Mais uma centena de trabalhadores no desemprego em Vizela
A Textil Confiberica. Lda, com sede em Vilarinho mas a laborar no Parque Industrial da Garça Real, em Caldas de Vizela, encerrou esta semana a sua atividade, conduzindo para o desemprego cerca de 120 trabalhadores, a maioria mulheres que se dedicavam à confeção de vestuário.
Esta sexta-feira, 26 de setembro, foram entregues aos trabalhadores os documentos que permitem o recurso ao subsídio de desemprego e ao Fundo de Garantia Salarial. Apesar de existirem algumas quebras na produção, a notícia de encerramento da empresa apanhou a maioria dos trabalhadores de surpresa.
Após as férias, laboraram uma semana para terminar uma encomenda, depois regressaram a casa para gozar antecipadamente a semana de férias que estava destinada para o Natal. Entretanto, foram chamados no início desta semana para reunir com a administração da empresa que, segundo os trabalhadores, informou sobre o encerramento da indústria sob a justificação de quebras na produção e dificuldade de apresentar preços competitivos no mercado. Refira-se que o gerente da Textil Confiberica. Lda integra também a administração da Lusoibérica, sendo que essa empresa se mantém em funcionamento também no Parque Industrial da Garça Real.
Apesar da tristeza pelo encerramento da indústria de vestuário e do sentimento de incerteza quanto ao futuro, as trabalhadoras que falaram esta manhã, à Rádio Vizela fizeram questão de salientar a retidão com que o assunto foi tratado pela administração da Textil Confiberica. Lda.
“Foi-nos informado pela empresa, que esta não tinha condições para continuar a laborar. O Sr. João e a D. Lígia, pessoas que têm sido excelentes para os funcionários, colocaram as cartas sobre a mesa, informando que não conseguem trabalhar com cliente com o qual colaborávamos a nível de preços, porque o mercado está mau e ele resolveu ir para Marrocos ou ir trabalhar para o outro lado”, contou Ângela Ribeiro, que fecha um ciclo de sete anos nesta confeção.
Ainda assim, a trabalhadora afirmou ser de louvar o facto de nesta sexta-feira, os operários terem sido recebidos no interior da empresa para a entrega dos documentos, garantindo que a gerência se tem mantido prestável em todo o processo, tendo inclusive providenciado a marcação para atendimento no Instituto do Emprego e Formação Profissional.
Contudo, isso não apaga as dificuldades que se avizinham. Por receber ficam as primeiras semanas de setembro e só se estima que a primeira prestação do subsídio de desemprego caia nas contas destes trabalhadores em finais de outubro.
“Este mês será um bocadinho difícil. Agora estamos todas desempregadas, umas melhores, outras piores. Temos filhos para criar e ficamos com a nossa vida em suspenso. Esperamos que venham melhores dias”, disse Ângela Ribeiro.
Este não era o desfecho que pretendia para a Textil Confiberica. Lda: “Deixa-nos muita pena, temos amizades de longa data e, apesar de haver sempre alguma coisa a dizer relativamente aos patrões, por aquilo que se vê, não podíamos estar melhor. E Sara Fernandes, há 15 anos nesta empresa, acrescentou: “Sempre nos receberam muito bem e deram a cara”.
Agora, há caminho para desbravar, não sabem se o mercado de trabalho terá capacidade para absorver mais 120 pessoas que se juntam às centenas que no último mês ficaram sem emprego, a maioria ligadas ao setor têxtil. “Da forma como isto está, será um bocadinho difícil. Algumas pessoas vão conseguir já trabalho e outras não. Estamos com uma mão à frente e outra atrás. No final do mês, as contas continuam, temos a alimentação, casas para pagar … No meio de toda esta situação, nós é que ficamos prejudicados. Isto não quer dizer que não tivessem sido excelentes patrões. Foram-no nos momentos mais difíceis da minha vida. Mas agora estamos todos no mesmo barco. É muito complicado”, concluiu a operária Elisabete Amaral.
Já Ângela Ribeiro deixou um apelo ao Governo: “Os patrões queixam-se da falta de apoio do Estado, dizendo que os impostos são altos e que as coisas são todas postas lá fora porque há outras condições que não existem aqui. Têm de ser tomadas medidas para que os clientes continuem a procurar a produção em Portugal, para que nós, o elo mais frágil, possamos ter trabalho, que é aquilo que precisamos para podermos comer”.
A Rádio Vizela tentou contactar esta manhã, a gerência da Textil Confiberica. Lda, mas, até momento, sem sucesso.








