Rotary aposta em projeto para a AIREV

No passado sábado, 25 de julho, o programa Especial Informação, da Rádio Vizela, recebeu Rui Dias, presidente cessante do Rotary Club de Vizela, que assume agora o cargo de vice-presidente, e José Abreu, que regressou à presidência do clube para o ano rotário 2026-2027. A conversa serviu para fazer o balanço do último mandato e conhecer as principais prioridades para o novo ano, com destaque para o projeto de equipamento da futura estrutura residencial da AIREV.

 

Rui Dias, terminou agora um ano à frente do Rotary Club de Vizela. Que balanço faz deste mandato?

RD: Foi um ano desafiante, com muitos projetos, e também marcado por uma conjuntura nacional e internacional complicada. Em termos gerais, foi um ano positivo. (…) O plano de atividades que apresentámos foi cumprido quase na totalidade. O único objetivo que não conseguimos concretizar foi manter ou aumentar o número de sócios representativos. Também um bocadinho fruto desta conjuntura de incerteza em que vivemos, em que quem abraça o movimento rotário tem de o fazer de uma forma consciente e cada vez é mais difícil encontrar pessoas. Elas existem, só que é difícil, porque temos de abdicar, queiramos quer não, do nosso tempo e do nosso conforto, e temos de dedicar algum tempo a causas que nos são mais próximas.

A entrada de novos elementos continua a ser um desafio para o Rotary?

RD: O Rotary é constituído por pessoas de diferentes profissões e setores de atividade. Nós temos engenheiros, professores, médicos, arquitetos… e a admissão e a renovação do quadro social são algo que nos preocupa sempre. Temos uma média de idades abaixo da do distrito, mas queremos continuar a atrair novas pessoas, com novas visões e novas vontades. É um desafio permanente, porque fazer parte do movimento rotário é dar de si, sem pensar em si.

E o que pode ser feito para aproximar mais pessoas do clube?

RD: Temos de dar visibilidade ao trabalho do Rotary e dar-nos a conhecer. O clube é uma organização aberta e as portas estão sempre abertas. As pessoas podem vir conhecer-nos, participar numa reunião e perceber o que fazemos. Reunimos às quartas-feiras, na Casa das Coletividades, e fazemos esse apelo: venham conhecer o Rotary.

Terminou agora a sua presidência, mas vai continuar ligado à direção, assumindo o cargo de vice-presidente?

RD: Sim. Por inerência, no Rotary temos este modelo. Elegemos com antecedência de três anos: temos o presidente eleito, o presidente em exercício e o vice-presidente, neste caso, eu, como presidente anterior. Temos também um segundo vice-presidente, que é o presidente já eleito para o próximo ano. É um trio, um núcleo duro, porque os projetos do Rotary são, normalmente, projetos de continuidade, pensados e organizados, e muitas vezes um mandato de um ano não é suficiente. Neste mandato que exerci, começámos um projeto que já submetemos a um subsídio global, que vai buscar financiamento ao movimento Rotary no estrangeiro. Temos um memorando de entendimento assinado por mim, pelo atual presidente, José Abreu, e pelo Bruno Ribas, que será o próximo presidente. É um projeto que vai ter continuidade e dar trabalho por mais do que um mandato. É assim que temos organizado o nosso clube, com três presidentes bem identificados.

José Abreu, regressa agora à presidência do Rotary Club de Vizela, 16 anos depois. O que significa assumir novamente esta função?

JA: Não era o ano mais indicado para mim, mas o clube merece o respeito e as pessoas também. Vamos trabalhar e dar continuidade aos projetos que já existem, mas também avançar com novas iniciativas. (…) Este ano, para mim, é um tema importantíssimo: criar impacto duradouro. É isso que eu gosto de fazer ao longo da vida. Gosto de fazer algo que seja duradouro. O lema “Dar de si antes de pensar em si” nunca mais vai ser esquecido por nenhum dos companheiros, nem pela opinião pública. Foi um dos lemas mais importantes do clube rotário, mas este ano, criar impacto duradouro, para mim, é importantíssimo e esperamos fazer isso.

 

AIREV é uma das prioridades do novo mandato

Uma das grandes prioridades do novo mandato é o projeto destinado à futura estrutura residencial da AIREV. O que está previsto?

JA: É uma das grandes prioridades. Queremos equipar a futura estrutura residencial da AIREV, que terá capacidade para 30 utentes. Estamos a falar de um projeto internacional que ultrapassa os 80 mil euros e que vai exigir o apoio de várias entidades. Existem regras muito rigorosas e é necessário reunir todos os orçamentos e cumprir todos os requisitos. Já temos contactos e apoios de outros clubes e países, por exemplo, de Espanha e do Brasil, e também do distrito 1960, na zona de Lisboa. Mas acreditamos que, com o esforço de todos, vamos conseguir concretizar este projeto.

Que importância tem esta iniciativa para o Rotary Club de Vizela e para a própria AIREV?

JA: É um projeto muito importante. A AIREV desenvolve um trabalho extraordinário com pessoas que precisam de apoio e nós queremos ajudar a criar condições para que tenham uma resposta adequada. A futura residência vai acolher 30 pessoas e será fundamental para utentes que, no futuro, poderão deixar de ter o apoio familiar de que necessitam.

Rui Dias, como surgiu esta aposta na AIREV?

RD: O projeto nasceu de uma situação que estava à vista de todos. O novo edifício da AIREV está concluído, mas a área destinada à residência está vazia. Quando a governadora do Rotary visitou Vizela, em fevereiro, mostrámos-lhe essa realidade. O Rotary não pode intervir diretamente na construção, mas pode apoiar o equipamento de uma estrutura residencial. Foi aí que decidimos avançar com este projeto, que será o primeiro projeto do Rotary Club de Vizela a ser desenvolvido através de um subsídio global.

Este projeto mostra também a ligação do Rotary às instituições do concelho…

RD: Sim. O Rotary Club de Vizela orgulha-se de colaborar com várias instituições e escolas. Procuramos estar sempre disponíveis para criar parcerias e desenvolver projetos que tenham impacto. No caso da AIREV, percebemos que havia uma necessidade concreta e decidimos avançar. Queremos que seja um projeto sustentável, que tenha continuidade e que produza um impacto duradouro.

José Abreu, este será então um dos grandes compromissos do novo mandato?

JA: Sem dúvida. É talvez um dos maiores projetos do clube em termos financeiros e queremos levá-lo avante. Mas precisamos do apoio de toda a comunidade. Deixo o desafio aos industriais, comerciantes e associações. Se cada um contribuir com um pouco do seu esforço, acreditamos que será possível concretizar este projeto, juntando também os apoios nacionais e internacionais que estamos a procurar.

E como veem o Rotary Club de Vizela nos próximos anos?

JA: Queremos continuar a crescer e, sobretudo, trazer pessoas novas para o clube. (…) O companheirismo e a importância que temos fazem-me estar convencido de que, este ano, vai ser possível trazer mais gente para o nosso clube. (…) Os projetos são aquilo que nos move e que nos deixa felizes, porque sabemos que estamos a investir nas pessoas e na comunidade. (…) Com boa vontade, alegria e disponibilidade, vejo com bons olhos que vai ser possível engrandecer e continuar o nosso clube.

RD: O clube é composto por pessoas, todas elas diferentes, todas elas têm uma profissão e uma forma de ver o mundo, mas há uma coisa que nos une: o movimento rotário. Estamos todos debaixo do mesmo guarda-sol, da mesma proteção. O companheirismo, o bater de ideias e os pontos de vista que cada um tem estão sempre direcionados para um propósito: os projetos. É fazer algo que fique, que marque a sociedade, em que a sociedade diga: “Se os rotários não existissem, as pessoas dariam por isso?”. É essa a pergunta que fazemos a nós mesmos todos os dias. (…) Estou convencido de que o clube vai conseguir rejuvenescer. Temos de honrar o legado de todos os presidentes que passaram pelo Rotary, mas também criar condições para que novas pessoas façam o seu percurso no movimento rotário. Queremos que cada vez mais a comunidade conheça o clube, conheça o nosso trabalho e sinta vontade de dar um pouco de si. É isso que nos move e é isso que queremos continuar a fazer.

 

Pode ouvir a entrevista na íntegra aqui: https://www.radiovizela.pt/podcast

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