MLJ4: 40 anos de música celebrados num reencontro intimista
A banda vizelense MLJ4, que fez sucesso nas décadas de 80 e 90, volta a reunir-se para assinalar 40 anos de carreira. A celebração acontece no próximo dia 15 de maio, às 20h00, na Casa do Park, com um jantar-concerto especial e intimista.
Em entrevista à Rádio Vizela, o vocalista Luís Marinho recordou como tudo começou. “Houve um conjunto de três pessoas, que não estavam no meio da música e que decidiram comprar um sistema de aparelhagem. (…) Eles queriam fazer algo com aquilo, mas não sabiam tocar qualquer tipo de instrumento. Um desses três elementos conhecia-me a mim e ao José Luís Piloto, e então propuseram-nos se queríamos entrar com eles para fazer uma banda. No fundo os MLJ4 começaram aí, quando nos juntamos os quatro”, partilhou.
A partir desse momento começaram a dar um passo maior. Desde o início, Luís Marinho e José Luís possuíam a “crença” de fazer a sua própria música. “Isso deu asas para nós começarmos a fazer mais esse trabalho, a escrever e a compor. Nós já tínhamos temas originais que entrávamos em festivais da juventude, naquela altura. Entrámos até num festival e ganhámos o concurso com originais”, referiu, acrescentando que foi através desse concurso que conheceram o baterista que posteriormente integrou a banda.
José Manuel Marques, um dos elementos da banda, partilhou como integrou este grupo. “Eu sou, digamos, o mais novo da primeira formação dos MLJ4. Mais tarde, eles juntaram os metais, que eram o Guilherme Vieira e o Rui Almeida na trompete e no saxofone, e depois sentiram a necessidade de mais um metal, e então foram buscar José Marques, eu. Quando entrei para o MLJ4, tinha a fantástica idade de 13 anos, portanto, adiantei-me em tudo, vi tudo que tinha para ver muito antes dos 18 anos. Vivi tudo muito cedo, e foi uma experiência, tem sido até hoje uma experiência extraordinária”, afirmou.
Apesar das limitações, a banda conseguiu afirmar-se no mundo do rock. “Há 40 anos, as possibilidades financeiras, as possibilidades a nível de som sonoro, de sala de ensaios, tudo que hoje é necessário para criar uma banda como deve ser, na altura não tínhamos absolutamente nada. As condições eram precárias, e mesmo assim fomos capazes de lançar um CD, de ganhar concursos, de experienciar coisas extraordinárias neste mundo fantástico que é o rock”, sublinhou José Marques.
Entre os momentos mais marcantes, Guilherme Costa, elemento da banda, destacou um concerto em Freamunde, ao lado dos Xutos e Pontapés. “Uma grande catapulta para os nossos êxitos terá sido um dos concertos no Campo do Freamunde, com os Xutos e Pontapés, onde nós, salvo as diferenças, quase que demos ‘coça’ nos Xutos e Pontapés. Fomos ovacionados e saímos de lá com uma grande alegria porque foi um grande momento de rock que nós conquistámos. A partir daí outros momentos surgiram, com outras bandas de rock portuguesas, e foi um grande incentivo aquele calor humano que nós sentimos em Freamunde”, recordou.
40 anos mais tarde, o reencontro mantém o espírito original. “Hoje somos mais maduros, mas além de sermos mais maduros, não deixa de ser o que era. O ensaio é exatamente igual, as discussões são exatamente iguais. Parecemos os miúdos dos 18 e 20 anos que tínhamos atrás, mas isso também é o que nos leva a fazer estas coisas, e a continuar”.
O tema “Aventurei-me” foi um dos maiores sucessos da banda, que José Marques sublinha como ser o “cartão de visita”. “Nós podemos fazer dezenas de temas, observar isto e aquilo, acrescentar compositores, letristas fantásticos. O ‘Aventurei-me’, sendo a música simples que é, a todos os níveis, é o nosso cartão de visita, e é a música que eu continuo mais a gostar dos MLJ4, e efetivamente, quando as pessoas pensam em MLJ4, pensam na música”.
Para assinalar os 40 anos, a banda prepara uma comemoração especial. “Nós estamos a preparar um jantar-concerto, onde vamos fazer esse concerto com toda a nossa família, ou seja, todos os grupos, fãs, e todos aqueles que gostam da música. Nós queremos mostrar até aos mais novos que a música, hoje em dia, que se faz, é tão fácil, mas antigamente era tudo à unha”, destacou Luís Marinho.
Além dos êxitos da banda, José Marques revela que há novas canções que podem ser apresentadas. “Ao longo dos anos nós fomos apresentando várias canções, no single, no CD, mas ficaram muitas canções por gravar, e ao longo do tempo foram feitas novas canções”, revelou.
Com lotação limitada a 300 pessoas, o jantar-concerto foi pensado para proporcionar uma experiência intimista, incluindo momentos de interação direta com o público.
As inscrições estão disponíveis em vários pontos da cidade de Vizela, através de cartazes informativos, e também online, na página oficial da banda no Facebook.




