendiado e o meu pai estava a chorar. Eu lembro-me de ter visto essa imagem, de ter abraçado o meu pai, de estar a chorar e ter dito - Pronto, pai, não faz mal - nem tinha percebido muito bem o que tinha acontecido. No dia seguinte, às oito da manhã, a oficina estava aberta, o meu pai estava a trabalhar.”

“Eu sou mais de ações do que de palavras. As palavras são bonitas, mas também passam rápido”, conta a atriz a Daniel Oliveira. Quando questionada sobre uma lembrança de um gesto de amor dos pais para com ela, a atriz responde: “Primeiro, a minha educação, sem dúvida, eles esforçaram-se muito para eu ter um curso superior, para eu seguir os meus sonhos, ser uma mulher livre. E o segundo, eles nunca me fecharam a porta mesmo quando eu decidi que vinha para Lisboa e que, de repente, ia ser atriz”.

Paula Magalhães sempre teve uma relação maravilhosa com a avó, considerando-a o pilar da família. A atriz afirma ter um vazio que nunca se colmata após a morte desta figura maternal. A avó contraiu pneumonia quatro dias depois de a neta a ter visitado e levado a apanhar sol, o que a fez questionar-se se, de algum modo, teria sido responsável pela sua morte.

Relembrando a sua infância e evocando um momento marcante e difícil da sua vida, Paula volta atrás no tempo até à adolescência, onde, numa entrevista na televisão nacional, conta os episódios de bullying que sofreu: “Houve ali uma época, eu não sei muito bem explicar-te porquê, que eu sofri bullying dos sete, mais ou menos aos nov. O fato de eu ter sofrido bullying, depois aos dez anos, quando eu fui para o ciclo eu comecei a fazer bullying como uma espécie de defesa mas isso moldou completamente a minha personalidade (…) eu ainda sinto que sou uma adulta que quer agradar mas que queria excessivamente agradar e não queria dar problemas (…) Eu própria fiz bullying o que não é de todo certo, mas era mesmo para me defender, acho que ganhei a aversão a ser a vítima”. “é uma aldeia e os dois miúdos que viviam ao meu lado vinham comigo e azucrinavam-me durante a viagem toda, aqueles cinco minutos eram um pânico para mim, eu começava a correr eles iam atrás de mim e pegavam na minha mochila atiravam a minha mochila para longe, puxavam-me os cabelos, era uma coisa completamente gratuita, eu acho que olharam para mim como o elo mais fraco”, acrescenta. 

Licenciada em enfermagem veterinária e, na altura, a exercer funções como anestesista veterinária, cargo de topo para a sua formação, a vizelense perdeu o gosto pela área devido ao desgaste psicológico e emocional, à remuneração, mas também devido à rotina: “O que é que eu ia fazer mais? Já estagnei e eu não gosto de sentir que estou estagnada no que quer que seja”. Paula Magalhães confessa que sempre gostou da representação mas que nunca tinha pensado em ser atriz porque, para ela, não era um caminho possível na realidade onde vivia mas a vontade de mudar levou-a a decidir mudar de rumo aos 18 anos. “Pesquisei no Google como ser atriz, e encontrei a Escola de Atores em Lisboa e pensei: é por aqui (…) e só apresentei a minha carta de demissão”.

A sua mudança para Lisboa foi difícil, uma vez que se sentia muito ligada à sua família no norte de Portugal. “No início foi muito difícil estar em Lisboa, eu nem gostava da cidade, sentia falta do norte”, confessa referindo-se a Vizela. No entanto, apesar de não ter entrado no Conservatório a que se tinha candidatado, a atriz nunca desistiu e, com determinação, começou a construir o seu caminho na representação, fazendo um curso pós-laboral na ACT – Escola de Atores, complementando sempre com outros trabalhos. A caminhada para a carreira de atriz não foi fácil: “Quando estás a lutar por alguma coisa és uma sobrevivente, tu quer ser visto, tens de ser visto, tens de te pôr nos sítios certos, sempre tive essa lata, eu acho, sem ultrapassar ninguém, sem pisar ninguém”.

O início da sua carreira foi desafiante. Paula lembra-se da pressão de trabalhar com grandes nomes da televisão, como Sandra Faleiro e Marco Delgado, na sua estreia “Prisão Domiciliária”: “Foi assustador, não queria falhar. Era o meu primeiro trabalho e sabia que ali cometeria os meus primeiros erros”. Para ela, o brilho das luzes não a ofusca, “Sei que hoje estou lá em cima, mas amanhã posso estar lá embaixo. Não me deixo iludir”.

Já a terminar a entrevista, Daniel Oliveira interpela-a com a icónica frase “O que dizem os teus olhos?”, ao qual a atriz responde “No dia em que eu parar de sonhar, morri”. 

Paula Magalhães é atriz da SIC e participou nas séries “Prisão Domiciliária”, “Irreversível”, “Os Eleitos” e “O Clube”, no filme “Chuva de Verão” e mas também na novela “Por Ti”, onde começou carreira, e está atualmente na novela “A Promessa” na qual contracena com o namorado Diogo Martins.

 

*Texto de Beatriz Martins

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