
Turismo em Vizela: Mais e Melhor
Jorge Coelho
2026-01-22Iniciado o ano de 2026 e considerando-se que o passado pode ser uma ferramenta útil para o futuro, verifica-se interessante uma análise aos resultados estatísticos correspondentes ao Turismo em Vizela no ano de 2024 (últimos dados/resultados globais disponíveis), divulgados no último trimestre de 2025 pelo Travel BI, portal de gestão do conhecimento do Turismo de Portugal, tendo como fonte o INE.
Isto, considerando-se os indicadores “número de hóspedes”, “número de dormidas”, “estada média”, “taxa de sazonalidade” e “intensidade turística”. A análise é simples, de fácil interpretação e possivelmente útil para quem assim o pretender. Para além de 2024, ano de inauguração dos Passadiços de Vizela, estabelece-se também comparação com números registados desde 2018.
Quanto ao indicador “número de hóspedes”, em 2024 foi registado um total de 13.831, resultando num crescimento de 9,85% face a 2023 (12.469 hóspedes), tratando-se assim de uma taxa de crescimento significativa. De 2022 para 2023 o crescimento foi de 8,2%. Mais importante, relativamente a este indicador e excluindo-se os anos da pandemia (2020 e 2021), é o facto de se verificar desde 2018 regularidade em relação ao crescimento. De 2018 para 2019, ano em que o Bolinhol de Vizela foi um dos vendedores do concurso “7 Maravilhas Doces de Portugal”, o crescimento registado foi de 14,22%.
Relativamente ao indicador “número de dormidas”, os resultados são idênticos. Ou seja, globalmente positivos. Excluindo-se novamente os anos da pandemia e considerando-se os restantes anos, entre 2018 e 2024, o número médio de dormidas foi de 25.645 por ano. É verdade que em 2024 o total registado foi ligeiramente inferior a 2023. Mais precisamente, 27.782 em 2024 e 28.733 em 2023. Mas a pequena descida registada, de apenas de 3,42%, não é tão relevante quanto isso, podendo-se assumir compensada pela subida do número de hóspedes já referida (+12.469), o que terá certamente equilibrado as receitas.
Da relação entre “número de hóspedes” e “número de dormidas” consegue-se determinar a “estada média”. No caso de Vizela, no ano de 2024 a “estada média” foi de duas (2) noites. Um resultado positivo, tendo em conta que em Portugal, no mesmo ano, o valor registado foi de 2,4 noites.
Outro indicador que merece análise é a “taxa de sazonalidade”. Basicamente, a avaliação deste indicador permite perceber se um determinado destino é mais procurado numa época específica do ano (tecnicamente são considerados os três meses tendencialmente de maior procura - julho, agosto e setembro) e qual o peso/importância desse resultado na dimensão global ou dinâmica anual da procura. Em Vizela a “taxa de sazonalidade” tem-se mantido em torno dos 32%, resultado que pode ser considerado positivo, porque revela que a concentração da procura não é excessiva. Ou seja, é demonstrativo que há uma distribuição interessante da procura ao longo do ano e não concentrada apenas em alguns meses.
Um último indicador merecedor de análise é a “intensidade turística”. Permite avaliar a pressão turística, através da relação entre o “número de dormidas” e o número de habitantes num determinado destino. Tal como com a “sazonalidade turística”, deseja-se um resultado equilibrado. No entanto, há quem faça leituras erradas por pensar que quanto mais alto for o resultado deste indicador melhor. Fazem-no por ignorância.
Porquê? Porque com o Turismo passa-se o mesmo com o futebol. São muitos mais os que “mandam bitaites” do que aqueles que efetivamente percebem do assunto. Gosto de futebol, mas como não percebo tudo, também vou errando.
Em Vizela, no ano de 2024, o valor correspondente à “intensidade turística” foi de 0,31 e em 2023 de 0,32. Uma diferença (0,01) igual a praticamente nada. São valores que significam estar-se longe da pressão turística que se verifica noutros destinos turísticos, onde dizem haver turistas a mais. É antes, a evidência de que Vizela pode acolher mais turistas e visitantes, sem prejudicar a relação saudável que existe entre a comunidade local e o turismo. Para melhor entendimento, embora não se deva comparar o que não é comparável, importa referir que o valor registado em 2024 no Porto foi de 6,81 e em Lisboa de 7,49.
Por fim, é conveniente referir que, técnica e oficialmente, para obtenção de resultados em cada um dos indicadores aqui referidos, são apenas considerados os turistas. Pernoitam no destino em Empreendimentos Turísticos e em Alojamento Local, logo há registos oficiais (obrigatório, por lei). De acordo com o RNET - Registo Nacional de Empreendimentos Turísticos e o RNAL - Registo Nacional de Alojamento Local, a oferta de alojamento em Vizela é composta por 153 quartos e 214 camas. São números importantes para se perceber a relação entre oferta e procura.
Por outro lado, não são considerados os visitantes, pois estes não pernoitam no destino e por isso não há registos oficiais. No entanto, no caso de Vizela, tem sido evidente o crescimento da procura também por parte destes que, de forma visivelmente assídua e em volume considerável, desfrutam da oferta turística vizelense. De qualquer modo, os turistas são mais “importantes” para a economia dos destinos turísticos, porque ao permanecerem mais tempo, gastam (tendencialmente) mais dinheiro.
Concluindo, os resultados registados e analisados são demonstrativos de sustentabilidade, no que ao crescimento da procura diz respeito, pelo que os consequentes impactos serão certamente positivos, sobretudo em termos económicos. Para que tal tenha acontecido, não haverá dúvidas em relação ao que de bom se tem vindo a fazer, tanto a nível público como privado. Com o potencial existente, mais e melhor irá desejavelmente acontecer.
Nota autoral: Este é o meu último texto de opinião para o RV Jornal. Encerra-se uma espécie de ciclo, por absoluta indisponibilidade da minha parte. A convite da Fátima Anjos, em 2017, escrevi mais de uma dezena de textos. Estão disponíveis no site da Rádio Vizela. Foi um gosto! Obrigado aos leitores, à Fátima, ao José António (Presidente da Rádio Vizela) e felicidades para a Francisca Silva (Diretora do RV Jornal).





