
Quando as férias chegam ao fim
António Gonçalves
2026-09-10Agosto chega ao fim e, com ele, termina para muitos aquele período do ano que esperamos durante meses: as férias de verão. É uma espécie de despedida. Aos poucos, as praias começam a ficar menos cheias, as estradas deixam de ter o movimento intenso das semanas de agosto e os destinos de férias vão ficando para trás. As malas regressam a casa e, com elas, regressa também a rotina. Para muitos, setembro é o mês do recomeço.
Depois de algumas semanas de descanso, de dias sem horários tão rígidos, de refeições prolongadas, de passeios, viagens, encontros com familiares e amigos ou simplesmente de momentos de tranquilidade, é tempo de voltar ao trabalho. Para quem tem filhos, há ainda o regresso às aulas, com tudo o que isso representa para as famílias.
Mas o fim das férias é também um momento de reflexão. Durante o ano, vivemos muitas vezes demasiado depressa, pois o trabalho, as obrigações, os horários e as preocupações ocupam grande parte dos nossos dias. As férias permitem-nos, ainda que por pouco tempo, quebrar esse ritmo. Permitem-nos também estar mais disponíveis para os outros e para nós próprios. Talvez seja esse o verdadeiro significado das férias: não apenas viajar ou conhecer novos lugares, mas recuperar aquilo que a rotina frequentemente nos rouba — tempo. Tempo para conversar, para ouvir, para estar com os filhos, com os pais, com os amigos. Tempo para caminhar, ler, pensar ou simplesmente não fazer nada. E talvez o maior desafio do regresso seja precisamente não perder tudo isso.
Não podemos viver permanentemente de férias, naturalmente. O trabalho faz parte da vida e é através dele que construímos projetos, sustentamos famílias e contribuímos para a sociedade. Mas também não deveríamos aceitar que a vida seja apenas uma sucessão de períodos de trabalho interrompidos por alguns dias de descanso. Há pequenas coisas que podemos trazer das férias para o quotidiano: um jantar em família sem pressa, uma conversa sem olhar constantemente para o telemóvel, um encontro com amigos ou simplesmente alguns minutos para nós próprios.
Setembro pode, por isso, ser mais do que o mês do regresso. Pode ser o mês de uma nova oportunidade para reorganizar prioridades, valorizar mais as pessoas que temos perto e perceber que nem sempre são necessárias grandes mudanças para vivermos melhor.
Para muitos portugueses, estas férias foram também uma oportunidade de regressar às suas terras de origem, reencontrar familiares ou visitar lugares que fazem parte da sua memória. Outros ficaram perto de casa, porque nem todos têm as mesmas possibilidades económicas. E há ainda quem não tenha conseguido fazer férias ou tenha tido apenas alguns dias de descanso. Por isso, o regresso deve ser encarado com alguma serenidade e, sobretudo, com gratidão.
A época estival terminará mas ficarão as memórias dos dias vividos, das pessoas encontradas, dos lugares visitados e de mais um verão vivido entre a tradição, a convivência e os momentos simples que fazem parte da identidade da nossa cidade de Vizela. Sem deixar para trás aquilo que aprendemos durante as férias, que o regresso seja, então, não apenas um voltar ao trabalho, mas também um voltar à vida com mais tempo, mais atenção e mais vontade de aproveitar aquilo que realmente importa.
Porque, afinal, as próximas férias ainda estão longe mas a vida acontece todos os dias.





