“Ser Cíclica” arranca em fevereiro em Moreira de Cónegos
A Junta de Freguesia de Moreira de Cónegos anunciou o lançamento do projeto Anima Natura – “Ser Cíclica”, uma iniciativa dirigida a mulheres com mais de 60 anos, que visa a partilha de experiências de vida e memórias pessoais inspiradas nos ciclos da natureza — as quatro estações, os elementos naturais, as direções e as fases da Lua.
Integrado no âmbito da Capital Verde Europeia, o projeto foi aprovado pela Comissão da Comunidade Guimarães 26 e tem início marcado para o próximo dia 04 de fevereiro. As atividades decorrerão na Escola da Igreja, todas as quartas-feiras, entre as 15h30 e as 17h00, ao longo dos meses de fevereiro e março.
A responsável pelo projeto, a professora Rosana Pereira, começou por explicar em que consiste esta iniciativa: “ “Ser Cíclica” é uma proposta de um projeto que se chama Anima Natura, que é um projeto pessoal que tenho vindo a desenvolver desde 2020, e que tem a ver com o trabalho com os nossos séniores, em que nos sentamos à volta da mesa e, a partir de ideias e conceitos, vão nascendo sensações e emoções que depois passam a ser reproduzidas através de diferentes áreas artísticas. Nesta proposta, o tema foi mais direcionado para a questão da natureza e das estações. Falar da questão cíclica da natureza e da lua. Como normalmente são mais mulheres, fazemos aqui uma ligação entre essa ciclicidade fora e a ciclicidade dentro, e resultam coisas muito bonitas. Agora decidi levar a proposta para a Capital Verde Europeia e ao ser aprovada, vou poder levar esta proposta para outros sítios, para outras vilas da cidade.”
A promotora revelou ainda como surgiu a ideia de criar este projeto e quais foram os seus principais objetivos. “Isto foi mesmo um projeto pessoal, fui eu que criei na altura, depois de ter sido mãe, que também me levou a muitas questões. Inicialmente eu tinha criado a dança Natura, e depois houve uma necessidade de criar o Anima Natura em que eu, enquanto animadora sociocultural, podia abarcar mais áreas artísticas com as quais me identifico, como a música, teatro, as artes plásticas, e basicamente foi daí. O objetivo, para além de ser criar o meu projeto, a minha ideia, a questões que eu tinha que queria transmitir à comunidade, também tive a necessidade de criar o meu projeto para chamar à consciência da natureza. A palavra Natura está aqui, não é por acaso, porque realmente eu dentro das áreas artísticas sempre fui direcionando-me mais para as chamadas de atenção do nosso planeta, da natureza, dos animais, das plantas, de toda a ciclicidade da vida. Este projeto é mais direcionado para séniores, mas também ele pode ser replicado e trabalhado com toda a gente. Inclusive eu cheguei a fazer este projeto com pessoas e crianças, com necessidades especiais, assim como também com crianças em escolas, sendo eu professora de artes performativas, também acabo por levar um bocadinho disto.”
Rosana Pereira destacou também o impacto que espera que o projeto tenha na vida das mulheres séniores da freguesia. “Eu comecei realmente a fazer uma triagem das idades e do escolher só mulheres, porque realmente, primeiro são elas que costumam procurar mais, mas agora foi mesmo uma questão de assumir essa procura, porque acho que realmente é mesmo necessário as conversas que depois fluem nos encontros. Estas mulheres nem sempre têm voz e sítio para falar e mais do que uma mostra artística, isto tem mesmo que ver com um encontro de partilha de saberes. O impacto esperado é que realmente estas mulheres resgatem esses saberes e possam ter um sítio de conforto e de confiança, onde possam estar à vontade para falar sobre temas às vezes um bocadinho mais profundos que são tão importantes e que é preciso serem registados.”
Dos encontros irá resultar a produção de um documentário e uma apresentação pública que, segundo Rosana Pereira, irão dar voz às histórias partilhadas ao longo do projeto, acrescentando ainda: “Nestas partilhas, nestes encontros, podemos chegar à conclusão de que há um tema que é mais transversal a todas. Vamos chegar a algo que é preciso ser partilhado naquele grupo, a ideias principais dentro das vivências delas e, para além disso, penso que também pode ajudar bastante na autoestima e na confiança de poderem pôr em palavras, em movimento, coisas que às vezes querem dizer e que são silenciadas. Este vídeo vai ser um registo de todas as sessões, para que depois também não fique só pela apresentação, que acaba por ser um momento um bocado mais efêmero, mas criar um registo que possa ficar viva e mais presente a memória.”
O “Ser Cíclica” decorre já na próxima quarta-feira, dia 04 de fevereiro, e as inscrições já se encontram abertas na Junta de Freguesia de Moreira de Cónegos.







