Por que razões não optam por Eleições Primárias?

Eugénio Silva

2020-10-22

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22-10-2020


Ontem como hoje, qualquer partido político que cobice ganhar futuras eleições precisa de um líder sério, honesto e competente, que saiba e possa optar pelo exigente caminho da independência, do rigor, da verdade e da transparência na sua condução. Sem estes necessários atributos nunca reunirá condições para se submeter ao rigoroso escrutínio dos seus concidadãos nem nunca concederá credibilização partidária. Ora, com toda a certeza e fatalidade, nunca o PS-Vizela chegará ao poder quando se mostra carecido de rumo e liderança, esvaído por cisões fratricidas, desprovido de quadros qualificados, estiolado. Um partido que se mostra amorfo, sem capacidade de intervenção nos diferentes palcos políticos, que aceita, resignado, a subalternidade. Um partido que se mostra discreto, parecendo mesmo tolerante e indiferente à falácia do desenvolvimento de Vizela propagandeada pelos seus adversários. Para ganhar futuras eleições e almejar o poder, o partido teria de se renovar e reinventar. A sua cúpula partidária precisaria de alterar estratégias e, acima de tudo, a sua visão e cultura democrática, única forma de travar o seu declínio e futuras divisões internas. Como nada foi feito, para se travar o descrédito e a descredibilização, o partido terá de passar, a muito curto prazo, pela séria vontade de enfrentar e sanar os muitos problemas de que padece. Aproximam-se as Eleições Autárquicas de 2021 (setembro/outubro), e, na atual conjuntura política, o PS-Vizela não tem outra solução que não seja optar por Eleições Primárias. Impõe-se, como última alternativa ao “pântano” em que o partido se atolou, a abertura de um processo de Eleições Primárias, que criará as necessárias condições para o eventual surgir de outros candidatos que se identifiquem com o campo do socialismo democrático, os quais poderão ser até simples simpatizantes. Obviamente, de fora deste processo ficarão todos aqueles que, intencionalmente, afrontaram e hostilizaram o partido em eleições passadas e todos aqueles que se identificam como simpatizantes de extremismos e radicalismos políticos. Enquanto na farsa do processo das eleições diretas, onde votam apenas os militantes do partido o candidato que lhes é impingido pela estrutura concelhia, nas Eleições Primárias a escolha contemplará um universo mais alargado que envolverá militantes e cidadãos simpatizantes, desde que cumpram os requisitos estipulados pelo partido para tal escrutínio. Será uma forma inovadora de se conceder aos vizelenses um maior envolvimento nas decisões políticas que marcarão o futuro de Vizela e um bom meio de lhes transmitir o sentimento de que são parte ativa nessas mesmas decisões, de forma aberta e transparente. Se bem que não haja nos estatutos do Partido Socialista qualquer menção a Eleições Primárias, também não existe nada que as proíba, enquanto o estatuto de simpatizante já está há muito em vigor. E tal facto não impediu o partido de já ter realizado este tipo de eleições. E, brevemente e pela primeira vez, o candidato socialista à Câmara Municipal de Vila Conde irá ser escolhido através de Eleições Primárias, com abertura à participação de simpatizantes. Será um ato muito louvável e profundamente democrático, uma transformação histórica sem precedentes em relação à forma como o partido escolherá os seus futuros candidatos. Em apoio das virtudes desse relevante e inovador ato eleitoral, citámos as palavras de Manuel Pizarro, presidente da distrital do PS-Porto [cf. Público de 21-09-2020] em que reafirma que as Eleições Primárias se revestem de “um acto profundamente democrático e podemos estar aqui perante uma mudança histórica em relação à forma como os partidos escolhem os candidatos que passa por dar poder aos cidadãos”. Nestas circunstâncias, a opção por Eleições Primárias apresenta-se perene de democraticidade. Será até um princípio que se poderá considerar radical quando em causa está a escolha entre quem já mostrou não idoneidade, capacidade e credibilidade para o desempenho de altos cargos políticos e quem mostre ter mérito, conhecimento, experiência, independência e isenção. Um bom resultado eleitoral do PS-Vizela terá de passar sobremaneira por aqui; a esperança dos seus militantes e simpatizantes numa vitória eleitoral apenas se criará com Eleições Primárias e, consequentemente, a confiança num melhor futuro para o concelho de Vizela.