Vizela anda nas “bocas” do Portugal Desportivo

Hélder Freitas

2021-04-01

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Vizela tem andado nas últimas duas semanas nas "bocas" do Portugal desportivo e em modalidades bem diferentes, mas ambas que já muitas alegrias deram e trouxeram para este pequeno concelho. Desde logo por uma “suspeita do costume”: Salomé Rocha. A atleta de Vizela, e que defende atualmente as cores do Sporting (treinada desde sempre e para sempre pelo melhor técnico português de atletismo - Rui Ferreira; olha, mais um de Vizela…), venceu o nacional de Corta-Mato Longo com uma prova de uma inquestionável qualidade. Falar de Carla Salomé Rocha (e felizmente neste espaço já se falou várias vezes dela) é falar da Campeã Nacional dos 10 000 metros em pista e da campeã nacional de corta-mato. Tão só! Parece tão fácil! É falar de uma atleta que aos 30 anos tem a segunda melhor marca de sempre na maratona só suplantada pela "extraterrestre" Rosa Mota. É falar de uma atleta extremamente versátil e multifacetada porque os resultados (que vêm com muito e árduo trabalho) surgem quer em pista, quer na estrada, quer no corta-mato... De Salomé pode esperar-se tudo o que os nossos (e os dela com toda a certeza) sonhos possam alcançar, pois quando a vemos a percorrer as estradas até parece voar, tal a delicadeza com que os passos da sua corrida assentam no alcatrão. Vamos esperar o tudo que ela ainda possa trazer para Vizela com a suspeita de que há ainda tanto por vir. Parabéns para ela e uma menção honrosa para Ana Catarina Ribeiro, que foi 3ª a 23 segundos. O atletismo vizelense está em alta, está pujante e respira saúde!
E quem não lhe fica atrás é a equipa IN(suspeita) de Álvaro Pacheco! O Vizelinha deixou de ser diminutivo carinhoso para se transformar num aumentativo que impõe respeito. O Vizelão de hoje, azulão forte e destemido a quem rareiam adjetivos que o qualifiquem, é de forma mais do que inquestionável, se não a melhor, pelo menos insere-se no duo que melhor define e destila futebol na 2ª Liga. E atenção, porque esta vitória no Estádio do Mar diante de um histórico do futebol português (já tinha feito algo de semelhante no Cidade de Coimbra diante dos estudantes, crónicos candidatos), é de uma equipa com muita tarimba, com muto arcaboiço, com extrema competência e a quem as coisas parecem resultar com naturalidade. 
O Vizela é, claramente, uma equipa à imagem do seu treinador (e em boa verdade não se deixe passar em claro a enormíssima importância que ele tem para o que tem acontecido), mas os jogadores (que parecem crianças alegres em amenas brincadeiras no recreio da escola) enraizaram de tal forma como devem encarar os adversários que, sem sombra de dúvida, o Vizela é, por esta altura, o adversário mais temido e aquele que nenhum adversário quer ter pela frente. Nunca fui muito apologista do discurso do jogo a jogo, especialmente vindo de alguém que joga sempre para ganhar e em algumas jornadas revela um poderio tal que deixa outros a pensar se estarão a jogar no campeonato certo, mas a verdade é que tem resultado, sacode-se pressão para quem tem efetivamente essa obrigatoriedade por direito próprio, o futebol está à vista de todos e a consolidação do segundo lugar pode ser uma certeza. Não havendo certezas no futebol (desporto como nenhum outro que vive do momento) há uma verdade que ninguém pode questionar. 
Se olharmos para a equipa com mais querer e com mais vontade e que consegue aliar a tudo isso uma alegria em campo pouco vista e um futebol apaixonante, essa equipa mora, claramente, em Vizela. Se isso tudo reunido chega? Não sabemos. O que se pode desde já aferir é que, com muito menos, muitas outras no passado conseguiram os seus objetivos. Importa perguntar "para onde vais Vizela"? 
Para onde todos nós queremos?  A resposta seguirá nos próximos jogos. Uma palavra especial para toda a estrutura do futebol, porque há tanto trabalho que não é visto e que tem uma importância enorme e esse é, de forma evidente, preconizado pela SAD, tantas vezes injustamente criticada.