“História de Vizela em Postais” é apresentado este sábado

Será já este sábado, dia 30 de outubro, que será apresentado, pelas 17h00, no espaço Museu dos Bombeiros Voluntários de Vizela, o livro “História de Vizela em Postais”, que tem como autor Adelino Campante, um dos convidados do último “Especial Informação” da Rádio Vizela. Mas não esteve sozinho, até porque esta obra nasce de uma parceria com a Casa de Sarmento, dirigida pelo historiador vizelense Antero Ferreira.

RVJornal (RVJ) - Como é que nasceu este projeto literário?

Adelino Campante – Nasceu de um desafio lançado pelo meu primo Ramiro Guimarães da Silva Ferreira e, por isso, logo a abrir, apresento um postal de 1942, em que este aparece com quatro anos a andar de triciclo. Isto porque ele sabe que eu tenho muitos postais de Vizela, cerca de 1200, muitos deles repetidos, sendo que no livro que tem cerca de 300 páginas aparecem 584 reproduções de postais. É um projeto que nasceu há dois anos mas quando o livro estava praticamente, pronto, apareceu a pandemia. Será agora apresentado.

RVJ - Atualmente, reside no Porto, tem a sua empresa sedeada em Lustosa, mas este livro surge como mais um capítulo desta sua ligação à terra que o viu nascer?

Adelino Campante – Certamente. Apresento Vizela nesta obra, mas também os primeiros postais inteiros portugueses tal como as primeiras três coleções de postais ilustrados.

RVJ - Em que momento é que decide lançar o desafio à Casa de Sarmento?

Adelino Campante – Em janeiro deste ano.

RVJ - E a Casa de Sarmento agarrou, de imediato, o desafio de editar esta obra?

Antero Ferreira – Sim. A Casa de Sarmento é uma unidade da Universidade do Minho e que também está associada à Sociedade Martins Sarmento e que tem como missão estabelecer a ligação entre a comunidade e a universidade. Através do Centro de Estudos do Património Local tem por objetivo apoiar projetos que valorizem a história local e, neste caso, este livro encaixava perfeitamente nessa missão.

RVJ – No entanto, apesar do acolhimento da ideia, todo o acervo teve de ser encolhido, porque era tamanha a informação, que não cabia nas cerca de 300 páginas que serão agora dadas a conhecer…

Antero Ferreira – Não era só o acervo mas também o projeto. O sr. Eng. tem a ambição de estudar e divulgar a história de Vizela e, por isso, qualquer elemento que possa aparecer num postal tem, para si, um significado extraordinário. Ele queria explicar tudo isso, mas tal não se compaginaria com um livro de postais. Por isso, tivemos que encontrar um equilíbrio e eu tive de assumir quase o papel de produtor (risos) para chegarmos a uma obra que possa brilhar pelos postais e que, ao mesmo tempo, dê pistas para a história de Vizela. No entanto, ficará para os leitores o desafio de tentarem descobrir naqueles postais o que encontrou o Sr. Eng. Por outro lado, fica também para o sr. Eng. o desafio de escrever um outro livro, esse sim, sobre memórias de Vizela.

RVJ – Aceita o desafio?

Adelino Campante – O segundo livro já está quase pronto (risos).

RVJ - Agora a pergunta que se impõe: como é que conseguiu reunir todos estes postais?

Adelino Campante – Foram precisos muitos anos.

RVJ – Neste livro faz alguns agradecimentos, porque muitos foram comprados, mas também houve outros que foram cedidos pelos seus conterrâneos, aos quais agradece na abertura desta viagem por terras de Vizela…

Adelino Campante – Houve várias pessoas que me cederam postais e eu estou muito sensibilizado com isso. Tenho, aliás, falado com estas pessoas e estas estão animadíssimas com o livro.

RVJ - Quem gosta de história e da sua cidade, neste caso, da cidade de Vizela, não conseguirá ficar indiferente a esta obra?

Antero Ferreira – Não podemos esquecer do simbolismo que Vizela tem para além das pessoas que são naturais do concelho. Falo das pessoas que estiveram no passado ligadas às Termas porque, no fundo, estes postais representam muito do que foi o termalismo em Vizela no início do séc. XX e há postais em que está registada a correspondência entre as famílias.  Por isso, dizer que aquilo que tornou possível reunir tantos postais foi o interesse que Vizela despertava no passado para as pessoas que nos visitavam. É um aspeto muito curioso que não podemos esquecer, ou seja, o esplendor que os postais de Vizela tiveram no passado tem muito a ver com essa memória de pessoas que não são de cá naturais. É muito frequente falarmos com residentes das cidades aqui à volta e percebermos que os seus pais ou avós frequentaram as Termas de Vizela. Estas memórias prevalecem nesta coleção. Mas claro que, acima de tudo, as pessoas de Vizela vão encontrar imagens que não conheceram, dadas as grandes transformações que ocorreram ao longo dos tempos e até de costumes que se foram perdendo. 

RVJ - Apesar de muitos dos postais nos conduzirem para um passado que fica bem lá trás, não será difícil reconhecer os lugares, sem ler as legendas, porque a sua apresentação não é feita ao acaso, é topográfica….

Antero Ferreira – Exatamente. Foi esse o esquema apresentado pelo Sr. Eng. e que me pareceu muito ajustado, até porque ajuda muito o leitor a identificar aquilo que está a ver. Falo de uma ordem topográfica mas também cronológica, quase como um filme, e que permite que as pessoas percebam como ocorreu a transformação de um determinado espaço desde o início do séc. XX até à década de 70, apesar de haver alguns postais mais recentes.

RVJ - Quais são os seus postais preferidos?

Antero Ferreira – Os que se encontram na parte inicial do livro, a preto e branco, e que nos induzem para um saudosismo muito especial, além que são os mais curiosos.

RVJ - Quais são aqueles pormenores a que o leitor deve estar atento?

Antero Ferreira – O que nos deliciava mais nas conversas era, por exemplo, olhar para os postais da Rua Dr. Abílio Torres e ver o Hotel Sul Americano, ainda só com rés-do-chão e primeiro andar, e ao lado ver a grua que estava a ser utilizada para a construção da torre da Igreja de S. João. É a história de Vizela a ser contada através de postais.

RVJ – O livro sobe o Rio, percorre a via principal (a Rua Dr. Abílio Torres e o Bairro do Mourisco), mostra o Parque, a Companhia de Banhos, os Hotéis, as Igrejas, Mercado, Jardim, Estação…

Adelino Campante – O motivo mais utilizado nos postais de Vizela foi, de longe, a Ponte Velha, depois o percurso do rio, seguindo-se o Parque com um maior número de postais, depois a Rua Dr. Abílio Torres, que é vista de sul para norte.

RVJ – Resumindo, este livro vem provar, mais uma vez, a riqueza da história de Vizela, muito dela ligada ao turismo termal, mas também à relação dos vizelenses com o seu rio e até à dinâmica da sua vida social…

Antero Ferreira – Sim, sem dúvida. É isso que vão encontrar no livro. Representa um pouco do olhar exterior sobre Vizela. O próprio volume de postais por área indica-nos o que chamava mais a atenção das pessoas que eram de fora. Embora tivessem existido alguns fotógrafos e editores de Vizela, a maior parte era de fora e, no fundo, produzia os postais para um mercado que não o vizelense, mas antes aquele que passava cá as férias e que queria levar uma recordação quando regressasse a casa.

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