Vizela e as suas instituições

Xavier de Freitas

2021-06-09

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Vizela é uma cidade de pequena dimensão geográfica e populacional, mas tem, no seu meio, muitas instituições de elevado valor social, desportivo, cultural, sendo que todas desempenham um papel muito importante na sociedade vizelense. A conjuntura mundial está a viver um dos maiores desafios da humanidade, com a pandemia, que se abateu no nosso quotidiano, desde o início de 2020. Também aqui se pode ver e realçar a importância que várias Instituições desempenharam, para ajudar a combater e minimizar os danos causados pela mesma, sejam de natureza social, económica e de saúde. 
Em Vizela, há espaço para todas as Instituições, pois, à sua maneira, têm sido uma mais valia para uma melhor qualidade de vida, de todos os vizelenses. O número de associações e instituições em Vizela é bastante considerável e a qualidade dos serviços e ações que desenvolvem são, sem margem de dúvida, de realçar.
Posso dizer que tive a sorte de pertencer a muitas dessas instituições, pelas quais sinto um enorme privilégio de ter pertencido e pertencer, porque todas contribuíram para a minha aprendizagem contínua, ao longo da vida.
Considero a responsabilidade das direções das instituições e o seu empenho para levar a bom porto os planos de atividades, assim como, o seu rigor nas questões financeiras e a difícil missão de tomar decisões.
Fazer parte de uma associação ou instituição não pode ser encarado como sacrifício; não vejo essa missão desta forma. Fazer parte de uma instituição deve ser considerado uma honra, uma vez que de uma maneira ou de outra, estamos a contribuir para o desenvolvimento social, cultural e/ou desportivo, e consequentemente para a união e coesão social, concretamente de Vizela. Posso confessar, que por todas as Instituições em que fui parte integrante, dei o meu melhor e fiz o melhor que sabia.
Tenho consciência que, por vezes, a tomada de decisões e determinar o caminho a seguir, nem sempre é compreendido por todos de igual forma e o erro também faz parte de qualquer elemento associativo. Contudo, tenho a certeza que a intenção era contribuir para o crescimento das mesmas, ou seja, dar de si antes de pensar em si.
Aliás, esta expressão rotária “dar de si antes de pensar em si”, simboliza, na perfeição, o que é ser dirigente associativo/institucional. Realça a génese e o intuito do que envolve ser solidário.
Neste momento, dou o meu melhor e o melhor que sei na Real Associação dos Bombeiros Voluntários de Vizela, no Futebol Clube de Vizela, na Associação Comercial e Industrial de Vizela (ACIV), no Conselho Económico da Paróquia de S. Miguel e no Rotary Club de Vizela. O Rotary é um movimento à escala mundial, que não tem fronteiras, cor, partido político ou religião. Somos todos diferentes, mas todos iguais na ajuda a quem precisa.
Os rotários são um conjunto de Homens e Mulheres, com diferentes atividades profissionais, que reúnem semanalmente (no caso de Vizela, à quarta-feira, na Casa das Coletividades) para debater ideias, projetos e ações. Sou elemento do Rotary Club de Vizela há vinte e um anos, tendo já sido presidente por duas vezes, o que me dá bastante orgulho. Servi e sirvo o movimento rotário da melhor maneira possível e, neste momento, sou responsável pela gestão e empréstimos das cadeiras de rodas e camas articuladas, do clube.
O Rotary Club de Vizela tem projetos na sua própria cidade, mas também integra projetos a nível nacional e a nível mundial. Assim, os projetos específicos de Vizela são a Universidade Sénior, o curso de Alfabetização de Adultos, Bolsas de Estudo, prémios aos melhores alunos, ajuda ao Programa Alimentar de Vizela. Um dos primeiros projetos, do Rotary Club de Vizela, há alguns anos, foi a criação da AIREV, instituição relevante e de enorme importância, pelo trabalho que desenvolve. Nas instalações da mesma, o clube ajudou à instalação de uma sala de terapia snoezelen, complementada, durante o corrente ano, com mais uma sala de terapia sensorial, designada por “Clínica do Edi”.
De salientar, também, o empréstimo das cadeiras de rodas e camas articuladas, e mais recentemente o projeto dos desfibrilhadores, que oferecemos à comunidade vizelense, de entre outros. Todos estes projetos estão em desenvolvimento permanente e com crescimento e importância consideráveis.
A nível mundial, o Rotary Club de Vizela também participa e contribui para muitos projetos. No meu ponto de vista, um dos mais importantes foi, sem dúvida, o contributo para a erradicação da poliomielite. De facto, só a união de todos os clubes e ações concertadas, a nível mundial, permitiu que esta doença esteja quase a ser erradicada, como foi conseguido recentemente em África.
O clube também ajudou a construir uma escola na Etiópia e uma outra em Moçambique. No início deste ano, devido à pandemia do Covid-19, contribuímos para o fornecimento de equipamentos de contenção da disseminação do vírus, nomeadamente máscaras, sabão e álcool gel para Cabo Verde, bem como alimentos e peças de vestuário para os refugiados de Pemba, em Moçambique.
Na minha opinião, ser Rotário é ser solidário, é dar um pouco do seu tempo para aqueles que mais precisam; é fazer bem sem olhar a quem, é dar a mão ao próximo, em sintonia com o seu grande lema de comportamento: “dar de si antes de pensar si”.
Acredito que ser Rotário é fazer aos outros o que gostaríamos que nos fizessem, com a certeza de sermos mais solidários, mais compreensíveis e melhores profissionais. 
Aproveito esta crónica, para enaltecer e prestar reconhecimento a todos os elementos rotários do meu clube, porque cada um, à sua maneira, trabalha em prol da comunidade, onde a união, o respeito, a amizade e o companheirismo estão sempre presentes, de modo a contribuirmos para o desenvolvimento social de Vizela.