“Tagilde é uma terra com muita história e identidade”

Cristina Coelho foi eleita, no passado dia 12 de outubro, presidente da Junta de Freguesia de Tagilde, pelo Movimento Vizela Sempre, assumindo a liderança do primeiro executivo da freguesia após a desagregação da União de Freguesias de Tagilde e Vizela (S. Paio). A nova autarca integrava há oito anos o executivo da antiga união, então presidido por António Ferreira, atual presidente da Junta de Freguesia de S. Paio.

Este regresso à autonomia administrativa marca um novo ciclo político no concelho de Vizela, após um processo há muito reivindicado pela população. Em entrevista à Rádio Vizela, Cristina Coelho faz um balanço dos primeiros meses de mandato, aborda as prioridades definidas e projeta o futuro da freguesia.

Estas eleições aconteceram num contexto muito particular, após a desagregação da União de Freguesia de Tagilde e Vizela (S. Paio). Que significado tem este momento para a freguesia?

Foi uma agregação feita em 2013, imposta pelo Governo de então, contra a vontade da população, quer de Tagilde, quer de S. Paio. Na altura, os executivos das duas freguesias uniram esforços para não agregarem, mas sem sucesso, e foram obrigados a fazê-lo. Agora tivemos a possibilidade de desagregar, fizemos essa participação ao senhor presidente da Câmara Municipal de Vizela, o doutor Victor Hugo Salgado, que reconheceu que era vontade de um povo e que se tratava de duas freguesias completamente distintas. O presidente António Ferreira reuniu com o executivo e tratámos toda a burocracia exigida pela Administração Central, cumprindo os prazos que nos foram impostos, e assim conseguimos a desagregação.

Apesar da agregação, Tagilde foi crescendo e desenvolvendo-se enquanto União de Freguesias?

Sim. Tagilde começou a desenvolver-se por volta de 2015, quando António Ferreira assumiu a presidência da Junta de Freguesia, após renuncia de Paula Lima. A partir de 2017, quando concorremos e ganhámos as eleições, a freguesia evoluiu bastante ao nível do desenvolvimento.

Como encontrou a freguesia e como estão a decorrer os primeiros passos do novo executivo?

Estão a correr muito bem, porque a freguesia foi muito bem liderada nos últimos oito anos. Eu já sabia exatamente como estava a situação da freguesia e agora é dar continuidade ao bom trabalho que tem sido feito. O executivo coopera muito bem, temos expectativas altas.

Quais são as prioridades definidas para o mandato?

São pequenas reparações que ajudam muito as pessoas que vivem nessas ruas. Temos prevista a requalificação da Ladeira do Rujal, do Beco do Ouzão, do Beco das Veigas e da Ruela de Sub-Carreira. São intervenções que parecem pequenas, mas para quem lá vive são muito importantes. Existe também um projeto para requalificar o Largo de São Gonçalo e o Penedo de São Gonçalo, mas essa já será uma obra a realizar com o apoio da Câmara Municipal.

Relativamente à nova centralidade de Tagilde, anunciada em campanha, em que ponto está o processo?

Estamos a fazer o levantamento dos terrenos e a iniciar negociações com os proprietários. Será uma obra de grande dimensão, desde a Ponte da Aliança até à zona em frente ao Pedro dos Pneus. Envolve muitos proprietários e vai exigir muita negociação, mas será a obra do mandato. Será uma obra demorada, mas espero conseguir concluí-la e inaugurá-la antes do final do mandato.

E quanto à zona envolvente à capela de São Gonçalo?

O Largo de São Gonçalo precisa de uma requalificação. Já temos um arquiteto a trabalhar num projeto, que será apresentado ao presidente da Câmara, porque é uma obra com um custo elevado e a Junta não tem capacidade financeira para a executar sozinha. Gostava muito de a inaugurar em junho, aquando das festas de S. Gonçalo.

Ao nível da rede viária, quando poderá avançar a pavimentação da ligação da Rua da Boavista à Rua de S. Bento?

Provavelmente em 2027. Foi uma rua que se abriu no mandato anterior e ficou a endurecer; agora queremos pavimentar, mas é uma rua extensa e uma obra financeiramente exigente. Em 2026 já temos outras obras projetadas e, em 2027, espero iniciar e concluir a pavimentação dessa ligação.

A criação de uma creche continua a ser uma prioridade para este mandato?

Sim, é uma das prioridades. Temos crianças a nascer, casais novos a fixarem-se na freguesia e as creches estão sobrelotadas. Queremos muito criar uma resposta que dê apoio às famílias.

O apoio à natalidade, com a oferta do cabaz ao recém-nascido, vai continuar?

Sim, é uma ação para continuar. O que damos é pouco, mas para quem recebe é muito, e é um incentivo que os pais valorizam. É notória a satisfação quando recebem o miminho.

Na área da educação, que passos estão a ser dados para acabar com as turmas mistas na Escola Básica de Tagilde?

Já falei com a coordenadora da escola, a professora Paula Marques, e vamos reunir com o Agrupamento de Escolas de Infias. A escola tem boas condições e estamos a investir nela para atrair mais alunos e garantir a sua continuidade.

Que respostas pretende criar ou reforçar para a população mais idosa e vulnerável?

Gostava muito de criar um centro de dia. Existem pessoas que vivem sozinhas e seria importante terem um espaço onde pudessem conviver e passar o dia acompanhadas. Para isso, será fundamental o apoio da Câmara Municipal. Queremos um espaço para que essas pessoas consigam estar entre elas mais tempo durante o dia para não terem a solidão dos dias de hoje que passam em suas casas.

Ao nível da ação social, que medidas estão a ser desenvolvidas?

Estamos a fazer um levantamento das pessoas mais carenciadas da freguesia e queremos dar continuidade ao cabaz solidário, além de procurar outras formas de apoio. Existe procura por habitação social, mas essa competência depende da Câmara Municipal. Ninguém queria as habitações sociais, mas agora são muito pedidas. Sabemos que agora não temos projeto para a aquisição das habitações sociais, porque isso é um orçamento que vem do Estado para esse fim; e o orçamento que estava destinado para Tagilde, já foi gasto no mandato anterior nas habitações que se contruiu. Vamos continuar a reunir esforços para tentar dar resposta a estas necessidades. (…) Há famílias a precisar das habitações sociais. Até porque perto das habitações sociais, está a nascer um lote de casas e as pessoas pensam que essas casas são para habitações socias; e dirigem-se à Junta de Freguesia a perguntar se são e a referir que querem uma. Aviso que não, que aquilo é a título particular, e não tem nada a ver com a cariz habitacional das habitações sociais. Peço sempre para as pessoas se dirigirem à Câmara Municipal, na ação social, e escreverem-se. Porque mediante a procura que tem, o senhor presidente vai analisar para fazer o pedido das habitações para que consigamos mais para Tagilde.

A Junta tem também prestado apoio administrativo à população?

Sim. Ajudamos no preenchimento do Complemento Solidário para Idosos, nas declarações do IRS, nas matrículas escolares, porque tem de ser online e nem todas as pessoas tem acesso à internet ou computador em casa. Nós ajudamos nesse sentido e em tudo o que as pessoas necessitarem a nível de qualquer preenchimento, de qualquer requerimento, seja qual for, nós ajudamos.

No âmbito do programa Mais Saúde, que serviços já estão disponíveis em Tagilde?

Temos um posto de enfermagem a funcionar uma hora por semana, às quintas-feiras, das 20h00 às 21h00. Estamos também a tentar trazer apoio de ontopsicologia, porque sabemos que existem pessoas a enfrentar a doença oncológico e esse acompanhamento é muito importante. (…) Nós percebemos no terreno o que é que se passa. Sabemos que cada vez mais acontecem este tipo de problemas de saúde; é um problema que já é difícil de abordar e, por vezes, a pessoa que sofre essa doença, não quer abordar ou tenta passar ao lado sem dar muita conversa. Mas nós sabemos que existe; e se tivermos esse apoio na Junta de Freguesia, para elas é mais fácil, vão na hora que nós pusermos o atendimento e, sem ter de passar por mais ninguém, a não ser a própria psicóloga, conseguem atenuar um bocadinho a dor da doença.

É esse o papel que a Junta de Freguesia pretende desempenhar na proximidade com os cidadãos, mas também com associações e instituições locais; ter um papel de proximidade?

Esse é o nosso intuito; é ter esta proximidade com qualquer instituição. Estamos a colaborar com a Associação de Pais de Tagilde, com o Futebol Clube Tagilde, já falei também com o presidente de uma instituição e de outra, para sempre que precisarem de ajuda, para requererem à Junta de Freguesia; se não vierem fazer esse requerimento, nós não sabemos se eles estão a precisar ou não de ajuda. Atribuímos o subsídio, ajudamos naquilo que precisam, mas é muito mais fácil para nós, eles virem à Junta de Freguesia e dizerem que precisam de ajuda; e nós estamos lá para ajudar nesse sentido.

O turismo tem vindo a crescer na freguesia?

Sim. Temos cada vez mais visitas ao Tratado da Aliança, à Igreja e à Fonte de S. Gonçalo. Contamos com pessoas da freguesia, como a senhora Oliveirinha e o senhor Miguel Miranda, que recebem os visitantes e explicam a história e as tradições de Tagilde; falam sobre o Tratado, contam o porquê daquele Tratado ter sido feito ali e que ainda vigora nos dias de hoje, um tratado com mais de 650 anos; contam também a lenda de S. Gonçalo, porque foi ali que nasceu S. Gonçalo.

Como gostaria de ver Tagilde daqui a quatro anos?

Uma freguesia com mais crescimento, mais população, bonita e limpa. O ambiente é muito importante, até porque temos turismo. Queremos que, quem nos visita, sinta que Tagilde é uma terra cuidada, com muita história e identidade.

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