Exposição conjunta “T’Artes & M’urdiduras” em restaurante
O restaurante Paraíso 19.95, em Pevidém, recebeu, no passado sábado, 07 de março, a exposição conjunta “T’Artes & M’urdiduras”, que reúne obras dos artistas Ammil e ‘Pólen’. A mostra pretende, segundo os organizadores, “abrir as portas do imaginário”.
O pintor Martinho Lima, conhecido artisticamente como Ammil, referiu que os trabalhos deverão permanecer expostos durante cerca de dois meses.
Questionado sobre a possibilidade de algumas obras serem adquiridas pelos clientes do restaurante, o artista reconheceu que a arte depende sempre do olhar de quem a observa. “Era bom. A arte depende muito de quem a observa, se gosta, se tem carteira para isso ou não”, referiu.
A exposição assume também um significado especial pelo reencontro artístico entre Martinho Lima e Manuel António, conhecido como ‘Pólen’, com quem iniciou o percurso na pintura há cerca de duas décadas. “Foi com o Nelo que eu aprendi a pintar, já há 20 anos. Hoje foi especial por termos nos encontrado ao fim de 20 anos a expor juntos, num sítio especial. Também é a minha cidade e o local é muito agradável. Acabámos por juntar pinturas que começamos juntos e acabámos juntos, quase pinturas de abraço”, contou.
Também o pintor Manuel António, ‘Pólen’, recordou que já exões em restaurantes anteriormente, nomeadamente em Vizela, experiência que considera importante para dar visibilidade ao trabalho artístico. “A primeira vez que me lembro de ter exposto num restaurante foi no Águia D’Ouro. (…) Vendi uns quadritos e comecei a ganhar nome”, referiu.
O artista evocou ainda o impacto de projetos artísticos realizados na cidade, como o ‘Túnel da Cor’, que descreve como uma referência importante no seu percurso. “O Túnel da Cor é a minha capela-sistina. Sempre que volto a Vizela, volto ali. (…) A partir daí, Vizela começou a ser a cidade de azulejos. Agora, eu passo em Vizela, e vejo azulejos por toda a parte. E é fantástico”.
“Quando olho para crianças a pintar, penso sempre que sonhos começam em criança. Quando fomos para o túnel com as crianças, elas não viam mais nada à frente, portanto a pintura era a suprassumo das coisas. Os sonhos começam em criança; e não é em adulto que se diz agora vou ser pintor. Se não forem desviadas de um gosto ou de uma paixão, como a pintura ou a música, as crianças estão bem direcionadas para serem felizes”, defendeu.
“Gostava de ser feliz, mas vejo tanta infelicidade à minha volta. Como é que se pode ser feliz quando estamos em guerra e com tanta desigualdade na sociedade? Gostava de ser feliz, mas não posso ser feliz”, acrescentou.
A iniciativa partiu também da vontade do restaurante em afirmar-se como um espaço cultural. Miguel Vieira, um dos chefs do restaurante e natural de Nespereira, sublinhou que o objetivo passa por ir além da restauração. “Não queremos ser só um restaurante. Já não é a primeira exposição que temos cá, não só de pintura, também fotografia. Queremos ser, além de restaurante, uma casa de cultura, aliando a cultura gastronómica à pintura, fotografia, escultura e outras formas de arte”, explicou. “São dois amigos de longa data, e eu fiz com que eles viessem cá, porque fazia mesmo gosto em tê-los no restaurante e poder aliar a cozinha à arte deles”, acrescentou.







