Remate Certeiro 13.08.2020

Manuel Marques

2020-08-13

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Sempre tive enorme respeito (para não dizer medo) de foguetes. Recordo-me de só uma vez na vida entrar numa oficina de pirotecnia, na Póvoa de Lanhoso, com o destemido Ramiro. Aquelas mulheres e homens absolutamente descontraídos enchendo tubos de pólvora como quem enche chouriços e nós dois, qual trincheira, de coração a bater contido para não provocar faísca. Andávamos como bailarinas de balé para não criar faísca com os tacões e falávamos baixinho com receio de acordar o monstro. Carregámos duas dezenas de bombas enroladas em papel de cartucho para uma carrinha emprestada e viemos em silêncio todo o caminho. À noite os foguetes foram lançados pelo Machado de Lagoas para os lados da igreja de S. Miguel, aos ziguezagues e tipo onda da Nazaré diga-se, porquanto foram mais os que rebentaram num campo de milho do que aqueles petardos que subiram aos céus. Foi num aniversário do 05 de agosto e os foguetes foram oferecidos às escondidas por um amigo nosso ligado às Gualterianas (um paradoxo) que nós cá não tínhamos um centavo para comprar tamanha artilharia. O estouro do último foguete foi como uma espécie de requiem na minha carreira de vizelense revolucionário pois ali mesmo jurei que foguetes nunca mais. Estava enganado. Dezoito anos depois, na noite de 2 de maio deste ano, por mera coincidência, acompanhei um simpático fogueteiro de Fafe mais a eng. Marcela ao topo dos nossos Paços do Concelho para lançamento duma mini girândola ofertada de boa vontade pela Autarquia que não quis deixar passar em claro tão importante conquista do dia. Saco de bombas à frente seguimos em fila indiana por uma escadaria ainda não iluminada, eu de olhos como tochas no saco, e daí a pouco subiu na escuridão da noite o foguetório vitorioso: um curto “catrapum” “pumpum” “rautautau” e VIVA O FC VIZELA NA II LIGA. A Câmara não se esqueceu do Vizelinha e ficou por ali a festa no que concerne ao estalejar de foguetes. Paralelamente estava previsto sair uma caravana de pipipi popopó porém a zelosa Autoridade taxou que as contingências covid obrigavam os mortais a festejar em casa. Alguém se interrogou como foi então possível oito dias depois sair à rua um desfile automóvel de outra Força Viva da terra e viva o velho. Dois pesos e duas medidas talvez e o caso morreu por ali. Dois meses depois, por iniciativa privada e também por motivos clubísticos, voltou-se a ouvir estrondoso e prolongado foguetório na cidade, mas desta vez, e como sempre acontece todos os anos no final dos Campeonatos da I Liga, por clubite externa. Já lá diz o ditado que Santos da porta não fazem milagres. E não!