Fernanda Costa está a festejar 50 anos de êxito no Minigolfe

É a atleta em Portugal que mais vezes participou nos campeonatos nacionais (49).

A atleta vizelense Fernanda Costa cumpre este ano, 50 anos como jogadora de minigolfe. São incontáveis as vitórias e os troféus conquistados, num percurso onde destaca as presenças em provas internacionais ao serviço da Seleção Nacional.

A criação de uma bola comemorativa e a realização de um torneio, vão servir para assinalar a data.

 

Com 50 anos de prática da modalidade Fernanda Costa é na atualidade, a atleta em Portugal que mais vezes participou nos campeonatos nacionais (49) e mais conquistas alcançou. Uma data que lhe traz muita felicidade e “muito orgulho em ser uma atleta assídua nestes 50 anos”. Não faz parte do grupo das primeiras jogadoras em Vizela e em Portugal, mas começou logo depois, diz, quase “por obrigação”, e para ajudar “a dar estabilidade ao casamento”. Ter casado com Armindo Costa, mudou de forma decisiva a sua vida, no que se refere à integração no minigolfe, como destacou nesta entrevista à Rádio Vizela: “Eu quase entrei nesta modalidade por obrigação. O meu marido jogava minigolfe, fazia-o quase todos os fins de semana, e eu ficava em casa da minha mãe. Comecei a fartar-me de passar tanto tempo sozinha e havia muitos conflitos”. A solução encontrada foi passar também a jogar minigolfe, na companhia do marido, algo que tem acontecido sempre ao longo dos últimos 50 anos.

Na altura o minigolfe jogava-se em Vizela, no Callidas Club, e foi através de Odete Almeida e Otília Borges, que foi integrada e aprendeu a jogar minigolfe.

E foi paixão à primeira tacada, pois o minigolfe passou a ser uma atividade regular na sua vida. “Foi uma necessidade que se transformou numa carreira, apaixonei-me totalmente por esta modalidade”.

Na altura, o minigolfe espalhava-se por Portugal inteiro, depois de se ter estreado em Vizela e no Porto em finais da década de 60. Havia muitas mulheres a jogar e os primeiros anos foram de muita luta, para se impor. “Era a mais nova de todas, então eu andei para aí três ou quatro anos em último. Então eu fui subindo ano a ano e passados quatro anos fui selecionada para o campeonato europeu. Só não fui, porque não podia faltar ao trabalho, naquela altura”, recorda.

Nunca mais parou, acompanhando o marido em todas as provas, do Callidas passou para o Clube Turístico e Desportivo de Vizela, jogou um ano pela equipa da sua empresa, o CCD Baiona e depois ingressou no FC Vizela, clube onde esteve mais anos. Atualmente representa o Clube de Minigolfe do Porto, para onde foi, depois de ter passado um ano na Vizelgolfe. 

“No FC Vizela foi onde estivemos mais anos, fiz 35 anos de minigolfe, a representar os clubes vizelenses. Há 15 anos a esta parte, represento com dedicação o Clube do Porto, sou empenhada e competitiva, nesta modalidade que tanto amo”.

Com 76 anos de idade, Fernanda Costa tem uma vida muito ativa, por força do minigolfe, com a participação em todas as provas nacionais e também nas competições extra que vão aparecendo, mas também na Universidade Sénior de Vizela e no contributo, que dá outras associações vizelenses.

De objetivo em objetivo, quase todos alcançados os anos vão passando, a cada ano melhor, porque procura sempre ser melhor: “O meu ano de ouro foi o 2025, ganhei todas as provas. Não é por acaso, eu empenho-me bastante para ter bons resultados, não facilito muito. Na competição, temos de estar ali com a cabeça no sítio, com muita concentração e não facilitar”.

Confessa que não tem muita concorrência no escalão onde joga atualmente, por isso a comparação e feita pela prestação dos homens: “A competição está agora um bocado desfalcada, em relação às senhoras. Precisava de muito mais concorrência. Por isso concorro mais com os homens, em muitos torneios, fiquei acima de muitos homens.”

Dezassete títulos de campeã nacional, uma Taça de Portugal, mais de duas dezenas de títulos por equipas e 22 internacionalizações.

A vizelense tem um número quase incontável de troféus, os mais importantes são os dezassete títulos de campeã nacional, uma Taça de Portugal, mais de duas dezenas de títulos por equipas e 22 internacionalizações. Uns mais gratificantes do que outros, como confessa. “Tenho um quarto lugar ao nível europeu, individual. Tenho um quarto lugar por equipas, ao nível europeu. Os dois que mais me marcaram foram em 1987, quando fui campeã nacional pela primeira vez. O segundo foi quando fui jogar o Campeonato Europeu em Lamego, em 2009 onde eu tive esse quarto lugar”.

Já participou em várias provas europeias e mundiais, fazendo sempre um esforço financeiro, para estar presente, já que a Federação Portuguesa de Minigolfe, não paga as despesas dos jogadores da seleção nacional. Apesar do grande empenho nas provas, o minigolfe proporcionou-lhe o conhecimento de vários países. “Aproveitávamos o dinheiro que gastávamos, para usufruímos e visitar as grandes cidades, os grandes monumentos. Estive três vezes na República Checa, duas vezes na Alemanha, uma vez na Suécia, na Bélgica, na Áustria, em França”.

Em 2026 está novamente apurada para o Campeonato Europeu de Seniores e é em Vizela que já com 77 anos vai lutar pelo melhor resultado possível. “Esta participação é a cereja no topo do bolo. com certeza que vamos ter muitos torneios antes, vamos ter aqueles dias de treinos ali assíduos. Sei perfeitamente que há países que, por tradição, têm níveis muito altos, mas eu vou dar o meu melhor, com dignidade, para representar o meu país”, refere.

Ter podido contar sempre com a companhia do marido tem sido importante, “estamos os dois no mesmo sítio, estamos bem”. Importantes têm sido também a saúde e os amigos que o minigolfe lhe trouxe: “O minigolfe trouxe-me tranquilidade, consegui acalmar-me, pois era muito hiperativa. Ensinou-me a pensar antes de fazer, de falar e tudo. Ensinou-me tudo isso.

Pela efeméride o ano de 2026 assume-se como muito importante para Fernanda Costa, que já decidiu, como irá festejar: “Mandei fazer uma bola para assinalar os 50 anos. Vou oferecê-la ao nosso presidente da Câmara Municipal, porque o meu marido já ofereceu, e eu também vou fazer o mesmo. Estou a pensar em fazer um torneio, para quem quiser participar, de Vizela ou do Porto”.

Refere que enquanto se sentir com força e vontade irá continuar a jogar e se puder sempre ao lado do marido. “Eu penso em um ano de cada vez, porque a idade vai avançando. O meu marido também já tem 81 anos e eu não sei até que ponto pode jogar, eu ainda me sinto bem para jogar, o ano de 2026 está planeado, agendado e depois o futuro logo se verá”.

 

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