Dadores Sangue Vizela registam melhor ano de sempre em 2025
A Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Vizela alcançou, em 2025, os melhores resultados da sua história, consolidando, desta forma, uma tendência de crescimento que contrasta com a realidade nacional, marcada pela diminuição do número de dadores.
No balanço do último ano, a associação registou 3289 inscrições, um aumento de quase 200 face a 2024, e realizou 2693 colheitas, mais 110 do que no ano anterior, o equivalente a uma subida de 5%. Foram ainda contabilizados 197 novos dadores, números alcançados ao longo de 49 sessões de colheita.
O vice-presidente da associação, Gonçalo Castro, não escondeu a satisfação com os resultados. “Os resultados em 2025 foram espetaculares, foram os melhores de sempre. (…) Os números falam por si e não podíamos estar mais satisfeitos”, afirmou.
Apesar do crescimento, a associação viu duas sessões de colheita canceladas pelo Instituto Português do Sangue e da Transplantação, devido à falta de pessoa, situação que condicionou a atividade. Ainda assim, Gonçalo Castro sublinha que o desempenho local vai em sentido oposto ao panorama nacional. “A nível nacional, aquilo que se verifica é que os números estão a baixar, e nós estamos a subir. Enquanto, a nível nacional, a população dadora está mais envelhecida, nós verificamos precisamente o contrário”, destacou.
Os dados em Vizela revelam, de facto, uma forte adesão de jovens. Das 2693 dávidas registadas, 28,2% (759) foram realizadas por dadores entre os 18 e os 35 anos, enquanto 55% (1479) corresponderam à faixa etária entre os 35 e os 55 anos. “E curiosamente, ao contrário daquilo que se verifica a nível nacional, onde tivemos menos dadores, cerca de 16,9%, foi na idade mais elevada, com mais de 56 anos (…) Estes números deixam-nos muito satisfeitos. Estamos a trabalhar bem e temos bons resultados, muito melhores daquilo que se verifica a nível nacional”, referiu o vice-presidente da associação.
Para a direção, estes números refletem o trabalho contínuo de proximidade com a comunidade e a aposta na sensibilização das gerações mais novas. Ao longo de 2025, a associação promoveu diversas ações junto da população, incluindo colheitas em empresas, visitas escolares ao Centro de Sangue do Porto e outras iniciativas. “Nós privilegiamos as ações de sensibilização com os mais novos, em idade escolar, porque é aí que se começam a preparar os dadores do futuro”, explicou Gonçalo Castro.
“Os jovens são a garantia do futuro. Nós apostamos na sensibilização dos jovens, mesmo em idade escolar. Ainda não têm idade para dar sangue, mas é importante que eles, cresçam com essa informação, porque há sempre alguma coisa que fica e, depois, quando tiverem 18 anos, aparecem para dar sangue. E depois também é importante a mensagem que eles levam para casa; eles ouvem-nos a falar da importância que isto tem na vida de todos e levam essa mensagem para casa e acabam por sensibilizar os pais também”, acrescentou.
Entre as atividades promovidas estiveram ainda a caminhada “Corrente da Vida”, que reuniu mais de 600 participantes, ações na Festa da Juventude, na Praça da República e em iniciativas desportivas e associativas do concelho de Vizela. “Isto foi uma imensidade de atividades e de ações, e todas elas com ações de sensibilização, que nos envolveram muito com a população e, de facto, os resultados também vêm daí. Cada vez mais, nos damos a conhecer à população; e, cada vez mais, passamos esta mensagem da importância que é a dávida de sangue e as pessoas compreendem a importância que isto tem na vida de todos nós”.
Apesar do sucesso, a associação aponta desafios estruturais, sobretudo relacionados com os cancelamentos de colheitas. Gonçalo Castro lamenta os constrangimentos provocados por estas situações. “Preparamos o calendário com muita antecedência. (…) Temos tudo programado, temos calendários que entregamos, temos as empresas e os locais onde vamos fazer as colheitas já contactados, no sentido de reservar as instalações para esses dias; mas, muitas vezes, somos surpreendidos em cima da hora que, afinal, não há pessoas que garantam a realização de uma sessão de colheita e tem de ser cancelado. Isso causa muito transtorno, quer a nós, quer a quem cede as instalações”, referiu.
Associação mantém confiança para superar números em 2026
O presidente da associação, José Manuel Guimarães, reforçou o impacto destes cancelamentos, mas mostrou-se confiante para o ano de 2026. “O ano está a correr lindamente, à exceção destas duas recolhas que não foram efetuadas. Isso é um transtorno, principalmente quando temos as mensagens enviadas. (…) Mas somos uma equipa. A nossa associação só avança quando toda a gente está unida; o nosso lema é salvar vidas e que nunca falte sangue nos hospitais”, afirmou. “A nossa associação é um exemplo a nível nacional. Os números falam por si; enquanto toda a gente andou para trás, nós conseguimos andar para a frente. (…) É sinal que estamos a trabalhar, que vamos no bom caminho e que os dadores podem estar descansados, que tudo faremos para que eles se sintam bem, quando vêm doar sangue à nossa associação”, acrescentou.
Até ao momento, os números de 2026 estão em linha com os registados no mesmo período do ano passado, apesar das duas sessões já canceladas este ano. A associação acredita, contudo, que poderá voltar a ultrapassar os resultados de 2025, apoiada em novas ações e locais de recolha. “Já tivemos o cancelamento de duas colheitas, e uma delas foi ao sábado; e estas colheitas ao sábado são sempre mais participados. (…) Com estas duas colheitas, provavelmente estaríamos ainda com números superiores aos do ano passado. Agora vamos ter muitas pela frente e vamos a locais pela primeira vez. (…) Estou convencido de que vamos conseguir ultrapassar os números do ano passado. Desde que tomámos posse nesta direção, todos os anos temos vindo a crescer. É sinal de que estamos a trabalhar bem”, concluiu Gonçalo Castro.







