Presidenciais 2026 avançam para segunda volta
Os portugueses foram este domingo, 18 de janeiro, às urnas para eleger o próximo Presidente da República, num ato eleitoral com 11.039.672 eleitores inscritos. Concluída a primeira volta, António José Seguro e André Ventura foram os dois candidatos mais votados, seguindo agora para um confronto direto na segunda volta das eleições presidenciais de 2026.
Ainda decorria a contagem dos votos quando a Rádio Vizela recolheu várias reações locais. Victor Hugo Salgado, presidente da Câmara Municipal de Vizela e líder do Movimento Vizela Sempre, destacou o apoio unânime dos autarcas do movimento à candidatura de António José Seguro e sublinhou a vitória expressiva no concelho. “Na reta final desta campanha, e conforme é do conhecimento geral dos vizelenses, todos aqueles autárquicos que foram eleitos pelo Movimento Vizela Sempre, sem exceção, apoiaram a candidatura de António José Seguro. Aproveito para agradecer a todos os que apoiaram esta candidatura, de forma especial o Dr. Francisco Ferreira, o Dr. Fernando Carvalho e todos os presidentes de junta e autárquicos que ajudaram a consolidar esta candidatura no concelho de Vizela”, afirmou.
O autarca acrescentou ainda que, na sua perspetiva, “é um resultado exponencial no concelho de Vizela, onde a diferença é muito significativa entre António José Seguro e as demais candidaturas”, sublinhando que o candidato venceu “em todas as freguesias e praticamente em todas as urnas”, o que, segundo disse, demonstra que “os vizelenses são pessoas atentas à importância e relevância de uma eleição presidencial”.
Numa nota enviada à Rádio Vizela, Victor Hugo Salgado reforçou o agradecimento aos eleitores: “Agradeço a todos os vizelenses que confiaram o seu voto a António José Seguro. Vizela demonstrou, uma vez mais, a sua confiança ao dar a vitória a António José Seguro em todas as freguesias. António José Seguro é muito mais do que um candidato do Partido Socialista, é uma figura claramente suprapartidária. A sua vitória deve ser entendida como uma vitória pessoal, cívica e democrática, e não como um triunfo partidário.”
Também ouvido pela Rádio Vizela, Jorge Pedrosa, da Coligação Mais Vizela, salientou a normalidade do ato eleitoral no concelho. “Daquilo que fui acompanhando ao longo do dia, o ato eleitoral decorreu de forma democrática e normal em Vizela, o que é importante realçar”, referiu.
Sobre os resultados nacionais, Jorge Pedrosa apontou para a confirmação de uma segunda volta: “Segundo as projeções, tudo leva a crer que o vencedor desta primeira volta será António José Seguro. Ainda não está totalmente definido quem o acompanhará na segunda volta, estando entre André Ventura e João Cotrim de Figueiredo, embora, neste momento, pareça mais provável André Ventura.”
O líder da Coligação acrescentou ainda que, de acordo com dados provisórios, “houve uma diminuição da abstenção comparativamente com outras eleições presidenciais”, defendendo que “os portugueses decidiram e de forma democrática; temos de aceitar este resultado e, depois de estarem contados todos os votos, fazer uma análise mais aprofundada e objetiva”.
Já Marco Pereira, da CDU, considerou que os resultados provisórios mostram “uma direita consolidada, nomeadamente o Chega”, sublinhando que António José Seguro “veio reequilibrar as sondagens que apontavam para dois candidatos de direita na segunda volta”. Para o líder comunista, este desfecho “reintroduz um centro, mais um centro-esquerda, necessário para reequilibrar a força política no país”.
Entretanto, esta segunda-feira, 19 de janeiro, a Rádio Vizela ouviu Ricardo Fernandes, da Iniciativa Liberal, que fez uma leitura crítica dos resultados. “A noite de ontem refletiu aquilo que o país ansiava. Os eleitores responderam de forma muito semelhante às legislativas: a esquerda teve mais ou menos a mesma percentagem e a direita também”, afirmou, defendendo que “houve um voto útil da esquerda em António José Seguro, que acabou por dizimar os candidatos da extrema-esquerda, enquanto a direita se fragmentou bastante, com o André Ventura a conseguir chegar à segunda-volta, com o Cotrim em terceiro lugar e depois com Marques Mendes mais atrás”.
Ricardo Fernandes considerou ainda que este cenário “denota a arrogância do primeiro-ministro, Luís Montenegro”, acrescentando que, “com uma postura diferente, poderíamos ter João Cotrim de Figueiredo na segunda volta”.
Sobre os resultados em Vizela, destacou que “João Cotrim de Figueiredo teve um resultado em linha com a média nacional, cerca de 16%”, reconhecendo que não correspondeu ao objetivo traçado, mas sublinhando que “há seis meses as sondagens apontavam para 5%, o que mostra uma campanha crescente e disruptiva”. Acrescentou ainda que o candidato liberal “foi o mais votado entre os jovens dos 18 aos 34 anos”, defendendo que a eleição ficou agora “entre António José Seguro e André Ventura, o que é uma pena porque já se sabe quem é que será o vencedor, seria muito mais interessante se fosse António José Seguro e João Cotrim de Figueiredo. Mas os portugueses são soberanos e decidiram dessa forma, e a democracia é assim mesmo”.
Por sua vez, Vítor Magalhães, do Chega, considerou que os resultados “já eram expectáveis”, sublinhando que o principal objetivo do partido foi alcançado. “De forma objetiva, o primeiro objetivo, que era passar à segunda volta, foi concluído e agora será uma prova de identidade para os partidos que se dizem de direita e que tanto falavam em combater o socialismo, para mostrarem realmente qual é o seu ADN”, afirmou.
Para o líder do Chega em Vizela, “há um grande vencedor à direita, que é o nosso líder, André Ventura”. Sobre o contexto local, referiu que “ficou totalmente esclarecido o posicionamento político dos independentes”, defendendo que estes “demonstraram que pretendem regressar ao socialismo”. Quanto à segunda volta, garantiu que o partido continuará a trabalhar “rumo à vitória”.
Nuno Vale, do Bloco de Esquerda, considerou que os resultados, “embora expectáveis, não deixam de ser surpreendentes devido à mobilização do voto útil em António José Seguro”. Segundo o líder bloquista, “não é claro se este comportamento foi influenciado pelas sondagens ou pelos acontecimentos da última semana de campanha”, mas sublinhou “a excelente campanha realizada por Catarina Martins”, que considerou ter tido “um resultado favorável no enquadramento político do Bloco”.
Nuno Vale afirmou ainda que “a esquerda está a tentar reajustar-se e mobilizar o eleitorado, apesar de não se tratar de eleições partidárias”, apontando para “um claro desfavorecimento do candidato apoiado pelo Governo”, o que, no seu entender, “pode ser um sinal de que as coisas não estão a correr tão bem quanto o Executivo faz parecer”. O bloquista referiu também a existência de “uma bipolarização do eleitorado”, entre “um voto expressivo num candidato centrista, embora mais próximo da esquerda, como António José Seguro”, e “uma outra parte que seguiu o populismo de André Ventura”.
Sobre os restantes candidatos, Nuno Vale considerou que “a candidatura de Henrique Gouveia e Melo acabou por perder tração ao longo da campanha”, defendendo que “não basta surgir na fase final para mobilizar o eleitorado”. Em relação a João Cotrim de Figueiredo, sublinhou que “algumas sondagens já apontavam para um resultado significativo”, acrescentando que “há uma parte do eleitorado de direita que se revê em ideias mais liberais e de renovação, afastando-se de políticas conservadoras”.








