Rui Freitas: "Esta vitória não é só minha, é de todos nós"
Rui Freitas, rosto bem conhecido dos vizelenses e membro da banda 4Mens, conquistou o público português ao vencer a terceira edição do programa Primeira Companhia, emitido pela TVI. A vitória, alcançada após 51 dias de exigentes desafios, foi confirmada na final de 20 de fevereiro, conduzida por Maria Botelho Moniz, com o músico a reunir 67% dos votos frente à concorrente Soraia Sousa.
Logo no início da conversa, o músico fez questão de sublinhar o papel determinante da sua terra natal: “Quero agradecer a Vizela e a todos os vizelenses que sei que foram a grande base desta minha vitória. Aliás, esta vitória não é minha; é uma vitória que muito foi daqui de Vizela e de todos os vizelenses, todos os meus amigos.”
Recorde-se que o formato televisivo, que regressou este ano após duas edições exibidas em 2005, colocou um grupo de concorrentes num ambiente que replica a vivência militar. Durante várias semanas, os participantes assumiram o papel de recrutas, sujeitos a uma rotina exigente marcada por disciplina, hierarquia, treino físico intensivo e tarefas diárias dentro de um quartel, sempre sob supervisão de um comandante.
Para Rui Freitas, o convite surgiu de forma inesperada, mas rapidamente aceite: “Foi com alguma surpresa minha. Ligaram-me a questionar se eu tinha interesse em entrar na Primeira Companhia. Fiquei logo muito contente. Era algo que já desejava há muitos anos, entrar num reality show. A parte militar também foi uma coisa que sempre me interessou.”
Apesar do entusiasmo, a decisão não foi isenta de receios, sobretudo tendo em conta a carreira de duas décadas com os 4Mens. “Aquilo que às vezes se constrói em 20 anos pode ser destruído em dois minutos. Havia esse receio, mas sempre tive muito apoio da banda, da família e dos amigos”, explicou.
Dentro do programa, o impacto inicial foi desafiante, marcado pela pressão e pela ausência total de contacto com o exterior. “Uma das grandes dificuldades lá dentro é não termos perceção absolutamente nada do que se passa cá fora. Zero. Não sabemos qual é a imagem que está a sair”, referiu, acrescentando: “A minha maior felicidade é saber que fui eu lá dentro e que, de forma natural, as coisas correram bem.”
A exigência física e psicológica marcou a experiência. Entre os momentos mais duros, Rui recorda um exercício sob chuva intensa: “Tinha os dedos completamente gelados, sem sentir nada. Lembro-me de pensar: ‘o que é que estou aqui a fazer? Estava tão bem no meu sofá’. Foi muito sofrido.” Já ao nível psicológico, destacou a constante vigilância: “O facto de estarmos a ser observados 24 horas por dia, com câmaras e microfones em todo o lado, foi muito difícil.”
Ainda assim, os momentos positivos prevalecem na memória do vencedor. A conquista da medalha de valor militar e a chegada à final são apontadas como marcos importantes. “Quando recebo a medalha é uma satisfação enorme. E depois, claro, a vitória é o momento mais alto, é indescritível”, sublinhou.
No instante decisivo, ao ouvir o seu nome como vencedor, Rui Freitas descreve uma mistura de emoções. “Foi uma gratidão imensa e um alívio saber que alguma coisa fiz bem. Se me dissessem antes que ia ganhar com esta percentagem, eu diria que não era possível.”
A mobilização de Vizela revelou-se determinante ao longo do percurso, com uma onda de apoio que superou as expectativas. “Vizela reuniu-se de uma maneira que eu não estava à espera. Foi incansável. Vou estar eternamente grato.”
O regresso à realidade tem sido intenso, com uma agenda preenchida por concertos, entrevistas e compromissos profissionais. “Tem sido tudo a mil, mas pelas melhores razões. Tenho sentido uma onda de carinho incrível, inimaginável”, afirmou.
4Mens celebram 20 anos com concerto especial no Porto
A vitória trouxe nova projeção aos 4Mens, abrindo portas a atuações fora da habitual zona de atuação, incluindo um espetáculo já confirmado no Algarve.
Entre os projetos em destaque está um concerto especial no Coliseu do Porto, agendado para 02 de maio, que assinala os 20 anos de carreira da banda. “Vai ser o espetáculo das nossas vidas. É o culminar de 20 anos de trabalho e estamos a preparar muitas surpresas”, revelou.
Com novos contactos e oportunidades a surgir, Rui Freitas acredita que esta experiência contribuiu para alargar horizontes. “O objetivo era dar mais visibilidade ao projeto e isso foi conseguido. Estão a acontecer coisas muito boas.”
O artista vizelense deixou ainda uma mensagem final à sua cidade: “Vizela é onde nasci, onde quero viver o resto da minha vida. Vou estar eternamente grato pelo apoio. Como disse lá dentro, Vizela é assim e eu vou estar até ao fim.”







