João Madureira:“Não podemos negligenciar as infraestruturas"

Presidente do FC Vizela olha em todas as direções, onde o clube possa melhorar

João Madureira, a iniciar um mandato de três anos à frente do FC Vizela, na sua primeira grande entrevista como presidente do FC Vizela, revelou os objetivos da sua direção, que assentam no melhoramento das infraestruturas e na criação de novas modalidades. Espera um bom relacionamento com a SAD, suportando pelo cumprimento atempado dos protocolos financeiros.

 

É o novo presidente do FC Vizela, com uma equipa extensa, satisfeito com quem tem a seu lado?

É uma lista extensa, havia um projeto inicial muito sólido com um determinado grupo de pessoas e depois, à medida que a campanha foi avançando, algumas pessoas até nos abordaram, mostraram interesse em participar connosco e nós também fomos abordando algumas pessoas, até que a 10 minutos da entrega das listas, ainda consegui mais uma pessoa para o departamento da formação. Optámos por ter cinco vice-presidentes, eu acredito, que termos pessoas específicas em cargos muito específicos. Nesse sentido, foi essencial e até porque os estatutos o permitem eu rodear-me de cinco vice-presidentes, que têm cargos muito distintos entre eles.

 

A liderança do Conselho Fiscal e da Assembleia Geral também foram pontos pacíficos?

O Presidente Eduardo, é alguém que claramente está no sítio certo, enquanto Presidente da Mesa da Assembleia, a forma como comunica, como se dirige aos sócios o reconhecimento que tem por parte dos sócios faz todo o sentido que seja ele. Com o Miguel Dias no Conselho Fiscal fico muito confortável, sabendo que temos alguém em quem confiamos, alguém que sabe o que diz, com quem nós podemos contar também para trabalhar não apenas numa lógica de controlo, pedir opiniões, porque durante o nosso mandato vamos ter de tomar algumas decisões.

 

Deu-lhe gozo trazer para a lista pessoas que nunca tinham estado ligadas ao clube?

Faz parte daquela visão de levarmos o FC Vizela à sociedade, ser um clube com gente dentro. A forma como o clube e a cidade se abraçam é algo muito interessante, não podemos fechar o estádio em si próprio, não podemos fechar o Vizela aquele conjunto de pessoas que ano após ano, candidatura após candidatura ficam nos órgãos gerentes do clube. Tínhamos de alargar, de trazer novas visões e foi isso que também tentámos fazer, em todos os níveis da sociedade em todas as áreas de conhecimento. Tentámos fazer uma lista o mais ampla possível para que durante agora os próximos três anos possamos levar os nossos projetos para a frente

 

Que reações tem colhido com esta sua decisão de ser presidente do Vizela?

De uma maneira geral a ideia foi bem acolhida por parte dos sócios, claro que alguns sócios podem ter mais reservas do que outros, é normal. Porque não me conhecem porque podem não reconhecer valor suficiente em mim, mas convivo muito bem com isso.

 

Esta é a altura de reunir de apresentar o projeto a várias pessoas dar-se a conhecer e ao seu projeto?

Vamos iniciar uma ronda de apresentações formais, seja com a Câmara Municipal, com a GNR, com a AIREV, com a Associação Futebol de Braga. São associações que nós consideramos muito importantes e para o desenrolar dos próximos anos, com quem temos de ter uma boa comunicação. Há aqui um caso muito particular da AIREV, quero falar com o Pedro Ribeiro, com quem já tive a oportunidade de trocar umas impressões, mas não ao nível oficial, digamos assim.

 

Neste momento quais são as prioridades da direção?

Nós ainda estamos a fazer um levantamento muito importante, mas as infraestruturas têm de vir à conversa, sem dúvida. As infraestruturas são algo que nunca podemos negligenciar porque são a base de tudo.  Desde que um atleta chega ao estádio até que ele sai, usa todas aquelas infraestruturas, sejam os balneários, sejam os acessos, seja o relevado, seja a iluminação, seja o banco de suplentes. Vamos identificar o que é  preciso mudar ou não. Tenho a certeza de que há coisas que vamos ter de mudar, no entanto, eu deixo essas competências para quem percebe, dentro na nossa equipa.

 

A formação é quem mais necessita dessas mudanças?

Felizmente, nós contamos com o Diogo Silva, que é o nosso coordenador, que faz um bom trabalho, um trabalho sustentado, com uma tomada de decisão baseada em números, baseada em factos, e isso apraz-me bastante. Mas, no entanto, temos membros na direção, que já lá andaram, como o João Branco, o Ricardo Jorge, o Carlos Faria, membros com um conhecimento muito grande, técnico também, e também podemos conversar entre nós, perceber se podemos moldar alguma coisa aqui ou ali, por forma a tornar todo o processo mais ágil. Mas, sem dúvida que as infraestruturas são talvez aquele farol que ilumina o nosso grau de intervenção.

 

Há muito a fazer?

A direção anterior estava a tratar da iluminação, ouvimos na rua, alguns grupos de pais apontarem o dedo, que isto está pior do que estava, ou isto está mal feito, mas efetivamente a direção não esteve propriamente a dormir, houve um trabalho bem feito. A questão do sintético, já há mais de um ano que está sinalizada, já há mais de um ano que reunimos com a Câmara Municipal, que fechamos o apoio que nos vai dar, encomendamos o sintético, é uma situação que não pode recuar. Na próxima pausa de verão teremos um sintético novo. A questão da iluminação também foi tratada, mais recentemente, por causa das intempéries que enfrentámos, tivemos um problema grave, que foi tratado pela direção anterior, antes de sair, foi dos últimos atos. A iluminação já está completamente diferente, os atletas têm muitas mais condições para a prática desportiva.

 

“Ter uma Academia para a formação tem que continuar a ser um sonho”

 

E a conclusão dos balneários?

Já temos a obra começada, mas há uma questão muito simples que não nos permite avançar neste momento, temos de impermeabilizar a bancada, para podermos finalizar em baixo, porque senão só estamos a maquiar um problema, e daqui a poucos meses estaríamos um problema muito grave numa infraestrutura que queremos que seja nova. Não será só o novo balneário, mas um mini ginásio, sala de arrumos, a sala onde recebemos as equipas técnicas, onde queremos também fazer uma enfermaria, é vital dividir aquilo de forma que possamos ter ali uma enfermaria com mais privacidade. Portanto, essas pequenas obras estão todas já devidamente identificadas, já foram identificadas na altura da candidatura.

 

E a Academia continua a ser um sonho também desta direção?

A Academia tem de ser um sonho, porque nós queremos ser sempre o motor impulsionador para que isso aconteça. Tendo em conta o realismo que eu quero trazer à nossa direção, obviamente que nós não podemos prometer isso, mas podemos prometer que vamos lutar até ao fim, para sermos, um dos principais motores impulsionadores, para que essa Academia aconteça, e se torne uma realidade.

 

Quando falamos em infraestruturas, podemos também falar do basquetebol, do atletismo?

No basquetebol estamos expetantes para ver o que é que vai acontecer com o Pavilhão de Santa Eulália, que está praticamente pronto, e nós queremos ter acesso a ele.  Está na agenda para discutirmos, porque o basquetebol tem crescido bastante, contamos com 93 atletas inscritos, nos diferentes escalões, e precisamos de espaço, algo que seja o mais regular possível, para não andarem com a casa às costas. Também para evitarmos problemas ou multas, pela falta de condições para quem quer ver os jogos.

No atletismo há a promessa da pista em Santa Eulália e nós temos de ver isso como oportunidade para estender o nosso leque de ofertas de disciplinas na modalidade. O atletismo não é apenas corrida, há mais, há mais vertentes e podem estar a ser desperdiçadas no FC Vizela.

 

 

Já reuniram com a SAD?  

Ainda não, está marcada reunião para os próximos dias, será a primeira reunião oficial e depois vamos à Câmara Municipal. Levámos muitos pontos na agenda, queremos ter uma relação fluída com a SAD, mas também temos de ter a certeza de que a SAD percebe aquilo que nós queremos. A SAD tem de perceber que o FC Vizela é dos sócios, nunca será de nenhuma SAD, nunca será de outro grupo. No discurso da tomada de posse eu alertei para o facto de o FC Vizela não poder ser uma plataforma de experiências, um laboratório, tem de ser um clube de gente séria. Um clube competitivo, que sabe o que anda a fazer e que se quer dedicar ao futebol, ao basquetebol, ao atletismo e a novas modalidades que possam aparecer, e a SAD tem de perceber isso.

 

“Se a SAD cumprir com a sua parte, tudo correrá”

 

O que espera da SAD para que possa haver um bom relacionamento?

Não vamos ser um ponto desestabilizador, a menos que a SAD queira que nós sejamos. À partida isto tem tudo para correr bem, desde que a SAD queira que corra bem. Há tomadas de decisão que são muito estranhas, não nos cabe a nós avaliarmos tecnicamente um treinador ou um jogador, mas todos nós gostamos de futebol, todos nós vemos futebol há muito tempo e vemos que se calhar falta ali qualidade, não apenas nos jogadores, mas em toda a estrutura. Isto pode dar certo, caso contrário, acho que aquilo que todos nós ambicionamos, que é o regresso da equipa principal à 1ª Liga poderá voltar a adiar-se

 

E a SAD tem cumpridos os protocolos financeiros?  

Os protocolos têm de ser alinhados, não estão a ser cumpridos na totalidade. É um tópico muito importante que temos de ver com a SAD, é preciso que a SAD cumpra a sua parte, se o fizer, o futuro do FC Vizela fica muito mais sustentável. Temos problemas para resolver, até por uma dívida de gratidão para com a anterior direção. O Presidente Eduardo queria deixar o PER fechado, não conseguiu, e nós sabemos porque é não conseguiu. É algo que eu quero fazer com a máxima urgência possível, para primeiro acalmar todos os credores, mas queremos fechar o PER o mais rápido possível, e para isso a SAD tem um papel muito importante.

Se a SAD cumprir com o clube, pagar o que está em atraso, o clube vai cumprir com os seus compromissos também. Contamos que façam o melhor possível para que tudo corra bem, dizer-lhes também que temos investidores interessados, se eles por acaso quiserem vender a participação deles, dizer-lhes que estamos vigilantes e que assim vamos continuar.

 

O Vizela está estável ao nível financeiro, atendendo a esta situação do PER para concluir?

O FC Vizela não tem os problemas que teve outrora, mas ainda tem alguns problemas para resolver. Eu já reuni com o João Almeida, com o Alberto Portas, que está na parte da Tesouraria, até para prepararmos a previsão do relatório de contas que teremos para este ano, e nos próximos anos. Temos de saber o dinheiro com que podemos contar, o dinheiro que vai entrar, saber, ao certo, o dinheiro que vai sair também, temos de planear, temos de nos organizar, para que nada falte. E voltando atrás, se esta relação com a SAD for cumprida, se os acordos forem cumpridos, nós ficamos numa posição muito confortável.

 

A receita das quotas e do Fundo da UEFA continuam a ser as mais importantes?

Temos de trazer mais sócios, ser criativos nesse ponto, claro que se o clube voltasse à 1ª Liga, havia um crescimento explosivo do número de sócios, porque o futebol é muito mais atrativo. O processo de certificação tem de continuar a ser feito para a manutenção das 4 Estrelas, traz um apoio económico muito interessante e nós não podemos de todo abdicar dele. Sonharmos com a quinta estrela, o futebol feminino é um dos pontos obrigatórios para que a tenhamos. Mas lá está, olharmos para a infraestrutura que temos, tentar aumentá-la de alguma forma possível, imaginária, balneários novos, mais um balneário de apoio, tudo pode ser possível. E nunca podemos perder essa capacidade de sonhar com os pés assentes na terra.

 

Há algo que gostaria de marcar no Vizela pela positiva?

É muito importante trazermos o FC Vizela para junto da comunidade, vir para a cidade. Eu falei aqui na questão da AIREV, nós temos de olhar para a AIREV e tentar perceber que tipo de desporto adaptado pode o FC Vizela criar. Temos de perceber junto da AIREV e de outras instituições da região, se há esse espaço, e se houver, nós queremos estar lá. Nós queremos ser um clube inclusivo, nós queremos trazer a sociedade, e neste caso um grupo muito específico de pessoas, para o clube. O FC Vizela é um dos maiores clubes do distrito, então nós temos de assumir o nosso lugar, temos de cimentar a nossa posição. E essa é apenas uma das coisas que nós vamos tentar fazer.

 

Há questões que se arrastam, como o Apito Dourado, o que espera?

O FC Vizela foi lesado, e então como lesado tem direito a uma indemnização, portanto era importante que esse processo ficasse decidido, não pelo valor econômico que ele pode significar, mas pela paz de espírito que traz a toda a gente, e acima de tudo pela justiça, e aqui é um caso de justiça, e era justo que fosse reconhecido que o Vizela foi efetivamente lesado. Nós vamos olhar para esse processo com muita atenção.

 

A tradição e o património são temas recorrentes no seu discurso…

São, são muito importantes, e eu falei isso, foi das primeiras coisas que eu falei, porque uma vez que fui ao estádio, queriam fazer aquela entrega simbólica do cartão de sócio número 1 ao meu pai, então fizemos uma visita pelo estádio, e quando vi o nome do meu avô nos corredores do estádio, parece que me caiu ali a ficha, comecei logo a pensar, o que é que o neto do meu filho, se um dia vier aqui ao estádio, o que é que ele vai ver? Então essa parte da memória e da tradição é muito importante, e nós temos uma população envelhecida, nós temos mesmo a nossa base de sócios, está muito envelhecida, e infelizmente, nós ano após ano perdemos, temos perdido muitos sócios, porque a vida acontece. Então nós temos de preservar o mais rápido possível, a memória que esses sócios têm, as fotografias que eles têm, para que possamos, e esse sem dúvida que é um ponto muito importante do nosso mandato.

 

Assim sendo o que pretendem fazer?

Vamos trabalhar para juntar essa informação toda, num documentário, alusivo à criação do FC Vizela, aquilo que foi e tem sido o FC Vizela até os dias de hoje, e também um livro que conta um bocadinho a história do FC Vizela. Fazer uma retrospetiva, temos de fazer esse trabalho, que é um trabalho exaustivo, de muita procura, de muita análise, de muito contacto com muitos sócios, e não só, simpatizantes do Vizela também, juntar tudo, para que nós possamos, e este é um objetivo claro desta administração apresentar, nos 90 anos do FC Vizela. O património, temos de ter um sítio próprio. Podemos-lhe chamar museu, podemos-lhe chamar sala de troféus, podemos-lhe chamar sala de honra, podemos chamar o que nós quisermos. Mas nós precisamos desse cantinho. Acredito que ainda podemos encontrar dentro do espaço que temos, após algumas reformulações e remodelações, espaço para termos o nosso cantinho da memória, digamos assim.

 

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