Se a informação está em todo o lado, para que serve a escola?

Margarida Gomes

2026-09-10


Nunca tivemos tanta informação ao nosso alcance. Em poucos segundos, podemos pesquisar um conceito, consultar dados, encontrar diferentes explicações ou obter uma resposta para praticamente qualquer pergunta. E, com a inteligência artificial, esse acesso tornou-se ainda mais imediato. Perante esta realidade, surge inevitavelmente uma questão: se a informação está em todo o lado, para que serve hoje a escola?

Durante muito tempo, uma das funções fundamentais da escola for dar acesso a conhecimento que dificilmente estaria disponível fora dela. Hoje, essa realidade mudou profundamente. Uma criança ou um jovem tem ao seu alcance uma quantidade de informação que nenhuma escola conseguiria transmitir na totalidade. Poderíamos, então, perguntar: se a informação está tão facilmente acessível, continuará a escola a ser tão necessária?

A resposta está, talvez, naquilo que fazemos com toda essa informação. Porque ter acesso à informação não significa compreendê-la, saber avaliá-la ou conseguir utilizá-la. Encontrar uma resposta é fácil. Perceber se está correta, relacioná-la com aquilo que já sabemos, questioná-la, distinguir factos de opiniões ou utilizá-la para resolver um problema exige muito mais.

Aquilo que encontramos diariamente, sobretudo no espaço digital, pode ser rigoroso e fundamentado, mas também pode estar incompleto, descontextualizado, errado ou ser deliberadamente enganador. E quanto maior é a quantidade de informação disponível, maior é a necessidade de termos conhecimentos que nos permitam interpretá-la.

É difícil avaliar uma afirmação sobre ciência sem compreender alguns princípios científicos. É difícil perceber um acontecimento atual sem conhecer o seu contexto histórico. É difícil interpretar determinados dados sem conhecimento de matemática. Precisamos de saber para conseguirmos compreender aquilo que encontramos.

E é também aqui que o papel do professor continua a ser fundamental. Num mundo em que encontrar informação é cada vez mais fácil, ensinar não é apenas disponibilizar conteúdos. É ajudar os alunos a compreender, questionar, estabelecer relações, confrontar ideias e construir conhecimento. É criar contextos em que possam pensar, experimentar, errar, receber orientação e avançar na aprendizagem.

A escola deve, por isso, criar oportunidade para que as crianças e jovens aprendam não apenas a responder a perguntas, mas também a fazer boas perguntas, procurar evidencias, relacionar conhecimentos, testar ideias, argumentar, resolver problemas, criar, errar, rever e tentar novamente.

Esta capacidade tornar-se particularmente importante quando pensamos no futuro. Não sabemos exatamente quais serão as profissões, as tecnologias ou os desafios sociais que as crianças que hoje entram numa sala de aula irão encontrar daqui a vinte ou trinta anos. Algumas das ferramentas que irão utilizar provavelmente ainda nem existem. Não conseguimos antecipar tudo aquilo que precisarão de saber. Mas podemos prepará-las para continuarem a aprender, proporcionando-lhe bases sólidas de conhecimento e, ao mesmo tempo, ajudando-as a desenvolver a curiosidade, a autonomia e a capacidade de continuar a aprender perante situações que hoje ainda não conseguimos prever.

A abundância de informação não tornou, por isso, a escola menos necessária. Pelo contrário, tornou ainda mais importante uma das suas missões: ajudar a transformar informação em conhecimento, conhecimento em compreensão e compreensão em capacidade para pensar e agir.

Talvez seja essa uma das grandes mudanças da educação no século XXI. A escola continua a ensinar, mas precisa também de ser uma bússola: não para indicar às crianças e aos jovens um único caminho, mas para lhes dar conhecimentos, ferramentas e critérios que lhes permitam encontrar o seu próprio caminho num mundo em constante mudança.

Porque educar para o futuro não significa tentar adivinhar como será o amanhã. Significa dar às crianças e aos jovens as bases para continuarem a aprender quando esse amanhã chegar.