Indústria dos Plásticos agora com delegação a Norte
A APIP – Associação Portuguesa da Indústria dos Plásticos inaugurou na sexta-feira, 26 de janeiro, a sua nova delegação em Oliveira de Azeméis. O momento foi aproveitado para a apresentação do Roteiro para a Descarbonização da Indústria dos Plásticos, também ele com forte impacto na nossa região, dada a implementação e o crescimento das empresas do setor neste território. Um sem-número de desafios para uma indústria que pretende ser uma forte aliada na preservação do planeta.
À Rádio Vizela, Amaro Reis, presidente da APIP, falou da importância da reabertura da delegação no Norte do país, afirmando que o Centro de Negócios da área de Acolhimento de Loureiro se apresentou como “o local perfeito para a sua instalação de forma a ajudar a indústria da região” com a mais-valia dos serviços que decorrem do acordo de cooperação assinado na sexta-feira com o Instituto Português da Qualidade (IPQ), representado em Oliveira de Azeméis, pelo presidente do seu Conselho Executivo, João Pimentel. Em causa está um Ponto de Consulta de Normas, que permitirá responder aos desafios que o setor enfrenta “no âmbito da economia circular e da sua pegada de carbono numa análise aos ciclos de vida dos seus produtos para uma indústria mais sustentável”. A mesma indústria que representa, por esta altura, cerca de 4% do PIB nacional. A APIP é ainda a primeira associação setorial a disponibilizar esta consulta através da Rede Descentralizada do IPQ.
Entende Amaro Reis que, apesar de Portugal “ser um país pequeno, não se pode pensar pequeno”. Daí que o propósito da APIP seja “liderar pelo exemplo” para que outras associações da Europa e do mundo se revejam no trabalho feito e trilhem em conjunto um percurso cujo destino parece já estar perfeitamente identificado. “Só podemos defender a indústria do plástico, se defendermos o ambiente, só podemos defender os nossos negócios e os nossos postos de trabalho, se conseguirmos ser mais sustentáveis”, salientou o responsável. E logo acrescentou: “A descarbonização no setor é uma ambição e queremos demonstrar que vamos dominar o desenvolvimento nessa área para que o nosso país e os nossas empresas sejam cada vez mais reconhecidas lá fora como líderes e um exemplo para todos”.
Agenda Mobilizadora e Roteiro da Descarbonização com objetivos bem definidos
Neste âmbito, ainda na sexta-feira, foram apresentados dois projetos cofinanciados pelo Plano de Recuperação e Resiliência e que o presidente da APIP antecipa como uma “pedrada no charco” para a indústria. No bom sentido. “Queremos que esteja capacitada para que tenha um futuro risonho na área da sustentabilidade. O nosso programa para a descarbonização não é regional, nem nacional, nós queremos ter o melhor roteiro do mundo e, a partir daí, sermos o exemplo de como se pode trabalhar nesta área em todas as indústrias”, assegurou ainda Amaro Reis.
A Agenda Mobilizadora “Sustainable Plastics” partiu de uma iniciativa da APIP e é liderada pela Logoplaste Innovation”. Uma Agenda suportada num consórcio de 39 empresas e 10 entidades ligadas ao sistema científico e tecnológico, num investimento global de 39 milhões de euros e que definiu como metas a alcançar a introdução de 21 novos produtos inovadores no mercado que aportem valor para os consumidores e para a Economia Circular dos Plásticos, 36 publicações de caráter científico, novas patentes e a redução de 30% na emissão de gases com efeito de estufa. Resultados a obter até finais de 2025.
Já o Roteiro da Descarbonização da Indústria dos Plásticos, que também teve origem numa iniciativa da APIP mas em parceria com a EY Parthenon, visa promover uma mudança de paradigma na utilização dos recursos, através da capacitação das empresas do setor, concretizando e desafiando as medidas do Plano Nacional de Energia e Clima 2030 e do Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050, procurando potenciar a aceleração da transição para uma economia neutra em carbono.
Recorde-se que, a 21 de junho de 2023, já havia sido apresentado na Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, em Lisboa, o “Better Plastics”, evocado pelo presidente da APIP no arranque do evento de sexta-feira como sendo também ele um projeto mobilizador capaz de alavancar a transição do setor para uma economia mais circular. Cofinanciado pelo Compete 2020, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, o “Better Plastics” foi desenvolvido a partir de um consórcio liderado pela empresa Vizelpas assente numa estratégia de inovação e investigação vocacionada para o desenvolvimento de novos materiais, produtos, processos, sistemas, tecnologias e serviços, que respondam aos desafios atuais e de futuro. “O “Better Plastics” teve um grande sucesso. Aliás, os dois projetos hoje aqui apresentados são, no fundo, a sua continuação e seguramente que terão o mesmo sucesso, porque o que se pretende é o melhoramento dos processos na nossa indústria, no que toca à descarbonização, sustentabilidade, reciclagem, criação de novos produtos e de mais valor para que eles possam ser melhor aproveitados”, afirmou o CEO da Vizelpas, Modesto Araújo, à Rádio Vizela, ele que também marcou presença em Oliveira de Azeméis.
O desafio da cooperação para uma indústria mais robusta e competitiva
O vizelense é vice-presidente da APIP e vê na inauguração da nova delegação uma oportunidade de encurtar distâncias e agilizar contactos com as empresas do setor. “é mais um marco importante para a nossa associação, que traz agora para o norte do país, região onde está maioritariamente concentrada a nossa indústria, o serviço que já ia prestando desde Lisboa, reforçado com o centro criado com o apoio do IPQ”.
São muitos os desafios que se impõem. À Rádio Vizela, Modesto Araújo apontou o desafio da cooperação. “A união entre a indústria. é muito importante que o nosso tecido empresarial una esforços para ser mais competitivo lá fora. Portugal é um país pequeno, mas, historicamente, muito centralizado e com muita desfragmentação entre as empresas. é preciso que estejamos unidos para ganhar dimensão e valor. Só assim teremos empresas muito mais robustas para podermos enfrentar os grandes desafios que, neste momento, nos chegam de todo o lado”.
Maior uniformização dos produtos significará ganhos na reutilização
Em simultâneo, e tal como foi sendo defendido ao longo da tarde por alguns dos intervenientes, de que foi exemplo José Martinho Marques de Oliveira (presidente da Escola Superior Aveiro Norte), também o CEO da Vizelpas referiu que o foco deve estar na uniformização dos produtos: “Esse é o tema em que todas as indústrias têm de se focar. Uniformizar o máximo possível. Só dessa forma é que vamos conseguir reciclar e reutilizar muito mais. Acho que é possível. A indústria está preparada para isso e é aquilo que temos vindo a fazer na Vizelpas. O nosso objetivo é chegar a três ou quatro unidades de matérias-primas para que se consiga chegar a uma taxa de 50 a 60 por cento de reutilização”.
Outro dos focos deve estar na comunicação. Assim o defendeu Filipe de Botton, CEO da Logoplaste. “A classe política irá sempre posicionar-se de forma a agradar os eleitores. Temos de fazer algo para comunicar com as pessoas. Temos de encontrar quem fale das mais-valias dos plásticos. é isso que vai garantir o futuro da nossa indústria”.
A comunicação existe mas, disse depois Marta Moreira Marques, especialista em Ciência Comportamental na Escola Nacional da Saúde Pública (Universidade Nova de Lisboa), têm sido usadas fórmulas idênticas. O desafio da atualidade será compreender o que está na origem dos comportamentos – como aquele que determina o oceano como destino final do plástico – através do estudo de vários fatores sejam eles ligados à emoção, ao conhecimento ou até mesmo ao conceito de oportunidade, potenciando a comunicação entre os diferentes agentes. A estratégia deve ser mais integrada e incluir, como já havia referido antes o presidente da Escola Superior de Aveiro Norte, a implementação de medidas que garantam a ação educativa e cultural da população.
Crises demográfica e climática obrigam a repensar métodos
Os desafios serão muitos. Não há dúvidas. Jorge Coelho, coordenador científico do Projeto Sustainable Plastics, lembrou que dado o crescimento do PIB nos países asiáticos, o consumo de plástico pode triplicar até 2050. “é urgente repensar métodos e políticas e inovar procedimentos”, disse. O anfitrião da tarde, o autarca de Oliveira de Azeméis, Joaquim Jorge Ferreira, falou mesmo de “um planeta em stress”. Já antes, Jorge Cristino, especialista em Sustentabilidade e Alterações Climáticas, havia alertado para as grandes crises que se vivem hoje no mundo – a Crise Demográfica, a Crise da Biodiversidade e a Crise da Guerra. “Enfrentamos problemas globais: os novos limites do planeta, as alterações climáticas, o excesso de poluição, a falta de cooperação e o multilateralismo”, lembrou Jorge Cristino, louvando, por sua vez, o Roteiro que a APIP tem em desenvolvimento e que se desafia a antecipar a neutralidade carbónica para 2045. Não foi o único a felicitar a APIP. O presidente do Município de Oliveira de Azeméis também o fez: “Parabenizar o vosso percurso e a vossa preocupação genuína com a sustentabilidade”.
Em suma, os grandes propósitos do setor dos plásticos entrelaçam-se com os do planeta, tal como concluiu Bernard Merkx, diretor executivo da European Plastics Converters, e que são os seguintes: Descarbonização, Circularidade, Mudança Climática, Inovação e Comunicação.







